A Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde, na Bahia, ampliou a capacidade de tratamento e produção de diesel e passou a operar com potencial de 13,7 mil metros cúbicos por dia. A mudança ganhou autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e consolida uma expansão que a Acelen vinha preparando desde o início de 2026.
A princípio, a ampliação acontece em um momento de atenção ao mercado brasileiro de combustíveis. O país ainda depende de importações para complementar a oferta de diesel e, ao mesmo tempo, o preço do produto vem pressionando consumidores e empresas.
Além disso, a movimentação em Mataripe vai muito além do diesel convencional. A Acelen prepara uma biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia, com produção prevista de diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2029.
Acelen amplia capacidade de diesel em Mataripe
Em fevereiro, a Acelen informou que elevaria a capacidade de produção de diesel da refinaria de 12,4 mil para 13,7 mil m³ por dia, aumento de aproximadamente 10,5%.
Para alcançar esse nível, a empresa investiu em equipamentos e melhorias na unidade de diesel, incluindo novos trocadores de calor, válvulas e intervenções nos reatores. A companhia incluiu essa expansão entre os principais investimentos planejados para 2026.
A autorização regulatória, por sua vez, considera uma base anterior de 11 mil m³/dia. Por essa referência, o salto para 13,7 mil m³/dia representa uma expansão de aproximadamente 25%.
O que mudou em Mataripe
| Indicador | Capacidade |
|---|---|
| Capacidade anterior considerada na autorização | 11 mil m³/dia |
| Nova capacidade autorizada | 13,7 mil m³/dia |
| Aumento sobre essa base | 25% |
| Capacidade informada pela Acelen no início do projeto | 12,4 mil m³/dia |
| Aumento sobre a capacidade operacional então informada | 10,5% |
A diferença entre os percentuais ocorre, portanto, por causa da base de comparação utilizada. Para o consumidor, o dado mais importante é que a refinaria passou a ter autorização para trabalhar com capacidade de até 13,7 mil m³ de diesel por dia.
Mataripe é estratégica para o Nordeste
A expansão ganha importância porque Mataripe ocupa uma posição estratégica no sistema de abastecimento da região.
Localizada em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, a refinaria é a segunda maior do país em capacidade de processamento. A Acelen assumiu a operação do complexo após a venda da antiga Refinaria Landulpho Alves pela Petrobras, em 2021.
Além disso, a unidade possui capacidade de processamento de aproximadamente 60 mil m³ de petróleo por dia, o que permite produzir diferentes derivados destinados ao mercado brasileiro.
Assim, o aumento da produção de diesel não representa apenas uma expansão industrial dentro da Bahia. Ele amplia a capacidade de uma das principais estruturas de refino do Nordeste.
Brasil ainda depende de diesel importado
A expansão também ocorre em um mercado no qual a produção nacional não cobre integralmente a demanda.
Dados citados pela Reuters no início do ano apontavam que o Brasil importou aproximadamente 29% do diesel consumido em 2025, segundo estimativa da StoneX.
Esse cenário ajuda a explicar por que o aumento da capacidade de refino ganha importância.
Quanto maior a produção doméstica, maior a possibilidade de complementar o abastecimento nacional com produto refinado no país. No entanto, isso não significa que o Brasil deixará de importar diesel.
A necessidade de importação continuará dependendo da demanda, da produção das refinarias, das condições do mercado internacional e da competitividade do produto importado.
Diesel S10 chega a R$ 7,13 por litro
O momento também chama atenção pelo preço do combustível.
Na semana de 13 a 19 de setembro, o preço médio nacional do diesel S10 chegou a R$ 7,13 por litro, segundo dados apresentados pela Secretaria Nacional do Consumidor com base no levantamento da ANP. O valor representou aumento de 2,3% em apenas uma semana, ou R$ 0,16 por litro.
A Bahia estava entre os estados que registraram algumas das maiores variações no período.
Por isso, a expansão de Mataripe acontece justamente quando o mercado acompanha com atenção os custos de abastecimento.
Importante: mais produção não significa queda automática no preço
Apesar do aumento da capacidade, não é possível afirmar que o diesel ficará mais barato nos postos apenas por causa da expansão de Mataripe. O preço final também depende de fatores como:
- preço internacional do petróleo;
- câmbio;
- tributos;
- custos de transporte;
- margens de distribuição;
- margens de revenda;
- oferta e demanda;
- preço dos produtos importados.
Portanto, a expansão aumenta a capacidade potencial de oferta, mas não determina sozinha o preço pago pelo consumidor.
Acelen prevê R$ 736 milhões em investimentos em 2026
A ampliação do diesel faz parte de um programa maior de investimentos da Acelen.
Em fevereiro, a empresa informou que previa investir aproximadamente R$ 736 milhões em 2026, com parte dos recursos direcionada justamente para a ampliação da produção de diesel em Mataripe.
A estratégia inclui melhorias de eficiência e capacidade da refinaria.
Dessa forma, a empresa busca aumentar a utilização da estrutura existente sem depender exclusivamente da construção de uma nova refinaria.
Próximo passo é uma biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão
Enquanto amplia a produção de derivados tradicionais, a Acelen também prepara uma nova frente de negócios na Bahia.
A Acelen Renováveis anunciou em maio um investimento de US$ 1,5 bilhão para a construção de uma biorrefinaria integrada ao complexo de Mataripe, em São Francisco do Conde.
A unidade deverá produzir até 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano, incluindo SAF, combustível sustentável de aviação, e HVO, conhecido como diesel renovável.
A previsão da empresa aponta para o início da operação em 2029.
O projeto faz parte de uma primeira unidade integrada cujo investimento total deve superar US$ 3 bilhões, considerando também o desenvolvimento da cadeia agroindustrial.
Dois tipos de diesel no horizonte
A estratégia cria uma situação interessante para a Bahia.
| Projeto | Combustível | Escala | Previsão |
|---|---|---|---|
| Refinaria de Mataripe | Diesel de petróleo | 13,7 mil m³/dia de capacidade informada | Operação atual |
| Biorrefinaria | Diesel renovável (HVO) | Parte de até 1 bilhão de litros/ano de combustíveis renováveis | 2029 |
Assim, a região amplia simultaneamente a capacidade de produção de combustíveis convencionais e prepara uma nova estrutura para combustíveis de menor intensidade de carbono.
Biorrefinaria pode gerar milhares de empregos durante as obras
A construção da nova unidade também deve movimentar o mercado de trabalho regional.
Dessa maneira, a Acelen estima a geração de aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos no pico das obras da biorrefinaria.
Além disso, o projeto cria demanda potencial por profissionais ligados à engenharia, construção industrial, automação, manutenção, logística, química, energia e tecnologia.
Depois da construção, a cadeia agroindustrial também poderá gerar novas oportunidades relacionadas ao cultivo e processamento da macaúba.

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O que a expansão significa para o Nordeste?
Portanto, o aumento da capacidade de diesel fortalece a infraestrutura de refino da Bahia e amplia a capacidade regional de produção de combustíveis.
Além disso, a estratégia coloca Mataripe no centro de duas transformações ao mesmo tempo.
De um lado, a refinaria aumenta a capacidade de produzir diesel convencional em um mercado que ainda depende de importações. De outro, a empresa prepara uma biorrefinaria de bilhões de dólares voltada para SAF e diesel renovável.
Por isso, o movimento da Acelen ultrapassa a produção de alguns milhares de metros cúbicos adicionais por dia.
A Bahia está ampliando a capacidade de refino tradicional enquanto constrói uma nova plataforma industrial para combustíveis renováveis.
Esse movimento coloca São Francisco do Conde e o Recôncavo Baiano no centro de uma transformação importante da indústria de energia no Nordeste.


