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Arara-azul-de-lear: a joia rara da Caatinga e símbolo do sertão nordestino

Encontrada apenas no Nordeste brasileiro, espécie já foi uma das mais ameaçadas do mundo Poucas aves representam tão bem a beleza e a resistência do sertão nordestino quanto a arara-azul-de-lear. Com sua plumagem azul intensa, ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de junho de 2026 - às 04:24
Atualizado 8 de junho de 2026 - às 04:24
5 min de leitura
A população de arara-azul-de-lear tem pouco mais de 2 mil indivíduos, que em sua maioria vivem na Estação Ecológica do Raso da Catarina Foto Fábio Nunes
A população de arara-azul-de-lear tem pouco mais de 2 mil indivíduos, que em sua maioria vivem na Estação Ecológica do Raso da Catarina Foto Fábio Nunes

Encontrada apenas no Nordeste brasileiro, espécie já foi uma das mais ameaçadas do mundo

Poucas aves representam tão bem a beleza e a resistência do sertão nordestino quanto a arara-azul-de-lear. Com sua plumagem azul intensa, voo elegante e presença marcante em meio às paisagens da Caatinga, a espécie se tornou um dos maiores símbolos da biodiversidade do Nordeste e uma referência mundial em conservação ambiental.

A princípio, a destruição de habitats, a captura ilegal para o tráfico de animais silvestres e a redução das áreas de alimentação fizeram com que sua população chegasse a níveis críticos. Hoje, graças a um trabalho conjunto nos últimos anos, feito por pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades locais, a arara-azul-de-lear é considerada recuperada na fauna brasileira, mas muito ainda pode ser feito.

arara azul de lear ao público pela primeira vez foto Paulo Pinto Agência Brasil

Uma espécie exclusiva do Nordeste

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é uma espécie endêmica da Caatinga. Isso significa que ela só existe naturalmente em uma pequena região do sertão baiano.

Sendo assim, sua área de ocorrência está concentrada principalmente nos municípios de Canudos, Jeremoabo, Euclides da Cunha, Paulo Afonso, Santa Brígida e Raso da Catarina, no norte da Bahia.

Diferentemente da arara-azul-grande, encontrada no Pantanal e em partes da Amazônia, a arara-de-lear possui distribuição extremamente restrita, tornando sua preservação ainda mais importante.

A relação com o licuri

Um dos aspectos mais curiosos da espécie é sua forte dependência do licuri, uma pequena palmeira típica da Caatinga.

O fruto do licuri representa a principal fonte de alimentação da ave. Estima-se que uma única arara consuma centenas de cocos por dia para suprir suas necessidades energéticas.

Por isso, a preservação dos licurizais tornou-se uma das principais estratégias para garantir a sobrevivência da espécie.

Onde é mais fácil avistar a espécie

Embora a observação dependa de autorização e acompanhamento especializado, algumas regiões da Bahia se tornaram referências para o turismo de observação de aves.

Principais áreas de ocorrência

RegiãoDestaque
Canudos (BA)Principal área de observação
Raso da Catarina (BA)Habitat natural protegido
Jeremoabo (BA)Grandes dormitórios da espécie
Euclides da Cunha (BA)Rotas de alimentação
Estação Biológica de CanudosPesquisas e conservação

Os melhores horários para observação costumam ser ao amanhecer e no final da tarde, quando os bandos realizam deslocamentos entre áreas de alimentação e locais de descanso.

Uma recuperação que virou exemplo mundial

Nos anos 1980, acreditava-se que existiam menos de 100 indivíduos vivendo na natureza.

Contudo, o cenário começou a mudar com a criação de programas de conservação, fiscalização contra o tráfico de animais e recuperação das áreas de alimentação.

Hoje, a população ultrapassa 2 mil indivíduos, resultado considerado uma das maiores vitórias da conservação da fauna brasileira.

O trabalho envolveu instituições como o ICMBio, universidades, organizações ambientais e moradores das comunidades sertanejas.

Principais ameaças atuais

Apesar dos avanços, a arara-azul-de-lear ainda enfrenta desafios importantes.

Riscos para a espécie

AmeaçaImpacto
Desmatamento da CaatingaRedução do habitat
Corte de licurizeirosMenor oferta de alimento
Mudanças climáticasAlteração dos ciclos naturais
Tráfico de animaisCaptura ilegal
Expansão desordenada de atividades econômicasFragmentação do ambiente

Especialistas alertam que a preservação da espécie depende da continuidade dos programas ambientais e do envolvimento das comunidades locais.

Símbolo da Caatinga e do sertão

Mais do que uma ave rara, a arara-azul-de-lear tornou-se um símbolo da identidade sertaneja.

Sua imagem aparece em projetos de educação ambiental, campanhas de preservação e iniciativas de turismo sustentável. Assim, para muitos moradores do sertão baiano, a presença dos bandos colorindo o céu representa também um sinal de esperança para a conservação da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro.

foto João Quental

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Um patrimônio natural do Nordeste

Portanto, a história da arara-azul-de-lear mostra que a preservação ambiental pode gerar resultados concretos quando ciência, poder público e comunidades trabalham juntos.

Hoje, a ave não é apenas uma das espécies mais bonitas do Brasil. Afinal, ela se tornou um verdadeiro patrimônio natural do Nordeste, ajudando a mostrar ao mundo a riqueza ecológica da Caatinga e a importância de proteger um dos ecossistemas mais singulares do planeta.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.