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Frutas, mel e celulose do Nordeste ganham o mercado da Europa

As exportações do Nordeste para a União Europeia somaram US$ 782,5 milhões em maio e junho de 2026, com crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ganha importância com ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
3 de novembro de 2026 - às 06:49
Atualizado 3 de novembro de 2026 - às 06:49
8 min de leitura
Produção de frutas em área irrigada do Nordeste brasileiro, setor com potencial de exportação para a União Europeia.
A fruticultura é o principal gerador de empregos em diversas cidades como Petrolina. Foto: Ascom/Seagri

As exportações do Nordeste para a União Europeia somaram US$ 782,5 milhões em maio e junho de 2026, com crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ganha importância com o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução ou eliminação gradual de tarifas para diversos produtos.

A região reúne cadeias produtivas com potencial para ampliar as vendas ao mercado europeu, especialmente na fruticultura, apicultura, indústria de celulose, mineração e produção agrícola.

Além disso, dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras dos produtos beneficiados pelas novas condições tarifárias cresceram 21% entre maio e setembro, na comparação com os mesmos meses de 2025.

A princípio, o levantamento indica que o acordo começa a abrir oportunidades para empresas brasileiras. Entretanto, os números também mostram que cada estado nordestino participa desse comércio de maneira diferente.

Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a ter aplicação provisória em 1º de maio de 2026. Desde então, determinados produtos brasileiros passaram a contar com redução ou eliminação de tarifas para entrar no mercado europeu.

Nos primeiros cinco meses, entre maio e setembro, as exportações brasileiras dos produtos contemplados cresceram 21%, segundo o MDIC.

Entre os maiores avanços estão produtos agrícolas e industriais:

ProdutoCrescimento das exportações
Abacates frescos+421%
Mel+367%
Óleo de milho+266%
Ferrossilício-manganês+173%
Alumínio em bruto+107%
Óleos combustíveis+102%
Etanol+95,2%
Óleo essencial de laranja+75,8%
Maçãs frescas+29%

Outro destaque veio da indústria. As exportações brasileiras de transformadores elétricos, que não registraram vendas no período equivalente de 2025, chegaram a US$ 39 milhões entre maio e setembro de 2026.

É importante destacar, porém, que os 21% representam o crescimento do conjunto de produtos beneficiados pelo acordo. Portanto, o índice não corresponde ao aumento de todas as exportações brasileiras para a União Europeia.

Agronegócio brasileiro vende US$ 12,21 bilhões à União Europeia

Outro levantamento, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em 1º de novembro, reforça a importância do mercado europeu para o agronegócio brasileiro.

Entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais para a União Europeia alcançaram US$ 12,21 bilhões, com crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O volume embarcado também avançou: o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas, alta de 8,1%.

Entre os setores que ampliaram as vendas estão produtos apícolas, frutas, carnes, soja e produtos florestais.

Esse resultado oferece outro indicador da dimensão do mercado europeu, embora considere um conjunto mais amplo de produtos do agronegócio e não apenas aqueles beneficiados pelas novas tarifas.

Quanto o Nordeste exporta para a União Europeia?

O levantamento regional publicado pelo Movimento Econômico, com dados do sistema Comex Stat, do MDIC, identificou US$ 782,5 milhões em exportações nordestinas para a União Europeia nos meses de maio e junho de 2026.

Na comparação com o mesmo bimestre de 2025, o crescimento chegou a 16,3%.

O resultado mostra a presença de diferentes atividades econômicas na pauta regional. Enquanto Pernambuco e Rio Grande do Norte se destacam pela fruticultura, Maranhão e Bahia têm participação importante nas exportações de produtos industriais e matérias-primas.

Veja alguns destaques:

EstadoProdutos e setores em destaque
PernambucoFrutas e nozes: US$ 32,2 milhões
Rio Grande do NorteMelões, melancias e mamões
ParaíbaSucos e frutas
MaranhãoCelulose: US$ 104,5 milhões
BahiaFarelos de soja: US$ 90,5 milhões; minérios de cobre: US$ 83,8 milhões

Os dados regionais correspondem exclusivamente a maio e junho. Portanto, não devem ser comparados diretamente com os números nacionais acumulados até setembro.

Frutas nordestinas podem ampliar espaço no mercado europeu

A fruticultura representa uma das principais oportunidades comerciais para o Nordeste.

Pernambuco e Rio Grande do Norte possuem cadeias produtivas voltadas ao mercado internacional, com destaque para melão, melancia, mamão, manga e uva.

No Rio Grande do Norte, a produção de frutas irrigadas tem forte presença na pauta exportadora. Já em Pernambuco, o Vale do São Francisco reúne uma estrutura consolidada de produção e comercialização de frutas frescas.

O crescimento de 421% nas exportações brasileiras de abacates frescos também chama a atenção. Entretanto, esse percentual é nacional e não comprova que a expansão tenha ocorrido especificamente nos estados nordestinos.

Mesmo assim, o resultado indica uma oportunidade para produtores e empresas da região avaliarem a entrada ou a ampliação de negócios no mercado europeu.

Mel também aparece entre os produtos com maior crescimento

A apicultura nordestina também pode aproveitar as oportunidades comerciais.

O Brasil registrou crescimento de 367% nas exportações de mel beneficiadas pelo acordo, segundo o MDIC. O Nordeste possui uma cadeia apícola relevante, especialmente em estados como Piauí, Ceará e Bahia.

A atividade envolve pequenos produtores, cooperativas, associações e empresas exportadoras. Por isso, a ampliação do acesso ao mercado europeu pode estimular investimentos em produção, processamento, certificação e logística.

Entretanto, para aproveitar as condições comerciais, os exportadores precisam cumprir as exigências sanitárias, de qualidade e de origem estabelecidas pelos compradores e pelas autoridades europeias.

Produção de mel no Piauí. Foto_ Secom-PI
Produção de mel no Piauí. Foto_ Secom-PI

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Celulose, mineração e indústria também movimentam as exportações

O comércio com a União Europeia não depende apenas da produção agrícola.

No Maranhão, a celulose aparece como um dos principais produtos exportados para o bloco. O estado registrou US$ 104,5 milhões em vendas desse segmento durante maio e junho de 2026.

Na Bahia, os farelos de soja movimentaram US$ 90,5 milhões, enquanto os minérios de cobre alcançaram US$ 83,8 milhões no mesmo período.

Esses números mostram que a pauta exportadora nordestina reúne diferentes atividades, desde produtos agrícolas até matérias-primas e bens industriais.

Além disso, o crescimento nacional das vendas de transformadores elétricos demonstra que o acordo também pode abrir oportunidades para segmentos industriais brasileiros.

O que o acordo comercial muda para as empresas nordestinas?

A redução de tarifas pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu. Na prática, isso pode diminuir custos de entrada, ampliar margens comerciais e facilitar a conquista de novos compradores.

Entretanto, os benefícios não são automáticos para todas as mercadorias.

Cada produto possui condições específicas de acesso, cronogramas de redução tarifária e regras de origem. Alguns segmentos também precisam cumprir exigências sanitárias, ambientais, técnicas e de rastreabilidade.

Por isso, empresas nordestinas interessadas em exportar precisam verificar:

  • Tarifas aplicáveis: quais produtos já contam com redução ou eliminação de impostos.
  • Regras de origem: quais critérios a mercadoria precisa cumprir para receber o benefício.
  • Exigências sanitárias: quais certificados e controles o mercado europeu exige.
  • Logística: como organizar transporte, armazenamento e embarque.
  • Mercado consumidor: quais países europeus apresentam maior demanda pelo produto.

O MDIC disponibiliza orientações e materiais técnicos no Portal Siscomex, incluindo manuais de regras de origem, desgravação tarifária e tabelas de preferências comerciais.

Nordeste tem oportunidade de diversificar os mercados internacionais

Portanto, os primeiros resultados mostram que o Nordeste já possui participação relevante no comércio com a União Europeia. Além disso, a variedade de produtos exportados indica oportunidades para diferentes cadeias produtivas.

A fruticultura irrigada de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, a apicultura do semiárido, a celulose do Maranhão e os produtos agrícolas e minerais da Bahia podem ganhar espaço à medida que as empresas aproveitem as condições negociadas.

Entretanto, o crescimento dependerá da capacidade de atender às exigências europeias, ampliar a produção e conquistar novos compradores.

Com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores na União Europeia, o acordo comercial abre uma possibilidade importante para os exportadores brasileiros. Para o Nordeste, o desafio agora é transformar as novas condições de acesso em negócios, investimentos e oportunidades de geração de renda.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.