O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB) e da Secretaria de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana (Semdh), vai realizar entre os dias 21 a 25 de julho, no Quilombo Cruz da Menina, localizado município de Dona Inês, o 6º Festival da Cultura Quilombola.
Ainda em andamento, o edital de chamamento público, deve selecionar uma proposta de parceria com uma Organização da Sociedade Civil (OSC) para celebrar um termo de colaboração que deve preparar e estruturar o evento.
Anfitriões do festival, a Comunidade Quilombola Cruz da Menina foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 12 de março de 2008. Composta por cerca de 150 famílias, a comunidade é um exemplo significativo da resistência e da cultura afro-brasileira, tendo se formado a partir da fuga de escravizados que buscavam liberdade.
Fortalecimento das expressões culturais quilombolas
De acordo com a gerente de Articulação Cultural da Secult-PB, Érika Catarina, a realização do festival é uma contínua valorização, preservação e promoção da identidade cultural dos povos quilombolas do estado. “Esses povos representam uma parte essencial da diversidade étnica, histórica e social da Paraíba e contribuem significativamente para a construção da memória e das tradições culturais brasileiras. Então o festival é um espaço de visibilidade, resistência e fortalecimento das expressões culturais quilombolas, quando temos a música, a dança, o artesanato, a culinária, a oralidade e as práticas religiosas sendo valorizadas”, frisou a gestora.
Érika Catarina destaca ainda que o festival contribui para a educação antirracista, o combate ao preconceito e à discriminação racial, promovendo o reconhecimento dos direitos sociais, culturais e territoriais das comunidades quilombolas. “O festival é também um instrumento importante de sensibilização da sociedade e dos gestores públicos em relação à importância da proteção do patrimônio imaterial desses povos”.
Na oportunidade, diferentes comunidades quilombolas da Paraíba devem se reunir em torno do intercâmbio cultural, do fortalecimento das redes de pertencimento e da valorização do protagonismo dessas populações.
Programação prevista:
Dia 21 (terça-feira)
Masterclass de Gastronomia – Local: Cozinha Comunitária da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Oficina de Capoeira – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Dia 22 (quarta-feira)
Masterclass de Gastronomia – Local: Cozinha Comunitária da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Oficina de Capoeira – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Dia 23 (quinta-feira)
Oficina de Pife – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Oficina de Trança Nagô – Local: Escola Municipal Educador Paulo Freire – Quilombo Cruz da Menina – Horário: 15h às 17h
Dia 24 (sexta-feira)
Capacitação e Formação
Oficina de Artesanato – Local: Escola Municipal Educador Paulo Freire – Quilombo Cruz da Menina – 9h – Turma 1 e 14h – Turma 2
Oficina de Cerâmica – Local: Escola Municipal Educador Paulo Freire – Quilombo Cruz da Menina – – 9h – Turma 1 e 14h – Turma 2
Oficina de Pife – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina – Horário: 14h às 17h
Dia 25 (sábado)
8h – Café de Acolhida – Recepção das Caravanas Quilombolas – Local: Escola Municipal do Quilombo Cruz da Menina
9h – Abertura oficial da 6° Edição do Festival da Cultura Quilombola – Falas de autoridades e lideranças Quilombolas
9h30 – Painel “Arranjos Produtivos Quilombolas” Mediadoras: Empreendedoras do “Quilombo Cruz da Menina” – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina
11h – Desfile de Moda Quilombola – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina
12h – Almoço com Forró Pé de Serra – Local: Escola Municipal do Quilombo Cruz da Menina – Local: Cozinha Comunitária da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina
13h às 17h – Apresentações Culturais – Local: Ginásio da Associação da Comunidade dos Remanescentes de Quilombo Cruz da Menina
17h – Cortejo Cultural – Local: Monumento da “Cruz da Menina”
18h – Encerramento
Saiba mais – Comunidade Quilombola Cruz da Menina
Originalmente chamada de Tapuio, a região mudou de nome em 1956, em memória de Dulce, uma criança que chegou à localidade com seus pais em busca de ajuda durante um período de escassez, pediu alimento a um fazendeiro, mas teve seu pedido negado. Infelizmente, a criança faleceu de fome e sede. No local onde foi encontrada, surgiu um olho d’água, o que os moradores interpretaram como um milagre. O fazendeiro, que negou a ajuda, deu a mortalha para o pai de Dulce, e no dia seguinte, a mortalha apareceu na porta da fazenda, o que fez com que o local se tornasse um ponto de peregrinação. Simbolizando a luta e as dificuldades enfrentadas pela comunidade. A história de Dulce, a menina que não recebeu ajuda de um fazendeiro, é centrada na identidade quilombola, fortalecendo o sentimento de pertencimento e resistência. Dona Inês está situada no brejo paraibano, a 153 km de João Pessoa, e limita-se com vários municípios, incluindo Bananeiras e Solânea. O quilombo, vinculado ao Bairro Tapuio da zona urbana, enfrenta desafios relacionados ao reconhecimento de seus direitos territoriais e à busca por melhorias em infraestrutura e serviços básicos.
Os quilombolas de Cruz da Menina preservam diversas tradições culturais, como danças, músicas e festas que refletem sua herança africana. Entre as principais festividades estão: Queima de Flores (31 de maio): Uma celebração religiosa em que as famílias rezam o terço e queimam flores em uma fogueira; Boi de Rezo: Uma festividade sem data específica, que tem sido realizada esporadicamente; Romaria (1º de novembro): Uma celebração em homenagem a um milagre, onde peregrinos visitam a capela construída em memória da menina que faleceu; Festa da Consciência Negra (20 de novembro): Celebrada após o reconhecimento da comunidade como quilombola e Forró de Sanfona e Zabumba: Comemorações típicas em casamentos.
O manuseio do barro, que inclui a produção de utensílios domésticos, também é uma prática importante da cultura local. Apesar do reconhecimento como quilombo, a comunidade ainda busca a titulação de suas terras, enfrentando a insegurança fundiária e a luta por direitos. O movimento quilombola tem se fortalecido, promovendo a valorização cultural e a preservação de seu território, sendo essencial para garantir a identidade e dignidade dos membros da comunidade. O Quilombo Cruz da Menina não é apenas um espaço geográfico, mas um símbolo de resistência, cultura e luta por justiça social e reconhecimento.

