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Música brasileira cresce no streaming; Conheça o Festival Sangue Novo

Mercado de música digital cresce no Brasil enquanto festivais como o Sangue Novo ajudam artistas a encontrar público e ampliar a circulação A música brasileira ganhou ainda mais espaço nas plataformas digitais e abriu novas ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de setembro de 2026 - às 14:55
Atualizado 28 de setembro de 2026 - às 14:55
7 min de leitura

Mercado de música digital cresce no Brasil enquanto festivais como o Sangue Novo ajudam artistas a encontrar público e ampliar a circulação

A música brasileira ganhou ainda mais espaço nas plataformas digitais e abriu novas possibilidades para artistas que estão construindo carreira. Em 2025, artistas brasileiros geraram cerca de R$ 2 bilhões em royalties no Spotify, valor 24% superior ao registrado no ano anterior, segundo o Relatório Mercado Brasileiro de Música 2025, da Pró-Música Brasil.

O levantamento também mostra outro movimento importante: mais que dobrou, em três anos, o número de artistas brasileiros que ultrapassaram R$ 1 milhão em royalties na plataforma.

A princípio, os números ajudam a dimensionar o tamanho que o streaming alcançou na indústria musical. Entretanto, antes de uma música chegar a milhões de reproduções, existe outro caminho: palco, público, circulação e descoberta.

É justamente nesse espaço que entram festivais como o Sangue Novo, que chega à oitava edição em outubro, em Salvador.

Streaming amplia o mercado para a música brasileira

O crescimento dos royalties mostra como as plataformas passaram a representar uma fonte relevante de receita para artistas brasileiros.

Além disso, o avanço não acontece apenas entre os nomes já conhecidos. A própria expansão do número de artistas que ultrapassam a marca de R$ 1 milhão em royalties indica que mais profissionais conseguem transformar audiência digital em receita.

O streaming, portanto, mudou uma parte importante da lógica da indústria.

Antes, o alcance de um artista dependia muito mais da presença em rádio, televisão, grandes gravadoras e circuitos tradicionais de shows. Agora, uma música pode encontrar públicos em diferentes regiões do país — e até fora dele — a partir das plataformas digitais.

Ainda assim, o caminho até esse público continua dependendo de oportunidades de apresentação e circulação.

É nesse ponto que entra o Festival Sangue Novo

Em Salvador, o Festival Sangue Novo construiu, ao longo de oito edições, uma proposta voltada à música contemporânea e à descoberta de artistas.

Mais de 75 artistas já passaram pelo festival desde sua criação. Entre eles estão nomes como Linn da Quebrada, Jaloo, Hiran, Majur, Jota.pê, Marina Sena, Xênia França, Tássia Reis, FBC, Flora Matos, Tuyo, Bala Desejo, Josyara e Tulipa Ruiz.

Além disso, o histórico mostra que o festival reúne artistas em diferentes momentos de suas trajetórias e cria um ambiente para novas conexões com o público.

A ideia, portanto, vai além de simplesmente montar um line-up.

O palco como porta de entrada para novos públicos

A curadora Fernanda Bezerra explica que a descoberta de um artista pode começar justamente em uma apresentação.

“Um festival pode ser uma porta de entrada. Às vezes, aquele é o primeiro contato de uma pessoa com um artista que depois ela vai acompanhar, ouvir nas plataformas, procurar em outros shows.”

Nesse sentido, o palco e o streaming funcionam de maneira complementar.

Primeiro, o público conhece o artista em uma apresentação. Depois, pode procurar suas músicas nas plataformas, acompanhar as redes sociais e descobrir outros trabalhos.

Assim, uma apresentação pode gerar uma nova audiência digital, enquanto o crescimento nas plataformas também pode abrir espaço para novos shows e festivais.

Música baiana também ganha circulação fora da Bahia

O Sangue Novo também ampliou sua atuação para além de Salvador.

Em 2024, o festival realizou uma edição em Brasília, levando artistas baianas como Larissa Luz, Majur, Rachel Reis e Xênia França para outro público.

O movimento mostra como os festivais podem funcionar como ferramentas de circulação cultural.

Ao mesmo tempo, eles ajudam a conectar artistas de diferentes regiões e aproximam cenas musicais que nem sempre dividem os mesmos palcos.

Aya Bass nasceu de um encontro entre artistas

Um dos exemplos ligados ao festival é o Aya Bass, projeto formado por Luedji Luna, Xênia França e Larissa Luz.

A proposta reuniu três artistas com carreiras próprias em um novo formato de apresentação.

Esse tipo de encontro mostra outra função que festivais podem exercer: criar oportunidades para experimentação e colaboração entre artistas.

Em vez de apenas apresentar trabalhos individuais, o palco também pode funcionar como espaço para testar novas ideias e formatos.

Sangue Novo chega à oitava edição em outubro

A próxima edição do festival acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Trapiche Barnabé, em Salvador.

A programação de 2026 reúne 13 atrações distribuídas entre os palcos TIM e Maré. Entre os nomes confirmados estão Céu, Rachel Reis, Zaynara, Juliana Linhares, Bia Soull, Getúlio Abelha, Zé Ibarra e Guigga Maraká, além de Brega a Dois, Totô de Babalong e os DJs Nate Mônaco, Ubunto e Rick Nogueira.

A programação reúne diferentes estilos, como MPB, funk, reggae, axé, tecnobrega, jazz, pop, forró eletrônico, piseiro e beat melody.

Programação do Festival Sangue Novo 2026

DataPalco TIMPalco Maré
17/10Guigga Maraká, Juliana Linhares, Zaynara e CéuBrega a Dois e Totô de Babalong
18/10Bia Soull, Getúlio Abelha, Zé Ibarra e Rachel ReisDJ Nate Mônaco, Ubunto e DJ Rick Nogueira

A organização informa que o festival mantém uma curadoria voltada à diversidade e à música independente. Na descrição oficial do evento, 60% das atrações são da região Nordeste.

Nordeste aparece como espaço de descoberta

A realização do Sangue Novo em Salvador também reforça um movimento importante para a música brasileira: o Nordeste não aparece apenas como mercado consumidor, mas também como território de criação e lançamento de artistas.

Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará e outros estados aparecem conectados na programação deste ano, aproximando diferentes cenas e gêneros musicais.

Ao mesmo tempo, o crescimento do streaming permite que essas produções encontrem ouvintes fora de seus territórios de origem.

É justamente essa combinação que cria um novo caminho para quem está começando: um artista pode nascer em uma cena local, conquistar público em um festival, ampliar sua circulação e transformar essa audiência em ouvintes nas plataformas digitais.

foto @trapichebarnabeoficial

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O crescimento dos royalties mostra que o streaming já movimenta valores relevantes para a música brasileira.

Porém, os números também ajudam a lembrar que uma carreira musical não começa necessariamente em uma plataforma. Muitas vezes, ela começa em um pequeno palco, em um festival, em uma cena local ou no encontro entre artistas.

Depois, esse público pode acompanhar o artista nas plataformas, compartilhar suas músicas e ampliar o alcance de sua produção.

O movimento funciona nos dois sentidos. O palco ajuda a criar público para o streaming. E o streaming ajuda a levar artistas para novos palcos.

No Nordeste, festivais como o Sangue Novo ocupam justamente esse espaço de conexão entre artistas, público, território e mercado musical.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.