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Transnordestina avança no Ceará e terá mais 70 km entregues até o fim de 2026

Novo trecho de 50 km liga Quixeramobim a Quixadá; ferrovia já tem 832 km executados e primeira fase deve ser concluída em 2027 A Ferrovia Transnordestina avançou mais uma etapa no Ceará. Nesta segunda-feira (21), ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
22 de setembro de 2026 - às 07:12
Atualizado 22 de setembro de 2026 - às 07:12
5 min de leitura

Novo trecho de 50 km liga Quixeramobim a Quixadá; ferrovia já tem 832 km executados e primeira fase deve ser concluída em 2027

A Ferrovia Transnordestina avançou mais uma etapa no Ceará. Nesta segunda-feira (21), a obra entregou o lote 6, com 50 quilômetros de trilhos entre Quixeramobim e Quixadá, no Sertão Central.

Com a conclusão, a primeira fase da ferrovia chegou a 832 quilômetros executados de um total de 1.053 km, o equivalente a 84% de avanço físico. A princípio, a Transnordestina tem mais 221 quilômetros em obras, com previsão de conclusão dessa etapa até o fim de 2027.

Além disso, a empresa responsável pela ferrovia prevê entregar mais 70 quilômetros ainda em 2026, acelerando a aproximação do projeto com o Porto do Pecém.

Mais 70 km estão previstos para 2026

trem passando
Ferrovia Transnordestina tem 1.207 quilômetros de extensão atravessa três estados do Nordeste Foto TLSA Divulgação

Depois do lote 6, a Transnordestina concentra esforços em dois outros trechos.

TrechoLoteExtensão prevista
Quixeramobim – Quixadá650 km entregues
Quixadá – Itapiúna7cerca de 50 km
Caucaia – Porto do Pecém1123 km
Próximas entregas70 km adicionais

A meta anunciada pela Transnordestina Logística é entregar 120 quilômetros em 2026, somando os 50 quilômetros do lote 6 aos trechos dos lotes 7 e 11. A empresa pretende avançar simultaneamente a partir do Sertão Central e do Pecém para acelerar o encontro das frentes de obra.

Ferrovia vai ligar Piauí ao Porto do Pecém

A primeira fase da Transnordestina forma um corredor ferroviário entre São Miguel do Fidalgo, no Piauí, e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.

Na prática, a ferrovia pretende criar uma nova rota para transportar cargas produzidas no interior do Nordeste até o litoral cearense.

O projeto passa por diferentes regiões do Ceará antes de alcançar o Pecém. Dessa maneira, a infraestrutura poderá atender setores como agricultura, mineração e indústria.

O Governo Federal estima investimento de aproximadamente R$ 15 bilhões no empreendimento. Até março de 2026, cerca de R$ 9,8 bilhões já haviam sido aplicados, segundo o Ministério dos Transportes.

Quixadá pode ganhar novo polo logístico

A chegada dos trilhos também começa a mudar os planos de infraestrutura de Quixadá.

O município prepara um terminal logístico em uma área pública de 90 hectares. Segundo a prefeitura, a linha já foi desviada para permitir a implantação do terminal.

A ideia é utilizar a estrutura para armazenar e movimentar cargas e, posteriormente, atrair empresas para uma área industrial próxima.

Assim, a ferrovia pode produzir um efeito que vai além do transporte: a criação de novos pontos de logística pode estimular a instalação de indústrias próximas aos trilhos.

Trecho poderá entrar em operação comercial

A entrega da obra não significa que todos os quilômetros já estejam transportando cargas.

Atualmente, a Transnordestina opera parcialmente entre Bela Vista do Piauí e Iguatu. Agora, a empresa solicitou ao Ibama a inclusão de mais 150 quilômetros na licença de operação.

Se a autorização ambiental sair, a operação comercial poderá avançar até Quixadá.

Esse trecho é estratégico porque permite aproximar a ferrovia de áreas produtoras e criar novas possibilidades para o transporte de grãos, calcário e minério.

Por que a Transnordestina é importante para o Nordeste?

A ferrovia busca criar uma ligação mais eficiente entre regiões produtoras do interior e um dos principais complexos portuários do Nordeste.

Com a conexão até o Pecém, cargas poderão seguir por ferrovia até o litoral e, posteriormente, acessar mercados nacionais e internacionais.

Além disso, a infraestrutura pode estimular a instalação de terminais de carga, centros logísticos e indústrias ao longo da rota.

O impacto, portanto, não depende apenas dos trilhos. Ele também passa pela capacidade das cidades de aproveitar a nova infraestrutura para criar atividades econômicas ao redor da ferrovia.

Quando a Transnordestina ficará pronta?

A previsão atual aponta para 2027 para a conclusão da primeira fase, que ligará o interior do Piauí ao Porto do Pecém.

Entretanto, a obra continuará avançando por etapas até que todos os trechos estejam concluídos.

Enquanto isso, a empresa trabalha para colocar novos segmentos em operação e ampliar gradualmente a capacidade de transporte.

A segunda fase da ferrovia, no Piauí, também permanece no planejamento do projeto.

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Com o lote 6 concluído, a Transnordestina chega a 84% de avanço físico em sua primeira fase.

Agora, a expectativa se concentra nas próximas entregas: Quixadá–Itapiúna e o trecho próximo ao Porto do Pecém.

Se o cronograma avançar conforme a previsão, o Ceará terminará 2026 com mais quilômetros de ferrovia prontos e com novas possibilidades de operação comercial.

Portanto, mais do que uma obra de transporte, a Transnordestina começa a formar um novo corredor logístico entre o interior do Nordeste e o litoral, com potencial para alterar a circulação de cargas e a localização de novos investimentos na região.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.