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Eleições 2026 no Nordeste: 43,5 milhões de eleitores, milhares de candidatos e contrastes

A 20 dias do primeiro turno, o Nordeste reúne 43,5 milhões de eleitores, 1.793 municípios e mais de 5,2 mil candidaturas registradas. Mas os números escondem diferenças enormes: há estados com mais de 11 milhões ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
15 de setembro de 2026 - às 03:23
Atualizado 15 de setembro de 2026 - às 03:23
11 min de leitura

A 20 dias do primeiro turno, o Nordeste reúne 43,5 milhões de eleitores, 1.793 municípios e mais de 5,2 mil candidaturas registradas. Mas os números escondem diferenças enormes: há estados com mais de 11 milhões de eleitores, cidades com menos de 2 mil votantes e 279 municípios onde o eleitorado supera a população estimada.

Faltam menos de 20 dias para o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. E, quando o mapa eleitoral brasileiro é observado a partir do Nordeste, uma coisa fica evidente: não existe um único “eleitor nordestino”.

A região reúne 43.529.845 eleitores, segundo os dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o equivalente a 27,42% de todo o eleitorado brasileiro. Em comparação com 2022, são 1.138.869 eleitores a mais, crescimento de 2,69%.

São nove estados, 1.793 municípios e realidades políticas, econômicas, sociais e demográficas muito diferentes.

A Bahia sozinha tem mais de 11 milhões de eleitores. No outro extremo, Viçosa, no Rio Grande do Norte, tem apenas 1.972 pessoas aptas a votar e aparece como o menor colégio eleitoral do Nordeste.

A princípio, entre esses dois extremos existe um enorme mosaico eleitoral — e o Portal NE9 reuniu nesta reportagem os principais números para entender onde está o voto nordestino em 2026.

Quantos eleitores o Nordeste tem nas Eleições 2026?

O Nordeste é a segunda região brasileira em número de eleitores e concentra mais de um quarto do eleitorado nacional.

O ranking dos estados mostra uma concentração bastante desigual:

PosiçãoEstadoEleitores em 2026Participação no eleitorado nordestino
Bahia11.321.93926,02%
Pernambuco7.226.99216,61%
Ceará7.000.99116,09%
Maranhão5.188.11911,92%
Paraíba3.248.0097,46%
Piauí2.708.7576,22%
Rio Grande do Norte2.660.9506,11%
Alagoas2.442.2785,61%
Sergipe1.740.2444,00%

Os dados consolidados do TSE apontam 43.529.845 eleitores no Nordeste. A pequena diferença em relação à soma de alguns levantamentos estaduais publicados anteriormente pelo NE9 decorre das bases e consolidações utilizadas; para esta matéria-pilar, o número regional oficial do TSE é a referência principal.

A Bahia representa sozinha mais de um quarto do eleitorado nordestino e ocupa a quarta posição entre os maiores colégios eleitorais do Brasil.

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Onde está o maior eleitorado do Nordeste?

Salvador completa 476 anos em 2025. Foto: Embratur
A Bahia se destaca como o estado que mais cresceu no Nordeste. Foto: Embratur

A Bahia lidera com folga.

O estado tem mais de 11,3 milhões de eleitores, enquanto Pernambuco aparece em segundo lugar, com pouco mais de 7,2 milhões.

Ceará e Pernambuco formam um dos grandes blocos eleitorais da região, ambos com aproximadamente 7 milhões de pessoas aptas a votar.

Essa concentração ajuda a explicar por que os estados nordestinos ocupam espaço importante nas estratégias das campanhas nacionais.

Mas olhar somente para os estados não conta toda a história.

O verdadeiro tamanho do eleitorado aparece quando descemos até os municípios.

Como o eleitorado está distribuído pelas cidades?

O Nordeste possui 1.793 municípios, e o NE9 organizou o eleitorado de cada um deles em levantamentos específicos.

A Bahia, por exemplo, possui 417 municípios e mais de 11,3 milhões de eleitores. Pernambuco tem 185 municípios; o Ceará, 184; Maranhão, 217; Paraíba, 223; Piauí, 224; Rio Grande do Norte, 167; Alagoas, 102; e Sergipe, 75.

Para consultar o número de eleitores de cada cidade, o NE9 separou os dados por estado:

Também é possível consultar o levantamento geral com os eleitores de todas as cidades do Nordeste.

Qual é a menor cidade eleitoral do Nordeste?

O extremo oposto da Bahia está no interior do Rio Grande do Norte.

Viçosa, no Alto Oeste Potiguar, tem 1.972 eleitores, segundo os dados utilizados pelo NE9 a partir do TSE, e aparece como o menor colégio eleitoral entre os 1.793 municípios nordestinos.

Viçosa RN foto prefeitura
Viçosa RN foto prefeitura

O município tem uma população estimada próxima de 1,9 mil habitantes, o que torna o número ainda mais curioso.

A cidade também ajuda a revelar uma característica importante da política brasileira: em municípios pequenos, a diferença entre população residente e eleitorado pode ser bastante estreita — e, em alguns casos, o número de eleitores pode até superar o de moradores estimados.

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Por que algumas cidades têm mais eleitores que habitantes?

Esse é um dos fenômenos mais curiosos das Eleições 2026.

Um levantamento da Agência Tatu cruzou o eleitorado divulgado pelo TSE com as estimativas populacionais do IBGE e encontrou 279 municípios nordestinos onde o número de eleitores supera o de habitantes estimados.

O Nordeste concentra aproximadamente 38% dos 733 municípios brasileiros encontrados nessa situação.

O Piauí lidera entre os estados nordestinos, com 76 municípios nessa condição. Depois aparecem Paraíba, com 65, e Rio Grande do Norte, com 51.

Mas o fenômeno não significa, por si só, fraude eleitoral.

A explicação pode envolver migração, pessoas que continuam mantendo o domicílio eleitoral em suas cidades de origem e diferenças entre população residente e vínculos eleitorais.

Em Tibau, no Rio Grande do Norte, por exemplo, o levantamento encontrou cerca de 9,2 mil eleitores para uma população estimada em 5,7 mil habitantes.

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O eleitor nordestino está envelhecendo?

Montagem com Eleitores IA portal NE9
Montagem com Eleitores IA portal NE9

Os números do TSE mostram que o eleitorado brasileiro está passando por um processo de envelhecimento, e o Nordeste também participa desse movimento.

Em 2026, as pessoas com 60 anos ou mais representam uma parcela maior do eleitorado brasileiro do que em 2022. No país, essa faixa passou de 21,02% para 23,60% do eleitorado.

No Rio Grande do Norte, o fenômeno aparece de maneira ainda mais curiosa.

O estado possui 18.137 eleitores com 90 anos ou mais, segundo os dados utilizados na análise do NE9. Desse grupo, 1.484 têm 100 anos ou mais.

Ao mesmo tempo, o estado registra 37.243 eleitores de 16 e 17 anos, faixa em que o voto é facultativo.

Isso cria um contraste interessante entre os eleitores que estão chegando pela primeira vez às urnas e aqueles que atravessaram praticamente todo o século XX participando do processo eleitoral.

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Quem são os novos eleitores que ganharam espaço no cadastro?

O perfil do eleitorado também ficou mais detalhado.

Pela primeira vez, as estatísticas eleitorais permitem observar com maior precisão informações autodeclaradas sobre pertencimento indígena e quilombola.

No Nordeste, o número de eleitores indígenas passou de 35.440 em 2024 para 71.346 em 2026, mais que dobrando.

Entre os eleitores quilombolas, o crescimento foi de 51.633 para 95.901, alta de 85%. Com isso, o Nordeste reúne mais da metade do eleitorado quilombola brasileiro.

O TSE ressalta que esses dados precisam ser interpretados considerando a própria evolução do cadastro. As informações são autodeclaratórias e começaram a ser coletadas depois das Eleições Gerais de 2022. Portanto, o crescimento não representa necessariamente apenas aumento populacional: ele também reflete a qualificação e atualização do cadastro eleitoral.

Pernambuco aparece como destaque entre os estados nordestinos no crescimento absoluto do eleitorado indígena.

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Quantos candidatos disputam as eleições no Nordeste?

Se o eleitorado é gigantesco, a quantidade de candidatos também chama atenção.

Os nove estados nordestinos somam 5.299 candidaturas registradas para as Eleições 2026, de acordo com dados do Sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.

A Bahia aparece novamente na liderança, com 1.203 candidaturas.

Pernambuco vem em seguida, com 954, e Ceará registra 703.

EstadoCandidaturas
Bahia1.203
Pernambuco954
Ceará703
Maranhão602
Paraíba438
Sergipe402
Piauí394
Rio Grande do Norte324
Alagoas279
Total5.299

A distribuição também mostra diferenças entre os estados.

O Piauí, por exemplo, aparece com 21 candidatos ao Senado, enquanto Rio Grande do Norte tem 14 e Pernambuco, 12, de acordo com o levantamento do NE9.

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Quanto dinheiro vai circular nas campanhas?

O tamanho do eleitorado também ajuda a explicar o peso econômico das eleições.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) terá aproximadamente R$ 4,9 bilhões distribuídos aos partidos em 2026.

Os recursos não ficam restritos à estrutura partidária. Campanhas contratam empresas de comunicação, publicidade, audiovisual, transporte, eventos, hospedagem, alimentação, segurança, produção gráfica e outros serviços.

O NE9 já detalhou a distribuição dos recursos entre os partidos e os possíveis impactos econômicos do período eleitoral.

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O Nordeste decide sozinho uma eleição presidencial?

Essa é uma das afirmações que mais reaparecem durante os períodos eleitorais.

Mas a resposta exige cuidado.

O Nordeste tem um peso eleitoral enorme, mas não representa a maioria do eleitorado brasileiro. Seus 43,5 milhões de eleitores correspondem a 27,42% do país.

Isso significa que a região é fundamental, mas não pode ser analisada isoladamente. Além disso, os próprios dados municipais mostram um Nordeste extremamente heterogêneo.

Há capitais com centenas de milhares ou milhões de eleitores, cidades médias, pequenos municípios rurais, localidades com forte migração e municípios onde o eleitorado supera a população estimada.

Por isso, frases simplistas sobre “o voto nordestino” escondem mais do que explicam.

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O que os números revelam sobre o Nordeste em 2026?

Quando todos esses dados são colocados lado a lado, surge um retrato muito mais complexo do que o estereótipo de um eleitorado homogêneo.

O Nordeste tem:

  • 43,5 milhões de eleitores;
  • 27,42% do eleitorado brasileiro;
  • 1.793 municípios;
  • 5.299 candidaturas registradas;
  • 279 cidades com mais eleitores que habitantes estimados;
  • 95.901 eleitores quilombolas;
  • 71.346 eleitores indígenas;
  • grandes colégios eleitorais como a Bahia;
  • e o menor colégio eleitoral regional, Viçosa, no Rio Grande do Norte.

É justamente essa diversidade que faz do Nordeste uma das regiões mais importantes para entender as Eleições 2026.

Onde consultar todos os dados eleitorais do Nordeste?

O Tribunal Superior Eleitoral mantém uma plataforma oficial com estatísticas do eleitorado por região, estado e município, além de bases abertas que permitem cruzar informações eleitorais.

Para acompanhar candidaturas, partidos e contas eleitorais, o TSE também disponibiliza o DivulgaCandContas, com informações oficiais dos candidatos que solicitaram registro.

O NE9 também está reunindo os dados em uma série especial sobre o eleitorado e as Eleições 2026, permitindo consultar desde o número total de eleitores de cada estado até a quantidade registrada em cada município.

O Nordeste que vai às urnas não cabe em um único número

Os números das Eleições 2026 mostram um Nordeste muito maior e mais diverso do que qualquer ranking isolado consegue representar.

Assim, é uma região com quase 44 milhões de eleitores, mas também com cidades onde pouco menos de 2 mil pessoas estão aptas a votar. Tem municípios em que o eleitorado supera a população estimada, um contingente crescente de eleitores indígenas e quilombolas e milhões de pessoas acima dos 60 anos.

Ao mesmo tempo, milhares de candidatos disputam espaço em uma eleição que movimentará bilhões de reais e colocará novamente a região no centro da disputa nacional.

Por isso, entender o voto nordestino em 2026 exige olhar para o mapa inteiro — do maior colégio eleitoral à menor cidade, dos jovens aos centenários, das capitais aos pequenos municípios e dos grandes partidos às novas formas de representação.

Afinal, é esse mosaico que ajuda a explicar o verdadeiro peso do Nordeste nas eleições deste ano.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.