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Fim da escala 6×1: Senado define cronograma de tramitação

A proposta que promete revolucionar as relações de trabalho no Brasil dá mais um passo importante nesta semana. O Senado Federal se reúne nesta terça-feira (9) para definir o cronograma de tramitação da PEC que acaba ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
9 de junho de 2026 - às 09:04
Atualizado 9 de junho de 2026 - às 09:04
6 min de leitura

A proposta que promete revolucionar as relações de trabalho no Brasil dá mais um passo importante nesta semana. O Senado Federal se reúne nesta terça-feira (9) para definir o cronograma de tramitação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo o salário integral do trabalhador.

Aprovada no fim de maio pela Câmara dos Deputados, a matéria agora enfrenta seu segundo grande desafio legislativo. E o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já deixou claro: a proposta não será apressada.

“O Senado precisa ouvir todos os setores envolvidos” – Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

O que muda com a PEC?

Ao mesmo tempo, a proposta altera profundamente a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. Veja o comparativo entre a regra atual e o que está sendo proposto:

AspectoRegra atual (CLT)O que a PEC propõe
Jornada semanal44 horas40 horas (redução de 4 horas)
Descanso semanal1 dia obrigatório2 dias obrigatórios
Escala comum6×1 (seis dias trabalho, um descanso)5×2 (cinco dias trabalho, dois descanso)
SalárioMantidoMantido (sem redução)
Redução de horasSem previsão legalRedução sem compensação ou corte salarial

Na prática: Quem trabalhava de segunda a sábado, com folga apenas no domingo, passará a ter dois dias de descanso consecutivos ou alternados (a definir em regulamentação), trabalhando no máximo 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira.

O cronograma da tramitação no Senado

A PEC chegou ao Senado no dia 28 de maio, mas ainda não teve andamento por causa do feriado prolongado de Corpus Christi. Nesta semana, os trabalhos serão retomados com força total.

EtapaPrevisãoDetalhes
Reunião de líderesTerça-feira (9)Definição do ritmo de tramitação e das comissões que analisarão o texto
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)A partir de junhoPrimeira análise, sob relatoria de Otto Alencar (PSD-BA). Avalia constitucionalidade e juridicidade
Outras comissões temáticasJunho/julhoDependendo do entendimento, o texto pode passar por comissões como Assuntos Sociais (CAS)
Votação no plenário do Senado (1º turno)Estimativa: julhoNecessário 49 votos (3/5 dos senadores)
Votação no plenário do Senado (2º turno)Estimativa: julhoNecessário novamente 49 votos
Sanção/promulgaçãoApós aprovaçãoSe aprovada sem alterações, segue para promulgação. Se houver mudanças, volta à Câmara

A expectativa de setores favoráveis à proposta é que a PEC seja aprovada até meados de julho. No entanto, Alcolumbre sinalizou que a análise pode se estender “pelos próximos meses”, já que o Senado quer ouvir empresários, trabalhadores, sindicatos e especialistas.

“A PEC não será analisada diretamente pelo plenário da Casa e terá de passar pelas comissões” – Davi Alcolumbre.

O que acontece se o Senado mudar o texto?

Atenção: se os senadores aprovarem a PEC com qualquer alteração em relação ao texto que veio da Câmara, a proposta retorna para a Câmara dos Deputados para nova votação. Nesse caso, os deputados terão a palavra final — podendo manter as mudanças ou restaurar o texto original.

Isso significa que, quanto mais fiel ao texto original, mais rápido a PEC será promulgada. Mudanças substanciais podem atrasar (ou até inviabilizar) a aprovação ainda em 2026.

Enquanto isso, outra PEC importante na pauta

A CCJ do Senado também vota nesta quarta-feira (10) uma proposta de grande impacto para a economia: a PEC da autonomia financeira do Banco Central.

De autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), o texto cria um regime jurídico próprio para o BC, transformando-o em entidade pública de natureza especial. Na prática:

AspectoO que muda
Autonomia orçamentáriaO BC não dependerá mais do Orçamento da União. Terá receitas próprias e poderá gerir seus recursos sem interferência do governo federal
Autonomia financeiraPoderá definir suas próprias despesas administrativas e de pessoal, dentro dos limites legais
Poder de políciaMantém e reforça sua capacidade de regulação, supervisão e resolução do sistema financeiro
Mandatos fixosJá existentes desde 2021 (LC 179), mas agora blindados por uma camada constitucional

O relator da PEC no Senado é o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que é favorável à proposta. Segundo ele, embora o BC já conte com autonomia operacional, sua dependência do Orçamento da União o sujeita a limitações administrativas e financeiras impostas pelo governo federal.

A PEC não altera, no entanto, o sistema de nomeação: o presidente e os diretores do BC continuarão sendo indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado, com mandatos fixos que os protegem de demissões políticas.

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Resumo para o trabalhador

Se você é um dos milhões de brasileiros que trabalham em escala 6×1, com apenas um dia de folga por semana, as próximas semanas serão decisivas para sua rotina.

O que a PEC promete:

  • Dois dias de descanso por semana
  • Jornada máxima de 40 horas semanais (contra 44 atuais)
  • Sem redução salarial
  • Fim da escala 6×1

 O que ainda falta:

  • Aprovação no Senado (duas votações em plenário)
  • Possível ida e volta entre Câmara e Senado se houver alterações
  • Prazo estimado: aprovação até meados de julho, se tudo correr bem

O presidente do Senado já sinalizou que o debate será amplo e democrático, mas também admitiu que isso pode alongar a tramitação. A expectativa é que a pressão da sociedade civil e dos movimentos pró-aprovação acelere o ritmo.

A semana promete ser quente no Congresso Nacional. E o descanso semanal dos trabalhadores brasileiros está na berlinda.

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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.