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Recife testa tecnologia que dá recompensas para quem anda a pé ou de bicicleta

Recife testa tecnologia que usa GPS para transformar caminhadas e pedaladas em créditos que podem ser trocados por recompensas.
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de setembro de 2026 - às 07:34
Atualizado 11 de setembro de 2026 - às 07:34
5 min de leitura
programa em Recife ai dá credito na mobilidade urbana imagem IA NE9
programa em Recife ai dá credito na mobilidade urbana imagem IA NE9

Projeto da Prefeitura usa GPS para validar deslocamentos pela cidade e transforma trajetos de mobilidade ativa em créditos que podem virar benefícios

Andar a pé ou pedalar pelo Recife pode render mais do que uma mudança na rotina. A Prefeitura do Recife começou a testar uma tecnologia que transforma deslocamentos realizados a pé ou de bicicleta em créditos que podem ser trocados por recompensas.

O projeto “Mova-se pelo Futuro” utiliza GPS para registrar e validar os trajetos e funciona integrado ao Conecta Recife, sem exigir que o participante instale um novo aplicativo.

A iniciativa reúne a Empresa Municipal de Informática (Emprel), a Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI) e a empresa Bion Global Biocredits Ltda., responsável pela solução.

homem em biclicleta em ciclovia
Ciclo Via Recife foto Josenildo Gomes – PCR (1)

Como funciona o programa?

O participante precisa registrar o deslocamento pela plataforma e realizar um trecho por vez, com origem e destino definidos.

Por exemplo, uma pessoa pode registrar o percurso de casa até o trabalho ou da residência até uma escola, comércio ou serviço público.

Depois da validação do trajeto, a plataforma concede Créditos H3RO, que ficam disponíveis para acumulação e posterior troca por benefícios no marketplace do programa.

A solução utiliza GPS para identificar e validar o deslocamento e conta ainda com o sistema BionChain para registrar as transações.

Não é qualquer caminhada que vale crédito

Esse é um dos pontos mais importantes do projeto.

O “Mova-se pelo Futuro” considera apenas trajetos realizados com finalidade de transporte e mobilidade urbana.

Portanto, uma caminhada até o trabalho pode gerar créditos, assim como uma pedalada até a escola, um comércio ou um serviço público.

Por outro lado, caminhadas realizadas principalmente como exercício físico, treinamento esportivo, lazer ou recreação não entram na contabilização, mesmo que a pessoa esteja a pé ou utilizando uma bicicleta.

A regra procura diferenciar o deslocamento cotidiano da atividade física.

Bicicleta elétrica também entra

O programa permite registrar deslocamentos realizados com bicicletas elétricas com assistência de pedal, desde que o equipamento esteja enquadrado como veículo de mobilidade ativa de acordo com a legislação de trânsito.

A Prefeitura também prevê a possibilidade de incluir outras formas de transporte sustentável em futuras etapas do projeto.

Assim, a tecnologia pode funcionar como uma espécie de sistema de incentivo para estimular diferentes alternativas ao transporte motorizado.

Onde trocar os créditos?

Depois que o sistema valida o percurso, os Créditos H3RO ficam disponíveis para acumulação.

O participante pode consultar as opções de benefícios e recompensas na “lojinha” do projeto, dentro da plataforma.

A proposta cria uma relação direta entre comportamento e benefício: quanto mais deslocamentos elegíveis o usuário realizar e validar, maior será seu saldo de créditos para utilizar no marketplace.

Projeto será testado durante um ano

O “Mova-se pelo Futuro” integra o Conecta Labs, ambiente criado para testar tecnologias em situações reais da cidade.

A solução entrou no programa por meio do Edital de Chamamento nº 003/2024 do EITA Labs.

A experimentação terá duração de um ano. Durante esse período, a Prefeitura pretende avaliar o funcionamento da tecnologia, o interesse dos usuários e a capacidade da solução de contribuir para políticas de mobilidade ativa e sustentável.

O caráter de teste também significa que o projeto ainda está em fase de experimentação. Portanto, a iniciativa poderá passar por ajustes conforme os resultados obtidos com os usuários.

Recife aposta em tecnologia para mudar hábitos

Além da recompensa, o projeto busca estimular uma mudança no comportamento de deslocamento dentro da cidade.

Ao incentivar caminhadas e o uso da bicicleta para trajetos cotidianos, a iniciativa pode contribuir para reduzir a dependência de veículos motorizados e as emissões de carbono, além de fortalecer uma cultura de mobilidade sustentável.

Para a Emprel, integrar a solução ao Conecta Recife facilita o acesso da população à tecnologia e permite testar a ferramenta em um ambiente real.

O secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha, também destaca o papel do EITA Labs como uma ponte entre inovação e gestão pública.

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Uma ideia que pode crescer

O teste em Recife acompanha uma tendência de cidades que procuram usar tecnologia para incentivar comportamentos considerados positivos para a mobilidade urbana.

A diferença do projeto recifense está no mecanismo de recompensa. Em vez de apenas informar ou incentivar o cidadão a caminhar e pedalar, a plataforma registra o deslocamento, valida o percurso e transforma a ação em créditos.

Agora, os próximos meses servirão para mostrar se a estratégia consegue transformar a tecnologia em hábito.

Se o modelo funcionar, Recife poderá ter uma nova ferramenta para estimular deslocamentos mais sustentáveis e, ao mesmo tempo, gerar dados sobre como a população utiliza diferentes formas de mobilidade pela cidade.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.