Massacre ocorrido em Canguaretama, há quase 400 anos, deu origem aos primeiros santos brasileiros canonizados pelo Vaticano
Quando milhares de turistas visitam as praias de Pipa, Baía Formosa ou Barra do Cunhaú, muitos não imaginam que o litoral Sul do Rio Grande do Norte abriga um dos lugares mais importantes da história do cristianismo no Brasil.
Antes de mais nada, foi em Cunhaú, distrito de Canguaretama, que aconteceu, em 16 de julho de 1645, um dos episódios religiosos mais marcantes da história brasileira: o massacre que deu origem aos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Afinal, eles são reconhecidos pela Igreja Católica como os Protomártires do Brasil, os primeiros santos brasileiros.
O que aconteceu em Cunhaú?
A princípio, na primeira metade do século XVII, parte do Nordeste estava sob domínio holandês durante as invasões ao território português.
Assim, na manhã de 16 de julho de 1645, dezenas de moradores participavam da missa dominical na antiga Capela de Nossa Senhora das Candeias, localizada no Engenho Cunhaú.
Durante a celebração, tropas ligadas ao domínio holandês cercaram a igreja. Ao mesmo tempo, as portas foram fechadas e os fiéis foram assassinados dentro da capela. Entre as vítimas estavam o padre André de Soveral e diversos moradores da região. Desse modo, o episódio ficou conhecido como o Massacre de Cunhaú.
Poucos meses depois, em 3 de outubro de 1645, um novo massacre ocorreu em Uruaçu, atual município de São Gonçalo do Amarante. Em suma, os dois acontecimentos passaram a ser lembrados conjuntamente pela Igreja Católica.
Os primeiros santos brasileiros
Portanto, os religiosos e leigos mortos nos massacres passaram a ser conhecidos como os Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Ao todo, 30 pessoas foram reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica, sendo:
| Reconhecimento | Data |
|---|---|
| Beatificação | 5 de março de 2000 (Papa João Paulo II) |
| Canonização | 15 de outubro de 2017 (Papa Francisco) |
Assim, com a canonização, eles receberam o título de Protomártires do Brasil, tornando-se os primeiros santos oficialmente canonizados cuja história aconteceu em território brasileiro.
Um dos maiores destinos de turismo religioso do Nordeste
Hoje, Cunhaú recebe romarias durante todo o ano. Em resumo, o principal ponto de visitação é a histórica Capela de Nossa Senhora das Candeias, construída no século XVII e preservada no local onde ocorreu o massacre.
Ao mesmo tempo, o complexo religioso reúne:
- a capela histórica;
- memorial dos mártires;
- monumentos religiosos;
- espaços para celebrações;
- área destinada a peregrinos.
Além disso, todos os anos, milhares de fiéis participam das celebrações em memória dos mártires, especialmente em 16 de julho, data do massacre de Cunhaú, e em 3 de outubro, quando a Igreja celebra liturgicamente os Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. O dia 3 de outubro também é feriado estadual no Rio Grande do Norte.
Fé que impulsiona o turismo no litoral Sul
Além das praias conhecidas internacionalmente, o litoral Sul potiguar passou a integrar importantes roteiros de turismo religioso. Muitos visitantes aproveitam a viagem para conhecer:
- Barra do Cunhaú;
- Praia da Pipa;
- Baía Formosa;
- Sibaúma;
- Canguaretama.
Essa combinação entre patrimônio histórico, espiritualidade e belezas naturais faz da região um destino que une cultura, fé e turismo em um único roteiro.
Curiosidades sobre os Santos Mártires
| Curiosidade | Informação |
|---|---|
| Ano do massacre de Cunhaú | 1645 |
| Local | Engenho Cunhaú, Canguaretama (RN) |
| Capela histórica | Nossa Senhora das Candeias |
| Beatificação | João Paulo II (2000) |
| Canonização | Papa Francisco (2017) |
| Título recebido | Protomártires do Brasil |
| Festa litúrgica principal | 3 de outubro |
| Feriado estadual no RN | Sim |
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Um legado que atravessa séculos
Passados quase 400 anos, a história dos Santos Mártires continua presente na identidade religiosa do Rio Grande do Norte.
Afinal, mais do que personagens históricos, eles representam um dos principais símbolos da fé potiguar e transformaram Cunhaú em um dos mais importantes lugares de peregrinação do Nordeste. Portanto, o reconhecimento pelo Vaticano também projetou internacionalmente a pequena comunidade de Canguaretama, inserindo o litoral Sul do estado no mapa do turismo religioso brasileiro.


