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Cearense completa volta ao mundo sozinho em avião e retorna ao Nordeste

Cearense Alex Frota completa volta ao mundo sozinho em avião monomotor após cruzar cinco continentes e inicia retorno pelo Norte e Nordeste.
Eliseu Lins, da Agência NE9
1 de setembro de 2026 - às 07:19
Atualizado 1 de setembro de 2026 - às 07:19
8 min de leitura

Expedição de Alex Frota começou em Fortaleza e percorreu América, Europa, África, Ásia e Oceania; piloto prevê chegada à capital cearense em 12 de setembro

Um cearense está prestes a concluir uma das viagens mais impressionantes da aviação brasileira. Alex Frota, piloto e idealizador do projeto Frotas Pelo Mundo, completou sozinho uma volta ao mundo a bordo de um avião monomotor experimental, cruzando os cinco continentes. Agora, depois de quase seis meses de expedição, ele inicia a reta final do percurso com uma série de paradas pelo Norte e Nordeste do Brasil antes de retornar a Fortaleza, ponto de partida da aventura.

A previsão é que o piloto chegue à capital cearense em 12 de setembro, dois dias antes de completar seis meses desde a saída, em 15 de março. Até lá, a rota inclui passagens por diferentes estados nordestinos, transformando o retorno para casa em mais uma etapa da expedição.

Segundo Alex, os principais objetivos estabelecidos antes da viagem já foram alcançados. Ele afirma ter se tornado o primeiro brasileiro a completar uma volta ao mundo solo passando pelos cinco continentes, enquanto o seu RV-10 também teria se tornado o primeiro avião desse modelo a realizar o mesmo percurso.

“Já conseguimos os recordes que buscávamos. Agora, a missão é chegar em casa e concluir o projeto”, afirma o piloto.

Alex Bacana foto divulgação

Do Ceará para cinco continentes

A expedição começou em Fortaleza e seguiu inicialmente pelo Norte do Brasil, com parada em Boa Vista, antes de atravessar o Caribe e chegar aos Estados Unidos.

Em seguida, Alex avançou pela América do Norte e cruzou o Atlântico pelo extremo norte, passando por Canadá, Groenlândia, Islândia, Escócia e Reino Unido. A viagem continuou pela Europa, África, Oriente Médio e Ásia até chegar à Austrália.

Na etapa seguinte, o piloto retomou a rota em direção ao norte, passando por Timor-Leste, Filipinas, Taiwan e Coreia do Sul. Depois, seguiu para a Rússia e atravessou uma das regiões mais extensas e desafiadoras da viagem antes de chegar ao Alasca e retornar ao Canadá e aos Estados Unidos.

Em 21 de julho, Alex pousou novamente em Oshkosh, nos Estados Unidos, aeroporto de onde havia partido em abril. Com isso, completou, segundo seu relato, a versão mais curta da volta ao mundo.

Retorno passa pelo Nordeste

O retorno ao Brasil também terá forte presença nordestina. Depois de passar por Porto Rico e Barbados, a previsão estabeleceu a entrada novamente no território brasileiro por Boa Vista, em Roraima.

A partir daí, a expedição segue pela Amazônia antes de alcançar o Nordeste.

O roteiro prevê Belém, no Pará, nos dias 1º e 2 de setembro; Maranhão, nos dias 3 e 4; Teresina, no Piauí, nos dias 5 e 6; Recife, em Pernambuco, nos dias 7 e 8; e Paraíba, nos dias 9 e 10.

Na sequência, o avião passa por Natal, no Rio Grande do Norte, em 11 de setembro. No dia seguinte, a previsão é fazer uma parada em Aracati, no Ceará, antes do pouso final em Fortaleza.

Rota final da expedição

DataLocal previsto
01 e 02/09Belém (PA)
03 e 04/09Maranhão
05 e 06/09Teresina (PI)
07 e 08/09Recife (PE)
09 e 10/09Paraíba
11/09Natal (RN)
12/09Aracati (CE) e Fortaleza (CE)

Assim, a parte final da viagem volta a colocar o Nordeste no centro da aventura que começou no Ceará.

Groenlândia teve temperaturas de -22°C; Oriente Médio passou dos 50°C

Ao longo dos quase seis meses de viagem, o piloto enfrentou condições completamente diferentes.

Na Groenlândia, as temperaturas chegaram a 22 graus Celsius negativos, exigindo inclusive a substituição do óleo utilizado no avião. No outro extremo, durante a passagem pelo Oriente Médio, as temperaturas ultrapassaram 50°C.

Segundo Alex, o calor chegou a provocar superaquecimento mesmo com a aeronave parada e o motor funcionando em marcha lenta.

“Passamos de temperaturas abaixo de 20 graus negativos para mais de 50 graus na pista. Na Groenlândia, o avião chegou a congelar e tivemos de usar outro óleo. No Oriente Médio, algumas peças chegaram a sofrer com o calor extremo”, relata.

Na Ásia, a viagem coincidiu com o período de monções e com a ocorrência de tufões. Já na Sibéria, as grandes distâncias entre cidades e aeroportos aumentaram a complexidade do planejamento.

Burocracia também mudou a rota

Nem todos os desafios foram provocados pelo clima.

Uma das principais alterações ocorreu no México, onde o piloto enfrentou dificuldades para conseguir autorizações de voo por causa da condição experimental do avião.

A situação obrigou Alex a permanecer quatro dias no país e, posteriormente, retornar aos Estados Unidos. A partir daí, redesenhou a rota pelo Caribe para conseguir entrar novamente no Brasil pelo Norte.

“De todos os países que visitamos, o México foi o único em que não conseguimos avançar. Tivemos de voltar aos Estados Unidos e redesenhar a rota”, conta.

Nas Filipinas, o piloto também passou mais de uma semana aguardando uma solução burocrática para conseguir realizar uma escala antes de seguir para a Rússia.

Até o GPS entrou na lista de desafios

Em determinados trechos da viagem, Alex também encontrou dificuldades relacionadas aos sistemas de navegação.

Durante a passagem por regiões afetadas por conflitos, houve áreas nas quais o sinal de GPS não oferecia a confiabilidade necessária. Por isso, o piloto precisou recorrer a sistemas de radionavegação e, em algumas situações, a recursos tradicionais de navegação aérea.

“Em parte daquela região, não dava para contar com o GPS. Era preciso ter alternativas de navegação porque não podíamos depender de um único sistema”, explica.

A expedição também enfrentou problemas mecânicos.

Em Melilla, território espanhol no norte da África, Alex relata ter pousado após identificar um vazamento de combustível provocado por furos no tanque. O problema exigiu reparos antes da continuidade da viagem.

Outro episódio aconteceu no trecho entre Dubai e a Índia, quando uma falha elétrica levou cerca de duas semanas para ser solucionada.

Uma viagem que também teve o desafio da saudade

Além dos aspectos técnicos, a distância da família foi outro desafio durante a expedição.

Alex calcula que tenha passado cerca de 70 dias no maior intervalo sem encontrar familiares. O primeiro reencontro ocorreu em Portugal, aproximadamente 45 dias depois da saída de Fortaleza. Posteriormente, a família esteve novamente com ele em Oshkosh, em julho.

Agora, o próximo encontro está previsto para acontecer justamente no destino final: Fortaleza.

“Essa parte da saudade da família me pega muito. É uma viagem longa e muito demandante, mas agora está acabando. Estamos chegando em casa”, afirma.

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Do Ceará para o mundo — e de volta para casa

Para Alex Frota, a expedição representa mais do que uma grande viagem de avião. O projeto também se transformou em uma demonstração de planejamento, disciplina e capacidade de adaptação diante de situações inesperadas.

“Qualquer pessoa que realmente queira realizar um projeto significativo consegue, mas precisa entender que vai exigir disciplina, planejamento, perseverança e força para superar o que aparecer. Um projeto grande sempre envolve algum tipo de sacrifício”, afirma.

Depois da chegada a Fortaleza, o piloto pretende encerrar esta etapa do Frotas Pelo Mundo antes de iniciar um novo projeto. Para novembro, ele planeja realizar um Giro pelo Brasil, com duração estimada entre 20 e 30 dias e paradas associadas à realização de palestras.

Antes disso, porém, ainda falta completar os últimos quilômetros da aventura que começou no Ceará.

“A missão ainda não acabou. Ainda temos muitos riscos para gerenciar até chegar em casa. Mas estamos indo”, conclui.

Quem é Alex Frota

Alexandre Frota, conhecido como Alex Frota, é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. Também atua como gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM.

Apaixonado por aviação desde a infância, conquistou o brevê aos 44 anos. Aos 53, lidera o projeto Frotas Pelo Mundo, criado para realizar a volta ao mundo solo em um avião monomotor, cruzando os cinco continentes.

O apelido “Alex Bacana” surgiu em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.