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Ceará inicia terminal bilionário que conectará Transnordestina ao Porto do Pecém

Investimento privado de R$ 1,3 bilhão cria elo definitivo entre ferrovia e porto, abre caminho para exportações do Matopiba e consolida o Ceará como hub logístico do Nordeste O Ceará deu mais um passo para ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
17 de junho de 2026 - às 06:05
Atualizado 17 de junho de 2026 - às 06:05
5 min de leitura
Projeto da TUP Nelog, terminal que vai integrar a Transnordestina ao porto do Ceará - Foto Divulgação Projeto
Projeto da TUP Nelog, terminal que vai integrar a Transnordestina ao porto do Ceará - Foto Divulgação Projeto

Investimento privado de R$ 1,3 bilhão cria elo definitivo entre ferrovia e porto, abre caminho para exportações do Matopiba e consolida o Ceará como hub logístico do Nordeste

O Ceará deu mais um passo para consolidar sua posição como um dos maiores polos logísticos do Brasil. O Governo do Estado e a iniciativa privada assinaram nesta terça-feira (16) a ordem de serviço para a construção do Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística (Nelog), empreendimento que receberá R$ 1,3 bilhão em investimentos e fará a ligação direta entre a Ferrovia Transnordestina e o Porto do Pecém.

Mais do que um novo terminal de cargas, a obra representa uma das peças que faltavam para colocar em operação todo o potencial da Transnordestina, considerada o maior projeto ferroviário em execução no Nordeste.

A cerimônia contou com a presença do governador Elmano de Freitas, representantes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Transnordestina Logística, do Complexo do Pecém, Banco do Nordeste e autoridades estaduais.

Assinatura de ordem e serviço no ceara foto divulgação

O elo que faltava para a Transnordestina

A construção do terminal permitirá que os trens da Transnordestina descarreguem diretamente no Porto do Pecém, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade das exportações nordestinas.

Na prática, o empreendimento cria uma conexão multimodal entre ferrovia e porto, facilitando o transporte de:

  • grãos;
  • minério de ferro;
  • fertilizantes;
  • combustíveis;
  • contêineres;
  • carga geral.

Segundo a CSN, não bastava concluir a ferrovia sem uma estrutura capaz de receber toda essa produção.

“Não adiantava fazer a ferrovia e não existir um terminal para recepcionar os grãos do Matopiba, o minério do Piauí e outras cargas estratégicas”, destacou o diretor-executivo da companhia, Tufi Daher.

Impacto vai muito além do Ceará

Embora a obra esteja localizada no Complexo do Pecém, seus efeitos devem alcançar praticamente todo o Nordeste.

A Transnordestina ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, atravessando 53 municípios e integrando uma das regiões agrícolas que mais crescem no país.

Entre os principais beneficiados estarão:

  • Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), principal fronteira agrícola brasileira;
  • mineração do Piauí;
  • agronegócio do Ceará;
  • indústrias instaladas na Zona de Processamento de Exportação (ZPE);
  • importadores de fertilizantes e insumos industriais.

Com isso, produtores poderão exportar utilizando um corredor ferroviário moderno, reduzindo a dependência do transporte rodoviário.

Capacidade para movimentar 30 milhões de toneladas

O novo terminal começará a operar em 2028.

Quando atingir sua capacidade plena, poderá movimentar aproximadamente:

IndicadorDados
InvestimentoR$ 1,3 bilhão
Área atual84 hectares
Início das operações2028
Capacidade operacional30 milhões de toneladas/ano
Empregos na construção1.000

Entre as estruturas previstas estão:

  • ponte para descarga de minério;
  • viaduto ferroviário;
  • moega para descarga de grãos;
  • pátios de armazenagem;
  • integração direta com o Porto do Pecém.

Pecém amplia protagonismo internacional

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém vive uma das maiores fases de expansão de sua história. Nos últimos anos, o porto recebeu investimentos em:

  • data centers;
  • hidrogênio verde;
  • energia renovável;
  • siderurgia;
  • novos terminais portuários;
  • gás natural;
  • logística ferroviária.

Segundo o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, o porto possui cerca de 19 mil hectares disponíveis para expansão, fator considerado um dos maiores diferenciais para atrair novos investidores.

Transnordestina entra na reta final

A primeira etapa da Transnordestina já alcançou aproximadamente 82% de execução. A expectativa é concluir essa fase até 2027.

Atualmente:

  • cerca de 5 mil trabalhadores atuam na construção;
  • oito lotes estão simultaneamente em obras;
  • os contratos somam aproximadamente R$ 4 bilhões.

Recentemente, a ferrovia também bateu um recorde histórico ao instalar 1,69 quilômetro de trilhos em apenas um dia, o maior ritmo desde o início da construção.

Ao todo, a Transnordestina terá:

Dados da ferrovia
Extensão1.206 km
Estados atendidosPiauí e Ceará
Municípios atravessados53
Investimento estimadoR$ 15 bilhões

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Especialistas consideram que a integração entre a Transnordestina e o Porto do Pecém pode representar uma mudança estrutural na economia nordestina.

Com menor custo logístico, maior velocidade no transporte e acesso direto aos mercados internacionais, a expectativa é ampliar a competitividade do agronegócio, da mineração e da indústria regional, além de atrair novos investimentos privados para o interior do Nordeste.

A conexão entre ferrovia e porto também fortalece o Ceará como porta de saída das exportações nordestinas, consolidando o estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.