Novo Captiva PHEV será o terceiro modelo eletrificado da Chevrolet montado no Ceará em menos de um ano e amplia o papel de Horizonte na estratégia da montadora
A General Motors prepara para novembro de 2026 a chegada do Chevrolet Captiva PHEV, versão híbrida plug-in que será o terceiro modelo eletrificado da marca com montagem no Brasil em menos de um ano. A princípio, o anúncio coloca novamente o Ceará no centro da estratégia de eletrificação da GM.
A novidade foi confirmada pelo presidente da General Motors para a América do Sul, Thomas Owsianski, em entrevista ao jornal Valor Econômico. O novo Captiva será montado na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte, onde a Chevrolet já produz o Spark EUV e o Captiva EV.
Com isso, a unidade cearense passa a concentrar três modelos eletrificados em uma operação que começou há menos de um ano.
Ceará ganha um terceiro modelo eletrificado
A sequência mostra a velocidade da expansão.
O Spark EUV, primeiro modelo elétrico da Chevrolet montado na PACE, iniciou a produção em dezembro de 2025. Em junho de 2026, a unidade acrescentou o Captiva EV, também totalmente elétrico.
Agora, a GM prepara o Captiva PHEV, que utiliza um sistema híbrido plug-in, combinando motor a combustão com propulsão elétrica e permitindo recarga externa da bateria.
| Modelo | Tecnologia | Situação na PACE |
|---|---|---|
| Spark EUV | 100% elétrico | Produção desde dezembro de 2025 |
| Captiva EV | 100% elétrico | Produção desde junho de 2026 |
| Captiva PHEV | Híbrido plug-in | Produção prevista para novembro de 2026 |
A chegada do terceiro modelo amplia a importância da PACE dentro da estratégia brasileira de eletrificação da GM.
Por que isso é importante para o Ceará?
A escolha de Horizonte permite que a GM avance na eletrificação utilizando uma estrutura industrial já existente, sem começar pela construção de uma nova fábrica dedicada exclusivamente aos veículos elétricos.
A PACE ocupa as antigas instalações da Troller e funciona como uma planta automotiva multimarcas. A estrutura recebeu mais de R$ 900 milhões em investimentos privados na primeira fase e pode ampliar sua capacidade conforme novos projetos chegam.
Assim, a estratégia também permite desenvolver mão de obra local e criar competências relacionadas à montagem e manutenção de veículos eletrificados.
Além disso, a unidade pode se transformar em uma plataforma para novos modelos no futuro.
Carros têm tecnologia ligada à China
Existe outro aspecto importante nessa operação.
Os modelos eletrificados que chegam à PACE utilizam plataformas e componentes desenvolvidos dentro da cadeia global da indústria automotiva, especialmente na China.
O Spark EUV, por exemplo, chega ao Ceará em sistema de montagem de kits. A operação brasileira acrescenta etapas industriais ao veículo antes de sua distribuição no mercado nacional.
A lógica, portanto, funciona de maneira simplificada:
China → kits e componentes → Horizonte → montagem → mercado brasileiro
Sendo assim, esse modelo permite à GM começar a produzir veículos eletrificados no Brasil com maior velocidade enquanto desenvolve gradualmente fornecedores, mão de obra e processos locais.
Mercado brasileiro de elétricos cresce
A estratégia também acompanha o avanço dos veículos eletrificados no país.
Segundo dados divulgados pela própria GM, o mercado brasileiro de veículos elétricos saiu de aproximadamente mil unidades emplacadas em 2020 para cerca de 50 mil apenas nos quatro primeiros meses de 2026.
O Spark EUV também ganhou espaço rapidamente. Em abril, o modelo superou mil unidades emplacadas no mês e chegou à liderança entre os SUVs elétricos naquele período.
Assim, a GM encontrou no Ceará uma forma de ampliar sua participação em um segmento que cresce rapidamente no Brasil.

PACE pode chegar a 50 mil carros por ano
O plano para Horizonte também vai além dos três modelos.
A PACE prevê uma futura expansão capaz de elevar sua capacidade produtiva para até 50 mil veículos por ano. A ampliação também pode aumentar a demanda por trabalhadores, fornecedores e serviços ligados à indústria automotiva.
Entretanto, esse movimento interessa diretamente ao Ceará porque cria uma cadeia industrial em torno de novas tecnologias.
Além da montagem, a expansão pode estimular atividades de logística, manutenção, componentes, eletrônica e qualificação profissional.

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Nordeste entra na nova indústria automotiva

Portanto, o caso de Horizonte representa uma mudança importante para a indústria nordestina.
Contudo, a região já ganhou espaço na produção de energia renovável e agora começa a atrair investimentos relacionados às tecnologias que utilizarão essa eletricidade.
Afinal, no Ceará, a combinação entre energia renovável, infraestrutura industrial, Porto do Pecém e novos investimentos tecnológicos cria um ambiente favorável para projetos que dependem de eletrificação e baixo carbono.
A PACE acrescenta a esse cenário uma indústria tradicional em transformação: a fabricação de automóveis. Por isso, a chegada do terceiro modelo eletrificado não representa apenas mais um carro na linha de montagem.
Ela mostra que uma antiga fábrica localizada no interior do Ceará pode se transformar em uma das portas de entrada da nova geração de veículos da GM no Brasil.


