Projeto no Porto de Fortaleza prevê estrutura para cargas refrigeradas, 360 mil TEUs por ano e deve ampliar a capacidade de exportação do agronegócio nordestino
O Porto de Fortaleza, no Mucuripe, prepara uma nova estrutura que pode mudar a logística de exportação de frutas do Nordeste. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a modelagem do terminal MUC04, que prevê cerca de R$ 429 milhões em investimentos e contrato de arrendamento por 25 anos.
O projeto ganhou força porque o terminal terá uma estrutura especialmente adequada para contêineres refrigerados, conhecidos como reefers. A princípio, a modelagem exige pelo menos 1.226 tomadas elétricas para esse tipo de equipamento, além de três guindastes e seis empilhadeiras de grande porte.
A estrutura também interessa diretamente ao agronegócio nordestino. Em 2025, as commodities agrícolas refrigeradas representaram cerca de 95% da movimentação de contêineres do Porto de Fortaleza, com destaque para as frutas destinadas ao mercado internacional.
Terminal terá área maior e capacidade de 360 mil TEUs
Atualmente, as operações de contêineres ocupam áreas fragmentadas que somam aproximadamente 88 mil metros quadrados. Com o MUC04, o terminal passará a reunir as operações em uma área contínua de cerca de 148 mil m².
Além disso, o projeto prevê capacidade estática de 9.080 TEUs e, quando atingir sua configuração completa, capacidade operacional de 360 mil TEUs por ano. Um TEU corresponde a um contêiner padrão de 20 pés.
A estrutura também utilizará os berços 105 e 106. Primeiro, o terminal deverá operar pelo berço 106. Depois, o projeto prevê a recuperação e o reforço do berço 105 para integrar os dois pontos à operação.
Outra obra prevista envolve a extensão do molhe do Porto de Fortaleza. A intervenção busca reduzir os impactos das ondas de longo período, conhecidas como swell, sobre a operação dos navios.
Frutas colocam o Ceará no centro da logística regional
O novo terminal chega em um momento de expansão das exportações de frutas do Ceará.
Segundo o Governo do Estado, o setor exportou US$ 95,7 milhões entre janeiro e novembro de 2025, crescimento de 31,86%. Melões e melancias lideraram os embarques para mercados como Países Baixos, Reino Unido e Espanha.
Além disso, o Porto do Pecém registrou crescimento de 14% na movimentação de frutas em 2025. Melões, melancias e mamões frescos tiveram alta de 27%, reforçando a posição do Ceará na cadeia internacional de frutas.
Em 2026, o movimento continuou forte. Dados divulgados pelo Governo do Ceará apontaram que as exportações de melão já haviam alcançado US$ 90,94 milhões até maio, superando todo o valor registrado em 2025. Dessa maneira, o Ceará aparece como segundo maior exportador brasileiro do produto, atrás do Rio Grande do Norte.

Principais números do novo terminal
| Indicador | Projeto MUC04 |
|---|---|
| Localização | Porto de Fortaleza, Mucuripe |
| Investimento | Cerca de R$ 429 milhões |
| Prazo de concessão | 25 anos |
| Área do terminal | 148.119 m² |
| Área atual fragmentada | Cerca de 88 mil m² |
| Capacidade estática | 9.080 TEUs |
| Capacidade operacional projetada | 360 mil TEUs/ano |
| Tomadas para contêineres refrigerados | Mínimo de 1.226 |
| Guindastes MHC | Mínimo de 3 |
| Empilhadeiras Reach Stacker | Mínimo de 6 |
| Empregos diretos estimados | 379 |
| Berços envolvidos | 105 e 106 |
| Início previsto da operação | 2028 |
Fonte: TCU, ANTAQ e modelagem do MUC04.
Nordeste pode ganhar uma nova rota para exportação
O impacto do projeto pode ultrapassar os limites do Ceará. Entretanto, a modelagem do MUC04 considera uma hinterlândia que alcança estados do Nordeste e do Centro-Oeste, ampliando o potencial de utilização do terminal por empresas que precisam transportar mercadorias para o mercado internacional.
Assim, nesse cenário, a cadeia de frutas aparece como uma das principais beneficiadas. A produção nordestina utiliza cada vez mais tecnologia de irrigação e sistemas de controle de qualidade, enquanto mercados internacionais exigem regularidade, conservação e padrões sanitários rigorosos.
Por isso, a infraestrutura de frio ganha importância. O contêiner refrigerado mantém a temperatura adequada durante o transporte e ajuda a preservar a qualidade das frutas até a chegada ao comprador.
O Ceará, inclusive, ampliou em 2026 sua Área Livre da praga Anastrepha grandis, uma medida que fortalece as condições sanitárias para a exportação de melão e melancia.

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Leilão ainda depende de ajustes
Apesar da aprovação do TCU, o projeto ainda precisa cumprir algumas etapas antes do leilão. O Tribunal autorizou o prosseguimento do processo, mas determinou ajustes técnicos e econômico-financeiros na modelagem antes da publicação do edital.
Depois dessa etapa, a ANTAQ deverá conduzir os procedimentos seguintes e definir a data do leilão. A página oficial da agência ainda apresenta o leilão do MUC04 como “em breve”.
Assim, o projeto ainda não representa uma operação imediata. A previsão atual aponta para o início das atividades em 2028, enquanto a capacidade máxima de 360 mil TEUs por ano aparece na modelagem para a configuração plena do terminal.
Um detalhe importante sobre o valor do investimento
O valor de aproximadamente R$ 429 milhões aparece na decisão recente do TCU e nas informações divulgadas após a aprovação da modelagem. Entretanto, a página institucional da ANTAQ, atualizada em maio de 2026, ainda apresenta uma versão anterior do projeto com CAPEX de R$ 450,763 milhões. Isso ocorre porque a modelagem passou por revisões ao longo do processo.
Para esta matéria, o NE9 adota o valor mais recente associado à decisão do TCU: R$ 429 milhões.
O novo terminal, portanto, coloca Fortaleza diante de uma oportunidade que vai além da ampliação física de um porto. Afinal, com estrutura para cargas refrigeradas, maior área operacional e conexão com a produção agrícola, o MUC04 pode reforçar a posição do Ceará como uma das portas de saída das frutas produzidas no Nordeste para o mercado internacional.


