Nova termelétrica Jandaia terá capacidade para abastecer milhões de residências na região
O Ceará deu mais um passo para consolidar sua posição como um dos principais polos energéticos do Brasil. O Governo do Estado lançou nesta semana a pedra fundamental da Usina Termelétrica Jandaia, empreendimento que receberá investimentos de R$ 5,5 bilhões no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, entre os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante.
Com capacidade instalada superior a 1,2 gigawatts (GW), a nova planta será uma das maiores termelétricas a gás natural do Nordeste e deverá iniciar operação comercial no primeiro semestre de 2029.
O projeto será desenvolvido pelas empresas Eneva e Diamante Energia após ter sido contratado no Leilão de Reserva de Capacidade promovido pelo Governo Federal em 2025, mecanismo criado para reforçar a segurança do sistema elétrico brasileiro diante do crescimento da demanda por energia.
Capacidade para abastecer milhões de pessoas
A potência de 1,2 GW coloca a UTE Jandaia entre os maiores empreendimentos termelétricos do país. Assim para efeito de comparação, essa capacidade seria suficiente para atender o consumo de energia de milhões de residências brasileiras, funcionando como importante fonte complementar ao sistema nacional, especialmente em períodos de seca que afetam a geração hidrelétrica.
Embora o Brasil avance rapidamente em fontes renováveis como solar e eólica, especialistas apontam que as termelétricas continuam desempenhando papel estratégico para garantir estabilidade ao sistema elétrico.
Novo terminal portuário será construído
Além da usina, o projeto inclui a construção do chamado Píer Zero, uma nova estrutura portuária no Porto do Pecém que receberá investimentos estimados em R$ 430 milhões.
O terminal será responsável pela recepção de navios carregados com Gás Natural Liquefeito (GNL), combustível utilizado na geração de energia da planta.
A estrutura contará com uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU), tecnologia que permite transformar o gás transportado em estado líquido novamente em gás para distribuição e consumo. Entretanto, a expectativa é que o novo terminal entre em operação em 2028.

Pecém se consolida como hub energético
O empreendimento fortalece uma estratégia que vem sendo construída há mais de uma década pelo Ceará. O Complexo do Pecém já abriga:
- Porto de águas profundas;
- Zona de Processamento de Exportação (ZPE);
- Grandes parques industriais;
- Projetos de hidrogênio verde;
- Infraestrutura para energia e logística;
- Operações ligadas à siderurgia e mineração.
Com a chegada da UTE Jandaia, o complexo amplia ainda mais sua relevância nacional no setor energético.
A previsão é que a planta consuma cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, criando uma infraestrutura que poderá atender também outros empreendimentos industriais instalados na região.
Gás também poderá abastecer novas indústrias
Um dos principais diferenciais do projeto é que a infraestrutura criada para a usina poderá beneficiar outros consumidores.
O gás natural que chegará ao Pecém poderá abastecer novas fábricas, projetos industriais e até outras termelétricas instaladas no complexo. Entre os empreendimentos que poderão utilizar essa estrutura está a UTE Termoceará, da Petrobras.
Especialistas avaliam que a ampliação da oferta de gás natural pode aumentar a competitividade industrial do Ceará e atrair novos investimentos para o estado.
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Geração de empregos
Durante a fase de construção, a expectativa é de geração de aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos. As oportunidades devem envolver profissionais das áreas de:
- Construção civil;
- Engenharia;
- Logística;
- Operação portuária;
- Energia;
- Serviços especializados.
Além das vagas temporárias, a operação da usina e do terminal deverá criar empregos permanentes ligados à manutenção e gestão dos ativos.
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Investimento reforça papel estratégico do Nordeste
A instalação da UTE Jandaia reforça uma tendência observada nos últimos anos: o Nordeste deixou de ser apenas consumidor de energia para se tornar protagonista da produção energética nacional.
Afinal, com parques eólicos, usinas solares, projetos de hidrogênio verde e agora grandes investimentos em gás natural, a região vem atraindo bilhões de reais em investimentos e consolidando sua importância para a segurança energética do Brasil.
Portanto, a expectativa do governo estadual é que a nova termelétrica represente não apenas um reforço ao sistema elétrico nacional, mas também uma nova etapa de industrialização e desenvolvimento econômico para o Ceará.



