Pesquisa da dunnhumby mostra que preço, promoções e sortimento representam 63% do peso na escolha dos consumidores; redes regionais também ganham espaço ao adaptar produtos e experiência aos hábitos locais
O consumidor do Nordeste está deixando cada vez mais claro o que espera do supermercado: preço competitivo, variedade de produtos e praticidade. Ao mesmo tempo em que os grandes formatos de atacarejo ganham força pela economia no abastecimento das famílias, redes regionais conseguem disputar espaço ao oferecer produtos e experiências mais próximos dos hábitos locais.
É o que mostra o recorte regional da 5ª edição do Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) 2026, estudo realizado pela dunnhumby, empresa especializada em ciência de dados e comportamento do consumidor.
Entre as marcas com presença física no Nordeste, Assaí aparece na primeira posição, seguido pelo Supermercado Nordestão, Atacadão, Mateus e Atakadão/Atakarejo.
Já no ambiente digital, o Mercado Livre aparece como líder no recorte apresentado pelo estudo.
As marcas preferidas no Nordeste

Quando são considerados apenas os varejistas com presença física, deixando de fora as plataformas exclusivamente digitais, o levantamento apresenta o seguinte grupo:
| Posição | Rede | Perfil de destaque |
|---|---|---|
| 1º | Assaí | Atacarejo e foco em preço |
| 2º | Supermercado Nordestão | Rede regional e sortimento local |
| 3º | Atacadão | Atacarejo e abastecimento |
| 4º | Mateus | Forte presença regional |
| 5º | Atakadão/Atakarejo | Atacarejo e atuação regional |
O resultado revela uma característica importante do mercado nordestino: o consumidor não escolhe apenas entre grandes redes nacionais.
Enquanto Assaí e Atacadão utilizam a escala para disputar pelo preço, redes regionais como Nordestão, Mateus e Atakarejo exploram conhecimento do mercado local e proximidade com os consumidores.
“O Nordeste apresenta um cenário competitivo fascinante, que ilustra bem a busca do brasileiro pela geração de valor”, afirma Alessandra Shima, diretora de Desenvolvimento de Negócios da dunnhumby.
Segundo a executiva, o atacarejo atende à busca por economia e abastecimento, enquanto as redes regionais conseguem criar vínculo com o consumidor por meio de um sortimento adaptado à realidade local.
Preço ainda é o principal fator
A pesquisa mostra que a disputa pelo consumidor começa pelo bolso.
Na metodologia utilizada pela dunnhumby, o pilar de preço, promoções e recompensas representa 35% do peso do modelo de preferência.
O segundo fator mais importante é o sortimento, responsável por 28%.
Somados, os dois critérios representam 63% da preferência do consumidor.
O que isso significa na prática?
Para o supermercado, não basta simplesmente anunciar preços baixos.
O consumidor também espera encontrar os produtos que procura, nas quantidades necessárias e com disponibilidade nas prateleiras.
Por isso, a combinação entre preço competitivo e variedade se tornou um dos principais campos de disputa entre os supermercados nordestinos.
Atacarejo ganhou espaço no Nordeste
O resultado ajuda a explicar a força que o modelo de atacarejo conquistou na região.
O formato combina características de supermercado e atacado e permite que consumidores comprem tanto para o consumo doméstico quanto em volumes maiores.
Para famílias que precisam controlar o orçamento, a possibilidade de encontrar preços competitivos em itens básicos pode pesar bastante na escolha do estabelecimento.
O modelo também atende pequenos comerciantes, restaurantes e outros negócios que utilizam o supermercado como ponto de abastecimento.
Redes regionais entram no jogo com conhecimento local
Mas o levantamento mostra que preço não explica sozinho a preferência.
O segundo lugar do Nordestão e a presença de Mateus e Atakarejo entre as cinco marcas mais lembradas indicam a força das empresas que conhecem os hábitos de consumo de seus mercados.
Esse conhecimento pode aparecer na escolha dos produtos, na disposição das lojas, nas promoções e até na comunicação utilizada com os consumidores.
No Nordeste, isso ganha importância porque os hábitos alimentares e de consumo apresentam diferenças significativas entre estados e cidades.
Produtos tradicionais, marcas locais e categorias específicas podem ter uma relevância maior do que em outras regiões do país.
E o consumidor digital?
A pesquisa também mostra que a jornada de compra não termina na loja física. No ambiente digital, o Mercado Livre aparece como líder no recorte apresentado pela pesquisa.
Isso acrescenta outra dimensão à competição: além de preço e variedade, o consumidor passa a considerar conveniência, facilidade de compra, disponibilidade e entrega.
Assim, o varejo alimentar convive com dois movimentos simultâneos: lojas físicas disputando pela melhor relação entre preço e sortimento e plataformas digitais oferecendo praticidade ao consumidor.

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Pesquisa ouviu mais de 10 mil consumidores
A edição 2026 do Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) ouviu mais de 10 mil compradores brasileiros entre fevereiro e abril deste ano.
O estudo avaliou 46 varejistas e integra uma metodologia aplicada em sete países.
A pesquisa procura medir a percepção dos consumidores sobre valor no varejo alimentar, considerando fatores relacionados à experiência de compra, preço, sortimento e outros elementos que influenciam a preferência.
No recorte brasileiro, a amostra considera consumidores de diferentes regiões e perfis de renda.
O que o ranking revela sobre o Nordeste?
Mais do que apontar quais marcas aparecem nas primeiras posições, o levantamento ajuda a entender como o consumidor nordestino está escolhendo onde comprar.
Afinal, o cenário combina três forças: economia, identidade regional e conveniência digital.
O Atacarejo ganha espaço quando o consumidor prioriza preço e abastecimento. As redes regionais encontram oportunidades ao conhecer melhor os hábitos locais. E as plataformas digitais avançam ao oferecer praticidade.
No fim, a disputa acontece em torno de uma equação simples: o consumidor quer pagar menos, encontrar o que procura e comprar com o mínimo de dificuldade possível.


