O Nordeste tem três estados entre os sete classificados como eficientes no Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F), mas também concentra dois dos estados que aparecem nas últimas posições da classificação nacional. A princípio, o levantamento coloca o Ceará em 2º lugar no Brasil, o Piauí em 5º e a Paraíba em 6º, enquanto o Rio Grande do Norte aparece em 20º e a Bahia em 21º.
Elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha, o REE-F busca medir quanto os governos estaduais conseguem transformar os recursos disponíveis em resultados para a população. Para isso, o estudo combina indicadores de educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças com a Receita Corrente Líquida (RCL) per capita de cada estado.
O ranking exclui o Distrito Federal por suas características orçamentárias e compara os 26 estados brasileiros.
Ceará lidera o Nordeste e ocupa o 2º lugar no Brasil
O principal destaque nordestino é o Ceará, que alcançou índice de 0,665 e ficou atrás apenas do Paraná, que marcou 0,734.
O resultado chama atenção porque o Ceará possui a menor receita corrente líquida por habitante entre os estados, de aproximadamente R$ 4.275, contra média nacional de R$ 6.913. Mesmo com menos recursos disponíveis por morador, o estado conseguiu resultados elevados em áreas que têm peso importante no índice.
Na educação, o Ceará alcançou 0,740, terceira maior pontuação do país. Na saúde, marcou 0,642, sexta colocação nacional.
Por outro lado, o estado apresenta desempenho bem mais baixo em segurança e infraestrutura. A segurança recebeu índice de 0,223, enquanto a infraestrutura ficou em 0,408.
Os números do Ceará
| Área | Índice | Posição nacional |
|---|---|---|
| Geral | 0,665 | 2º |
| Educação | 0,740 | 3º |
| Saúde | 0,642 | 6º |
| Infraestrutura | 0,408 | 19º |
| Segurança | 0,223 | 24º |
| Finanças | 0,744 | 6º |
| Receita per capita | 0,000 | 26º |
O secretário do Planejamento e Gestão do Ceará, Alexandre Cialdini, atribuiu o resultado ao modelo de orçamento-programa, que relaciona planejamento estratégico e distribuição dos recursos. Segundo ele, o mecanismo permite remanejamentos para áreas finalísticas, como educação, saúde, infraestrutura e saneamento.
Contudo, a Folha também relaciona parte do desempenho cearense na educação a políticas iniciadas em Sobral e posteriormente ampliadas pelo estado, com mecanismos de avaliação, acompanhamento e incentivos.
Piauí aparece em 5º lugar no país
O Piauí ocupa a segunda melhor posição entre os estados nordestinos, com índice de 0,596, suficiente para colocá-lo em 5º lugar nacional.
O estado também integra a faixa de “eficientes”, formada pelos sete estados que alcançaram índice igual ou superior a 0,550.
Entretanto, o desempenho piauiense se distribui de maneira relativamente equilibrada. A educação recebeu nota 0,626, a saúde marcou 0,614 e a segurança chegou a 0,728, sétima maior pontuação entre os estados.
A infraestrutura, entretanto, ficou em 0,421, enquanto o componente financeiro alcançou 0,699.
Paraíba fica em 6º e fecha grupo dos eficientes
A Paraíba completa o grupo dos três estados nordestinos classificados como eficientes.
Com índice de 0,561, o estado ocupa a 6ª posição nacional.
A saúde representa um dos principais resultados paraibanos no levantamento. O estado alcançou 0,669, quarta maior pontuação do país. Assim, já a educação marcou 0,510, enquanto infraestrutura ficou em 0,431 e segurança em 0,513. O componente financeiro recebeu 0,364, um dos resultados mais baixos entre os estados.
Ceará, Piauí e Paraíba no grupo de eficiência
| Estado | Posição no Brasil | Índice | Classificação |
|---|---|---|---|
| Ceará | 2º | 0,665 | Eficiente |
| Piauí | 5º | 0,596 | Eficiente |
| Paraíba | 6º | 0,561 | Eficiente |
Bahia e RN aparecem nas últimas posições do Nordeste
| Estado | Posição nacional | Índice | Classificação |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Norte | 20º | 0,303 | Ineficiente |
| Bahia | 21º | 0,301 | Ineficiente |
O ponto de corte definido pelo REE-F para a faixa de ineficiência é abaixo de 0,350.
Veja o ranking dos nove estados do Nordeste
Quando a comparação considera apenas os estados nordestinos, o quadro fica assim:
| Posição no Nordeste | Estado | Brasil | Índice | Faixa |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Ceará | 2º | 0,665 | Eficiente |
| 2 | Piauí | 5º | 0,596 | Eficiente |
| 3 | Paraíba | 6º | 0,561 | Eficiente |
| 4 | Pernambuco | 11º | 0,504 | Alguma eficiência |
| 5 | Maranhão | 13º | 0,458 | Alguma eficiência |
| 6 | Sergipe | 14º | 0,399 | Pouca eficiência |
| 7 | Alagoas | 17º | 0,368 | Pouca eficiência |
| 8 | Rio Grande do Norte | 20º | 0,303 | Ineficiente |
| 9 | Bahia | 21º | 0,301 | Ineficiente |
Os valores e posições são os apresentados no ranking interativo da Folha.
Nordeste tem média de 0,462
Quando considera os nove estados em conjunto, o Nordeste alcança média de 0,462 no REE-F.
Esse resultado coloca a região acima do Centro-Oeste, com média de 0,456, mas abaixo do Sudeste, que registra 0,520, e do Sul, com 0,630. O Norte apresenta a menor média regional, de 0,252.
Com isso, o resultado nordestino, portanto, esconde diferenças bastante grandes entre os estados.
O Ceará registra 0,665, enquanto Bahia e Rio Grande do Norte ficam próximos de 0,30. Essa distância mostra que o desempenho regional não segue um único padrão.
Média regional do REE-F
| Região | Índice médio |
|---|---|
| Sul | 0,630 |
| Sudeste | 0,520 |
| Nordeste | 0,462 |
| Centro-Oeste | 0,456 |
| Norte | 0,252 |
O que o ranking mede?
O REE-F não funciona como um simples ranking de arrecadação ou de qualidade dos serviços públicos. O estudo primeiro calcula indicadores para cinco dimensões:
- Educação
- Saúde
- Infraestrutura
- Segurança pública
- Finanças
Depois, o levantamento relaciona esse desempenho à Receita Corrente Líquida per capita de cada estado.
Além disso, educação e saúde recebem peso dobrado no cálculo, porque possuem vinculações constitucionais mínimas de aplicação de recursos. Assim, o índice final varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a eficiência relativa calculada pelo modelo.
Dinheiro por habitante não explica sozinho o resultado
Um dos principais achados do levantamento aparece justamente na comparação entre recursos e resultados.
O Ceará alcançou o segundo lugar nacional mesmo com a menor RCL per capita do país.
Assim, na outra ponta, estados com receitas correntes líquidas elevadas por habitante ficaram entre as últimas posições. O Amapá, por exemplo, registrou RCL per capita de aproximadamente R$ 12 mil e ficou em 26º lugar. Acre e Roraima também apresentaram receitas per capita elevadas e ficaram nas posições finais.
O levantamento, portanto, procura responder a uma pergunta diferente de “qual estado tem mais dinheiro?”. Sendo assim, a questão central é quanto cada governo consegue entregar à população diante dos recursos disponíveis.
Educação e saúde fazem diferença no resultado
A metodologia atribui peso dobrado para educação e saúde. Por isso, resultados nessas áreas podem influenciar significativamente a posição final.
Contudo, o contraste dentro do Nordeste aparece claramente. O Ceará tem 0,740 em educação e 0,642 em saúde. O Piauí também alcança 0,626 e 0,614, respectivamente. A Paraíba registra 0,510 em educação e 0,669 em saúde.
Já Bahia e Rio Grande do Norte apresentam resultados muito mais baixos em educação: 0,165 e 0,272.
Assim, o ranking mostra que os estados nordestinos enfrentam desafios bastante diferentes, mesmo quando pertencem à mesma região.

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O que o REE-F mostra sobre o Nordeste?
O levantamento da Folha apresenta um Nordeste com grandes diferenças internas.
De um lado, Ceará, Piauí e Paraíba aparecem entre os sete estados classificados como eficientes. De outro, Bahia e Rio Grande do Norte ficam abaixo de 0,350 e entram na faixa de ineficiência definida pelo estudo.
Pernambuco e Maranhão permanecem em uma faixa intermediária, enquanto Sergipe e Alagoas ficam na categoria de pouca eficiência.
Ao mesmo tempo, os resultados por área mostram que nenhum estado precisa ser analisado apenas pelo índice geral. Pernambuco, por exemplo, combina uma pontuação elevada em educação e finanças com resultado muito mais baixo em segurança. O Rio Grande do Norte apresenta o movimento inverso em algumas dimensões, com desempenho financeiro elevado e educação entre os últimos resultados nacionais.
Portanto, o REE-F funciona melhor como um diagnóstico comparativo do que como uma avaliação isolada de uma gestão. O próprio estudo utiliza indicadores de diferentes anos, principalmente entre 2022 e 2025, e combina esses dados com a RCL per capita de 2025.
Afinal, para o Nordeste, a principal conclusão é justamente essa diversidade: os nove estados apresentam resultados bastante diferentes na relação entre recursos disponíveis e serviços entregues à população.


