Em tempos de polarização e descrença na política, uma notícia vinda do Rio Grande do Norte nos faz respirar aliviados e acreditar novamente no poder da democracia. Enquanto muitos jovens ainda hesitam em tirar o título de eleitor, um exército de eleitores com mais de 90 anos está pronto para mostrar que a vontade de participar da construção do futuro não tem idade.
Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições 2026 revelam um fenômeno impressionante no estado potiguar: para cada jovem de 16 ou 17 anos com título na mão, existem quase 16 eleitores com mais de 60 anos prontos para ir às urnas. É uma verdadeira lição de cidadania que merece ser celebrada.
Um exército de eleitores com experiência e sabedoria
O Rio Grande do Norte conta atualmente com 1.484 eleitores centenários — pessoas que atravessaram um século de história, testemunharam transformações profundas no país e ainda assim mantêm viva a chama da participação política. Mas os números vão além:
- 16.653 eleitores na faixa entre 90 e 99 anos
- 18.137 idosos com 90 anos ou mais aptos a votar
- 596.621 eleitores com 60 anos ou mais, representando cerca de 22% de todo o eleitorado potiguar
Esses números não são apenas estatísticas. São histórias de vida, de superação, de amor ao Brasil. São avôs e avós que, mesmo com o voto facultativo a partir dos 70 anos, fazem questão de comparecer às seções eleitorais, muitas vezes com seus títulos de eleitor em mãos, exibidos com orgulho.

O crescimento do eleitorado potiguar
O entusiasmo dos idosos pelo voto não é isolado. O eleitorado total do Rio Grande do Norte também está em expansão. Em outubro de 2026, o estado terá 2.660.565 eleitores, um salto de 4,1% em comparação com as eleições de 2022. Esse crescimento supera com folga a média nacional, que ficou em 1,46%.
Esse dado revela um engajamento cívico que vai além das tendências nacionais. Enquanto em muitos lugares a política afasta as pessoas, no Rio Grande do Norte parece atrair cada vez mais cidadãos dispostos a exercer seu direito de escolha.
A juventude também está presente, mas…
Os jovens de 16 e 17 anos também fazem parte dessa festa democrática: são 37.243 votantes facultativos prontos para dar seus primeiros passos na vida política. É um número expressivo e que merece ser valorizado.
No entanto, a comparação é reveladora: para cada jovem estreante nas urnas, há quase 16 cidadãos com mais de 60 anos. Isso significa que, nas Eleições 2026, a voz da experiência terá um peso gigantesco na definição dos rumos do estado.
Por que isso importa?
A participação maciça dos idosos no processo eleitoral é um sinal de saúde democrática. Ela mostra que:
- A cidadania é um valor que se perpetua: mesmo após décadas de vida, esses eleitores seguem acreditando no poder do voto como ferramenta de transformação.
- As pautas da terceira idade ganham relevância: com 22% do eleitorado, os idosos se tornam um grupo decisivo, obrigando candidatos a prestarem atenção em temas como saúde, previdência, acessibilidade e qualidade de vida.
- É um antídoto contra o descrédito: ver centenários indo votar inspira jovens e adultos a não desistirem da política.
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Uma lição para o Brasil
O Rio Grande do Norte dá um exemplo que deveria ecoar em todo o país. Em uma época em que o voto muitas vezes é uma obrigação ou fardo, os idosos potiguares nos lembram que votar é um privilégio.
Ao entrar na cabine de votação, cada centenário carrega consigo a memória de um Brasil que mudou — e a esperança de um Brasil que ainda pode melhorar. E essa é, sem dúvida, a mais bela lição de cidadania que alguém poderia dar.


