Levantamento da Agência Tatu cruzou dados do TSE e do IBGE e encontrou casos curiosos na região
Um dado curioso das Eleições 2026 chama atenção no Nordeste: 279 municípios da região têm mais eleitores registrados do que habitantes estimados.
O número faz parte de um levantamento da Agência Tatu, que cruzou os dados do eleitorado de 2026, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com as estimativas populacionais de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A princípio, o fenômeno não significa, por si só, que exista fraude eleitoral. A cientista política Luciana Santana, ouvida pela Agência Tatu, explica que a diferença pode estar relacionada a movimentos migratórios, transformações demográficas e aos vínculos eleitorais mantidos pelas pessoas com seus municípios de origem.

Piauí concentra o maior número de casos
Entre os estados nordestinos, o Piauí lidera. São 76 municípios nessa situação, o equivalente a aproximadamente um terço das cidades piauienses.
A Paraíba aparece logo depois, com 65 municípios, seguida pelo Rio Grande do Norte, com 51. Na sequência, Bahia, Ceará e Alagoas têm 23, 14 e 15 municípios, respectivamente, enquanto Pernambuco possui nove municípios e Fernando de Noronha nessa condição.
| Estado | Municípios com mais eleitores que habitantes |
|---|---|
| Piauí | 76 |
| Paraíba | 65 |
| Rio Grande do Norte | 51 |
| Bahia | 23 |
| Alagoas | 15 |
| Ceará | 14 |
| Sergipe | 14 |
| Maranhão | 11 |
| Pernambuco* | 10 |
*Nove municípios e o distrito estadual de Fernando de Noronha.
Alguns números impressionam
Em Tibau, no Rio Grande do Norte, por exemplo, são cerca de 9,2 mil eleitores para uma população estimada em 5,7 mil habitantes. A diferença chega a aproximadamente 61%.
Na Paraíba, São José do Brejo do Cruz apresenta a maior diferença proporcional do Nordeste: são 2.620 eleitores para 1.750 habitantes, uma diferença de 50%.
Já no Piauí, Novo Santo Antônio tem 4.767 eleitores e população estimada em 2.888 pessoas, uma diferença de aproximadamente 65%.
Por que isso acontece?
A explicação não está necessariamente em pessoas que vivem permanentemente nesses municípios.
Muitos brasileiros mantêm vínculos eleitorais com suas cidades de origem mesmo depois de se mudarem. Em municípios pequenos, esse movimento pode produzir uma diferença significativa entre a população residente e o número de eleitores registrados.
A especialista também chama atenção para o peso político desse fenômeno. Em cidades pequenas, uma quantidade relativamente reduzida de votos pode decidir uma eleição, fazendo com que os vínculos familiares e locais tenham importância ainda maior.
Dessa maneira, o próprio levantamento, portanto, não trata os números como prova de irregularidade, mas como um fenômeno demográfico e eleitoral que merece acompanhamento.
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O Nordeste concentra 38% dos casos do Brasil
O fenômeno não é exclusivamente nordestino.
Em todo o Brasil, a Agência Tatu identificou 733 municípios onde o eleitorado supera a população estimada. O Nordeste concentra 279 deles, cerca de 38% do total nacional.
Portanto, a região possui atualmente 43,5 milhões de eleitores, diante de uma população estimada em aproximadamente 57,2 milhões de habitantes. O eleitorado nordestino representa cerca de 27,4% dos eleitores brasileiros, segundo o TSE.
Afinal, é justamente por isso que os números ganham relevância nas Eleições 2026: além de concentrar quase 44 milhões de eleitores, o Nordeste apresenta uma característica peculiar em centenas de municípios, onde o tamanho do eleitorado registrado supera o número de moradores estimados.


