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Nordeste celebra marco histórico da Caatinga com foco na nova economia verde

Governo federal sanciona Política Nacional da Caatinga O Nordeste conquistou nesta semana um dos mais importantes avanços ambientais de sua história recente. O presidente Lula sancionou a Política Nacional de Recuperação da Vegetação da Caatinga ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
12 de junho de 2026 - às 07:50
Atualizado 12 de junho de 2026 - às 07:50
5 min de leitura

Governo federal sanciona Política Nacional da Caatinga

O Nordeste conquistou nesta semana um dos mais importantes avanços ambientais de sua história recente. O presidente Lula sancionou a Política Nacional de Recuperação da Vegetação da Caatinga e lançou oficialmente o Programa Recaatingar, iniciativa que transforma a recuperação do único bioma exclusivamente brasileiro em uma política pública permanente de Estado.

A medida é vista por governadores, pesquisadores e especialistas como uma mudança histórica na forma como a Caatinga passa a ser tratada pelo Brasil: não mais apenas como uma região marcada pela seca, mas como um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável, a bioeconomia, a segurança hídrica e o combate às mudanças climáticas.

O anúncio ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto, dentro das ações do Mês do Meio Ambiente.

foto divulgação

O que muda com a nova política

A princípio, a nova legislação cria uma estrutura nacional para coordenar ações de recuperação ambiental, combate à desertificação e fortalecimento da economia sustentável em toda a área da Caatinga.

A política estabelece a atuação integrada entre União, estados, municípios e sociedade civil, criando instrumentos permanentes para:

  • Recuperação de áreas degradadas;
  • Controle do desmatamento;
  • Incentivo à bioeconomia;
  • Fortalecimento da agricultura familiar;
  • Preservação da biodiversidade;
  • Segurança hídrica;
  • Geração de renda para comunidades tradicionais.

A iniciativa também fortalece o conceito de “recaatingamento”, técnica baseada na regeneração da vegetação nativa associada ao desenvolvimento das populações locais.

Programa quer recuperar 10 milhões de hectares

O Programa Recaatingar nasce com uma meta ambiciosa: recuperar 10 milhões de hectares de áreas degradadas até 2045.

A proposta vai além do plantio de árvores. O programa pretende integrar:

  • Recuperação ambiental;
  • Construção de cisternas;
  • Segurança alimentar;
  • Tecnologias sociais;
  • Produção sustentável;
  • Geração de emprego e renda;
  • Inclusão produtiva das comunidades locais.

Segundo o governo federal, o objetivo é zerar o desmatamento líquido da Caatinga e ampliar a resiliência climática do Semiárido.

Nordeste recebe R$ 60 milhões para iniciar recuperação

Durante a cerimônia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste anunciaram o Edital Recaatingar.

A iniciativa disponibiliza R$ 60 milhões para projetos de recuperação ambiental em municípios considerados mais vulneráveis. Os recursos poderão beneficiar áreas localizadas em:

Estado
Alagoas
Bahia
Ceará
Minas Gerais
Paraíba
Pernambuco
Piauí
Rio Grande do Norte
Sergipe

Os investimentos serão direcionados para ações de restauração ecológica, manejo sustentável e fortalecimento das cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade.

Caatinga ganha importância econômica

O Consórcio Nordeste destacou que o novo marco legal representa também uma oportunidade econômica para a região.

Estudos recentes mostram que a Caatinga possui grande capacidade de captura e armazenamento de carbono, tornando-se um ativo estratégico para os mercados globais de crédito de carbono e investimentos climáticos.

Mesmo enfrentando longos períodos de estiagem, a vegetação nativa possui mecanismos naturais capazes de armazenar carbono no solo e contribuir para a redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Para o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, o recaatingamento passa a ser uma estratégia integrada de desenvolvimento regional.

“Hoje o Nordeste ganha um instrumento importante para posicionar a recuperação da Caatinga não apenas como uma agenda ambiental, mas também como uma estratégia econômica e social para toda a região”, afirmou.

Próximo passo é criar o Fundo Caatinga

Com a sanção da política nacional, o próximo objetivo defendido pelo Consórcio Nordeste é a criação do Fundo Caatinga. A proposta está sendo discutida com o Ministério do Meio Ambiente, Banco do Nordeste e Banco do Brasil. A intenção é criar uma estrutura permanente de financiamento para projetos ligados a:

  • Bioeconomia;
  • Reflorestamento;
  • Manejo sustentável;
  • Agricultura regenerativa;
  • Créditos de carbono;
  • Conservação ambiental.

O fundo poderá ampliar a capacidade do Nordeste de captar recursos internacionais voltados ao combate às mudanças climáticas.

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Bioma exclusivo do Brasil

A Caatinga ocupa aproximadamente 10% do território nacional e está presente em todos os estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais.

O bioma abriga mais de 28 milhões de habitantes e possui uma das maiores biodiversidades entre as regiões semiáridas do planeta. Apesar disso, enfrenta desafios históricos relacionados à desertificação, degradação do solo e escassez hídrica.

Portanto, com a nova política nacional e o Programa Recaatingar, o Governo Federal e os estados nordestinos apostam na recuperação ambiental como ferramenta para transformar a Caatinga em um dos principais vetores da economia verde brasileira.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.