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Nordeste segue na corrida pelas terras raras; pesquisa da UFS revela potencial em Sergipe

Pesquisa da UFS mapeia terras raras no Alto Sertão de Sergipe e coloca o Nordeste na corrida por minerais estratégicos.
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de setembro de 2026 - às 12:31
Atualizado 8 de setembro de 2026 - às 12:31
6 min de leitura

Estudos no Alto Sertão sergipano identificam minerais associados a terras raras e colocam o Nordeste no centro da disputa por recursos estratégicos para tecnologia, energia e indústria

O Nordeste começa a ganhar um novo capítulo na corrida mundial pelas terras raras, minerais considerados estratégicos para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de alta tecnologia. Em Sergipe, pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) estudam granitos do Alto Sertão em busca de minerais capazes de concentrar esses elementos.

A princípio, a pesquisa se concentra em uma faixa que parte de Nossa Senhora da Glória, passa por Poço Redondo e chega a Canindé de São Francisco. Nesse território, os pesquisadores mapeiam grandes corpos de granito, coletam amostras e analisam a composição das rochas para identificar concentrações de minerais de interesse econômico.

O trabalho já avançou além da simples identificação geológica. Segundo a UFS, os estudos realizados ao longo de aproximadamente dez anos permitiram localizar ocorrências e agora buscam dimensionar o potencial econômico dessas formações.

Equipe do LAPA UFS realizando trabalhos de campo Foto Ascom UFS

Sergipe procura neodímio e outros minerais estratégicos

Um dos principais alvos da pesquisa é o neodímio, elemento utilizado na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho. Esses componentes aparecem em equipamentos tecnológicos e ganham importância com o avanço de veículos elétricos, sistemas de geração de energia e outras tecnologias.

Entretanto, além do neodímio, os pesquisadores da UFS investigam a presença de outros elementos estratégicos, como nióbio, tântalo, urânio e zircônio. Entretanto, a existência de minerais em uma rocha ainda não significa que exista uma jazida economicamente explorável.

Por isso, a equipe precisa determinar quantidade, concentração, tecnologia de recuperação e custo de exploração antes de avaliar uma eventual atividade mineral. Sendo assim, a própria pesquisa estima que o caminho entre a descoberta e uma mina em funcionamento normalmente leva de 10 a 15 anos.

A corrida pelas terras raras já chegou ao Nordeste

O movimento sergipano acontece enquanto outros estados nordestinos ampliam a pesquisa por minerais críticos.

A Bahia aparece como um dos principais polos brasileiros. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que o país recebeu 1.370 novos alvarás de autorização de pesquisa relacionados a terras raras e monazita em 2024. Desse total, 604 ficaram na Bahia, o equivalente a cerca de 44% dos novos alvarás nacionais.

Minas Gerais recebeu 321 e Goiás, 231. Assim, a Bahia concentrou mais autorizações do que qualquer outro estado brasileiro naquele ano.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) também classificou a Bahia como um polo emergente para exploração de terras raras. Contudo, o órgão aponta diferentes contextos geológicos no estado, incluindo ocorrências de minerais ricos em terras raras associadas a granitos e outras formações.

Além disso, o novo Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais do SGB inclui uma avaliação do potencial de terras raras no Leste do Domínio Pernambuco-Alagoas. O documento mostra que a investigação científica do Nordeste não se limita à Bahia e a Sergipe.

Onde o Nordeste procura terras raras

Estado/regiãoO que já aparece nas pesquisas
SergipeUFS pesquisa granitos entre Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Canindé de São Francisco
BahiaForte expansão da pesquisa mineral; 604 novos alvarás para terras raras/monazita em 2024
Pernambuco/AlagoasSGB prevê avaliação do potencial de terras raras no Leste do Domínio Pernambuco-Alagoas
Outros estados nordestinosO potencial depende de estudos geológicos e processos de pesquisa mineral específicos

Fontes: UFS, ANM e Serviço Geológico do Brasil.

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UFS coloca o Nordeste na discussão internacional

Pesquisas em Poço Redondo e região Foto Ascom UFS

A pesquisa sergipana ganhou ainda mais relevância porque a própria UFS passou a ocupar espaço na discussão internacional sobre minerais críticos.

A professora Maria de Lourdes da Silva Rosa, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geociências da universidade, participará da Missão Fulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos, nos Estados Unidos, entre 19 de setembro e 1º de outubro.

Ela integra uma delegação de apenas dez pesquisadores brasileiros e representa uma posição singular: será a única geóloga e a única pesquisadora do Nordeste no grupo. Assim, a missão terá atividades na Virginia Tech, Colorado School of Mines e Ames National Laboratory.

Mas, a participação também conecta Sergipe a uma rede maior. Maria de Lourdes integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos de Geoquímica Isotópica, que reúne grupos de pesquisa de seis universidades nordestinas.

Terras sergipanas têm neodímio, Rocha monzolítica (cinza clara) e enclave lamprofírico Fotos Frente Parlamentar de Mineração Sustentável e Maria de Lourdes Rosa (1)

Por que as terras raras valem tanto?

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente raras na natureza. Afinal, o problema está na concentração dos elementos, na dificuldade de separação e no processamento necessário para transformá-los em produtos de alto valor.

Portanto, a ANM considera 17 elementos químicos como terras raras. Assim, eles apresentam propriedades magnéticas, ópticas e elétricas importantes para a fabricação de ímãs de alta performance, baterias, catalisadores, notebooks, smartphones e equipamentos ligados à transição energética.

O Ministério de Minas e Energia também destaca a presença desses elementos em veículos elétricos, equipamentos médicos, computadores, televisores e sistemas de geração de energia.

AplicaçãoPapel das terras raras
Carros elétricosÍmãs permanentes e motores
Energia eólicaÍmãs de alta performance em geradores
EletrônicosComponentes magnéticos e eletrônicos
Smartphones e computadoresComponentes e materiais especiais
Equipamentos médicosTecnologias e componentes específicos
DefesaSistemas avançados, radares e equipamentos militares

Fontes: ANM e Ministério de Minas e Energia.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.