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Royalties do petróleo: julgamento no STF pode mandar bilhões para o Nordeste

A lei 12.734 aprovada pelo Congresso em 2012 modificou os critérios de partilha dos royalties e das participações especiais na exploração de óleo e gás.
Eliseu Lins, da Agência NE9
7 de maio de 2026 - às 11:02
Atualizado 7 de maio de 2026 - às 11:02
3 min de leitura
Bacia-de-Petroleo-e-Gas-de-Sergipe-Alagoas-SE-AL-foi-reconhecida-como-um-dos-20-campos-offshore-mais-promissores-do-segmento
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Nova divisão pode aumentar drasticamente receitas de estados não produtores, como Piauí e outros do Nordeste

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a redistribuição dos royalties do petróleo pode provocar uma mudança histórica na economia do Nordeste.

Em discussão está a validação da Lei 12.734, que altera a divisão dos recursos da exploração de petróleo e gás no Brasil — tema travado há mais de uma década.

O que está sendo julgado

O STF analisa se mantém ou derruba a liminar que, desde 2013, suspende a nova regra de distribuição dos royalties. A lei 12.734 aprovada pelo Congresso em 2012 modificou os critérios de partilha dos royalties e das participações especiais na exploração de óleo e gás.

Atualmente:

  • Estados produtores concentram a maior parte dos recursos
  • Estados não produtores recebem uma fatia menor
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Como é hoje x como pode ficar

Destino dos royaltiesRegra atualNova regra (se aprovada)
União~30%20%
Estados produtores~61%26% (com transição)
Estados não produtores8,75%54%

A mudança amplia significativamente a participação de estados como os do Nordeste.

Impacto direto no Nordeste

Estados nordestinos, em sua maioria não produtores, estão entre os maiores beneficiados.

Segundo o governador do Piauí, Rafael Fonteles:

“Se a lei prevalecer, o Piauí poderia receber bilhões de reais por ano, destinados à saúde, educação e desenvolvimento econômico”.

A estimativa citada é de até R$ 4 bilhões anuais para o estado.

O que muda na prática

Caso a lei seja validada:

Estados do Nordeste poderão:

  • Aumentar receitas de forma significativa
  • Investir mais em infraestrutura
  • Reforçar serviços públicos
  • Reduzir desigualdades regionais

Redistribuição de riqueza nacional

O principal argumento por trás da mudança é o caráter coletivo dos recursos.

Como destacou Rafael Fonteles:

“Essa riqueza pertence ao povo brasileiro como um todo”.

Ou seja, a proposta busca distribuir melhor os ganhos da exploração de petróleo entre todos os estados.

Quem perde e quem ganha

👉 Ganham:

  • Estados não produtores (maioria do Nordeste)
  • Municípios fora da rota do petróleo

👉 Perdem participação:

  • Estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo

Por que isso demorou tanto

A lei foi aprovada em 2012, mas nunca entrou plenamente em vigor.

👉 Motivo:

  • Suspensão por decisão liminar no STF
  • Disputa entre estados produtores e não produtores

👉 Agora, após 13 anos, o tema volta à pauta.

Oportunidade histórica para o Nordeste

A redistribuição pode representar uma mudança estrutural na região.

👉 Com mais recursos, estados nordestinos poderiam:

  • Ampliar investimentos públicos
  • Atrair novos negócios
  • Fortalecer economias locais

No fim das contas, o julgamento pode redefinir o mapa econômico do Brasil. Portanto, pela primeira vez, o Nordeste pode passar a ter uma fatia muito maior de uma das principais riquezas do país.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.