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Economia

Airbnb movimenta R$ 1,6 bilhão em João Pessoa e sustenta quase 10 mil empregos

Airbnb movimentou mais de R$ 1,6 bilhão em João Pessoa em 2025, gerou R$ 906 milhões para o PIB e sustentou quase 10 mil empregos, aponta FGV.
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de setembro de 2026 - às 06:20
Atualizado 11 de setembro de 2026 - às 06:20
7 min de leitura
Orla de João Pessoa Foto Alesssandro Potter Secretaria de Turismo de João Pessoa
Orla de João Pessoa Foto Alesssandro Potter Secretaria de Turismo de João Pessoa

Estudo da FGV mostra impacto da plataforma na economia da capital paraibana em 2025, com R$ 906 milhões adicionados ao PIB e R$ 143 milhões em tributos

O Airbnb movimentou mais de R$ 1,6 bilhão na economia de João Pessoa em 2025, segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado nesta semana. O valor representa crescimento superior a 11% em relação ao ano anterior e mostra como a expansão das hospedagens de curta duração passou a movimentar uma cadeia que vai muito além dos imóveis anunciados na plataforma.

A princípio, de acordo com a pesquisa, a atividade relacionada ao Airbnb contribuiu com mais de R$ 906 milhões para o Produto Interno Bruto (PIB) de João Pessoa, gerou quase R$ 475 milhões em renda e resultou em mais de R$ 143 milhões em tributos.

Além disso, a atividade sustentou quase 10 mil postos de trabalho ao longo do ano. Assim, o levantamento considera empregos relacionados diretamente ao movimento de visitantes e também aqueles gerados pela cadeia de fornecedores, como profissionais de limpeza, manutenção, transporte, alimentação e comércio.

João Pessoa foto Máximo Serpa 4
João Pessoa foto Máximo Serpa

Turismo movimenta muito mais do que a hospedagem

O principal ponto revelado pelo estudo é justamente o efeito multiplicador provocado pela chegada do visitante.

Quem reserva uma acomodação não gasta apenas com a estadia. O turista também utiliza restaurantes, supermercados, transporte, passeios, comércio e serviços locais.

Por isso, o dinheiro que entra inicialmente na hospedagem passa por diferentes setores da economia.

A metodologia utilizada pela FGV considera justamente esse efeito. O estudo utiliza uma análise de insumo-produto, que calcula tanto os impactos diretos dos gastos de hóspedes e anfitriões quanto os impactos indiretos provocados pelas compras realizadas na cadeia produtiva.

foto aerea de Joao Pessoa
Centro de Joao Pessoa foto divulgação

O impacto do Airbnb em João Pessoa em 2025

IndicadorResultado
Movimentação econômicaMais de R$ 1,6 bilhão
Crescimento anualMais de 11%
Contribuição para o PIBMais de R$ 906 milhões
Renda geradaQuase R$ 475 milhões
TributosMais de R$ 143 milhões
Postos de trabalho sustentadosQuase 10 mil

Os números fazem parte da primeira medição específica da FGV sobre o impacto econômico da atividade do Airbnb em João Pessoa.

João Pessoa espalha o turismo para além dos cartões-postais

O estudo também apresenta um dado interessante sobre a distribuição do fluxo turístico pela capital paraibana.

Entre os anfitriões que fizeram recomendações aos hóspedes, mais de 90% indicaram lugares localizados no próprio bairro dos anúncios. Além disso, metade afirmou ter sugerido regiões ainda pouco conhecidas pelos turistas.

Na prática, isso pode ajudar a distribuir o dinheiro deixado pelos visitantes para áreas que ficam fora dos roteiros mais tradicionais.

O efeito é relevante para uma cidade que combina praias urbanas, gastronomia, patrimônio histórico e diferentes bairros com atividades comerciais e de serviços.

Assim, o visitante que chega por uma hospedagem de curta duração pode acabar consumindo em estabelecimentos próximos ao imóvel, em vez de concentrar todos os gastos nas áreas turísticas mais conhecidas.

Quase 75% dos anfitriões não têm a hospedagem como principal ocupação

Outro aspecto levantado pela pesquisa envolve quem recebe os visitantes.

Em João Pessoa, quase 75% dos anfitriões afirmam que hospedar pessoas não é sua ocupação principal. Para quase metade, a atividade representa uma forma de obter renda extra.

Além disso, cerca de 45% afirmam utilizar o dinheiro recebido para ajudar a fechar as contas do mês.

O levantamento também mostra que mais de 60% dos anfitriões dizem ter usado essa renda para cobrir despesas, incluindo alimentação, enquanto mais da metade afirma que o dinheiro ajudou a permanecer em suas próprias casas no último ano.

Dessa maneira, o impacto econômico não fica restrito aos grandes empreendimentos turísticos. Uma parcela da renda também chega diretamente a moradores que oferecem suas propriedades ou parte delas aos visitantes.

O efeito chega ao comércio e aos serviços

A lógica ajuda a explicar por que os quase 10 mil postos de trabalho identificados pela pesquisa aparecem em diferentes setores.

Uma hospedagem precisa de limpeza, manutenção e serviços. O visitante, por sua vez, precisa se alimentar, se deslocar e consumir durante a viagem.

Assim, um aumento no número de turistas pode gerar demanda para:

  • restaurantes e bares;
  • mercados e pequenos comércios;
  • motoristas e transporte;
  • profissionais de limpeza;
  • manutenção de imóveis;
  • atividades turísticas;
  • comércio de produtos e serviços;
  • fornecedores ligados à hospedagem.

Segundo a FGV, o estudo considera justamente essa cadeia de impactos provocada pela atividade econômica associada às estadias.

João Pessoa entra em um movimento nacional

O resultado da capital paraibana acontece em um momento de expansão do impacto econômico do Airbnb no Brasil.

Um estudo nacional da FGV divulgado em junho apontou que a atividade da plataforma movimentou mais de R$ 113 bilhões na economia brasileira em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

No país, a atividade contribuiu com quase R$ 63 bilhões para o PIB, sustentou mais de 700 mil empregos e gerou quase R$ 9 bilhões em tributos.

João Pessoa, portanto, acompanha uma tendência nacional, mas apresenta um resultado relevante dentro do contexto regional.

O crescimento superior a 11% mostra que a plataforma ganhou espaço justamente em uma capital que vem ampliando sua presença no turismo nacional.

Um novo retrato da economia turística de João Pessoa

O resultado também ajuda a entender uma transformação no turismo da capital paraibana.

Durante muito tempo, a análise do setor ficou concentrada em hotéis, pousadas, restaurantes e atrações. Agora, o mercado de hospedagem de curta duração acrescenta milhares de imóveis, anfitriões e prestadores à cadeia turística.

Isso não significa que o Airbnb substitua a hotelaria tradicional. Na prática, as diferentes formas de hospedagem ampliam a oferta disponível para públicos com perfis e orçamentos distintos.

Ao mesmo tempo, a presença desses visitantes pode distribuir o consumo por diferentes bairros e negócios.

Para João Pessoa, esse movimento ganha importância porque o turismo já representa uma das atividades estratégicas da economia local.

O desafio é transformar crescimento em turismo sustentável

O aumento da atividade também traz desafios para as cidades.

Quanto maior o número de visitantes, maior a necessidade de infraestrutura urbana, mobilidade, limpeza, segurança, ordenamento e planejamento turístico.

Por isso, os R$ 1,6 bilhão movimentados em 2025 mostram uma oportunidade econômica, mas também reforçam a necessidade de acompanhar como esse crescimento acontece.

A pesquisa da FGV mede o impacto econômico da atividade, mas não significa que todo o valor de R$ 1,6 bilhão tenha ficado diretamente com anfitriões ou com o Airbnb. O número representa a movimentação econômica estimada a partir da metodologia de insumo-produto, incluindo efeitos diretos e indiretos na cadeia.

Esse detalhe é importante para interpretar corretamente o resultado.

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Aeroporto-JoaoPessoa-foto RafaelP assos

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João Pessoa transforma turismo em renda para diferentes setores

O dado mais expressivo do levantamento talvez não seja apenas o R$ 1,6 bilhão movimentado.

Portanto, o melhor está na capacidade de uma atividade de hospedagem gerar efeitos sobre PIB, renda, tributos, empregos e pequenos negócios.

Afinal, com mais de R$ 906 milhões adicionados ao PIB e quase 10 mil postos de trabalho sustentados, o Airbnb aparece como uma peça relevante da cadeia turística da capital paraibana.

E, enquanto João Pessoa continua atraindo visitantes pelas praias, gastronomia e patrimônio histórico, o desafio para os próximos anos será fazer com que esse fluxo continue crescendo de forma organizada e distribua cada vez mais os benefícios pela economia local.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.