Investimento privado de R$ 1,3 bilhão cria elo definitivo entre ferrovia e porto, abre caminho para exportações do Matopiba e consolida o Ceará como hub logístico do Nordeste
O Ceará deu mais um passo para consolidar sua posição como um dos maiores polos logísticos do Brasil. O Governo do Estado e a iniciativa privada assinaram nesta terça-feira (16) a ordem de serviço para a construção do Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística (Nelog), empreendimento que receberá R$ 1,3 bilhão em investimentos e fará a ligação direta entre a Ferrovia Transnordestina e o Porto do Pecém.
Mais do que um novo terminal de cargas, a obra representa uma das peças que faltavam para colocar em operação todo o potencial da Transnordestina, considerada o maior projeto ferroviário em execução no Nordeste.
A cerimônia contou com a presença do governador Elmano de Freitas, representantes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Transnordestina Logística, do Complexo do Pecém, Banco do Nordeste e autoridades estaduais.

O elo que faltava para a Transnordestina
A construção do terminal permitirá que os trens da Transnordestina descarreguem diretamente no Porto do Pecém, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade das exportações nordestinas.
Na prática, o empreendimento cria uma conexão multimodal entre ferrovia e porto, facilitando o transporte de:
- grãos;
- minério de ferro;
- fertilizantes;
- combustíveis;
- contêineres;
- carga geral.
Segundo a CSN, não bastava concluir a ferrovia sem uma estrutura capaz de receber toda essa produção.
“Não adiantava fazer a ferrovia e não existir um terminal para recepcionar os grãos do Matopiba, o minério do Piauí e outras cargas estratégicas”, destacou o diretor-executivo da companhia, Tufi Daher.
Impacto vai muito além do Ceará
Embora a obra esteja localizada no Complexo do Pecém, seus efeitos devem alcançar praticamente todo o Nordeste.
A Transnordestina ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, atravessando 53 municípios e integrando uma das regiões agrícolas que mais crescem no país.
Entre os principais beneficiados estarão:
- Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), principal fronteira agrícola brasileira;
- mineração do Piauí;
- agronegócio do Ceará;
- indústrias instaladas na Zona de Processamento de Exportação (ZPE);
- importadores de fertilizantes e insumos industriais.
Com isso, produtores poderão exportar utilizando um corredor ferroviário moderno, reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
Capacidade para movimentar 30 milhões de toneladas
O novo terminal começará a operar em 2028.
Quando atingir sua capacidade plena, poderá movimentar aproximadamente:
| Indicador | Dados |
|---|---|
| Investimento | R$ 1,3 bilhão |
| Área atual | 84 hectares |
| Início das operações | 2028 |
| Capacidade operacional | 30 milhões de toneladas/ano |
| Empregos na construção | 1.000 |
Entre as estruturas previstas estão:
- ponte para descarga de minério;
- viaduto ferroviário;
- moega para descarga de grãos;
- pátios de armazenagem;
- integração direta com o Porto do Pecém.




Pecém amplia protagonismo internacional
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém vive uma das maiores fases de expansão de sua história. Nos últimos anos, o porto recebeu investimentos em:
- data centers;
- hidrogênio verde;
- energia renovável;
- siderurgia;
- novos terminais portuários;
- gás natural;
- logística ferroviária.
Segundo o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, o porto possui cerca de 19 mil hectares disponíveis para expansão, fator considerado um dos maiores diferenciais para atrair novos investidores.
Transnordestina entra na reta final
A primeira etapa da Transnordestina já alcançou aproximadamente 82% de execução. A expectativa é concluir essa fase até 2027.
Atualmente:
- cerca de 5 mil trabalhadores atuam na construção;
- oito lotes estão simultaneamente em obras;
- os contratos somam aproximadamente R$ 4 bilhões.
Recentemente, a ferrovia também bateu um recorde histórico ao instalar 1,69 quilômetro de trilhos em apenas um dia, o maior ritmo desde o início da construção.
Ao todo, a Transnordestina terá:
| Dados da ferrovia | |
| Extensão | 1.206 km |
| Estados atendidos | Piauí e Ceará |
| Municípios atravessados | 53 |
| Investimento estimado | R$ 15 bilhões |
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Um novo corredor de desenvolvimento para o Nordeste

Especialistas consideram que a integração entre a Transnordestina e o Porto do Pecém pode representar uma mudança estrutural na economia nordestina.
Com menor custo logístico, maior velocidade no transporte e acesso direto aos mercados internacionais, a expectativa é ampliar a competitividade do agronegócio, da mineração e da indústria regional, além de atrair novos investimentos privados para o interior do Nordeste.
A conexão entre ferrovia e porto também fortalece o Ceará como porta de saída das exportações nordestinas, consolidando o estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil.



