As exportações do Nordeste para a União Europeia somaram US$ 782,5 milhões em maio e junho de 2026, com crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ganha importância com o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução ou eliminação gradual de tarifas para diversos produtos.
A região reúne cadeias produtivas com potencial para ampliar as vendas ao mercado europeu, especialmente na fruticultura, apicultura, indústria de celulose, mineração e produção agrícola.
Além disso, dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras dos produtos beneficiados pelas novas condições tarifárias cresceram 21% entre maio e setembro, na comparação com os mesmos meses de 2025.
A princípio, o levantamento indica que o acordo começa a abrir oportunidades para empresas brasileiras. Entretanto, os números também mostram que cada estado nordestino participa desse comércio de maneira diferente.
Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações brasileiras
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a ter aplicação provisória em 1º de maio de 2026. Desde então, determinados produtos brasileiros passaram a contar com redução ou eliminação de tarifas para entrar no mercado europeu.
Nos primeiros cinco meses, entre maio e setembro, as exportações brasileiras dos produtos contemplados cresceram 21%, segundo o MDIC.
Entre os maiores avanços estão produtos agrícolas e industriais:
| Produto | Crescimento das exportações |
|---|---|
| Abacates frescos | +421% |
| Mel | +367% |
| Óleo de milho | +266% |
| Ferrossilício-manganês | +173% |
| Alumínio em bruto | +107% |
| Óleos combustíveis | +102% |
| Etanol | +95,2% |
| Óleo essencial de laranja | +75,8% |
| Maçãs frescas | +29% |
Outro destaque veio da indústria. As exportações brasileiras de transformadores elétricos, que não registraram vendas no período equivalente de 2025, chegaram a US$ 39 milhões entre maio e setembro de 2026.
É importante destacar, porém, que os 21% representam o crescimento do conjunto de produtos beneficiados pelo acordo. Portanto, o índice não corresponde ao aumento de todas as exportações brasileiras para a União Europeia.
Agronegócio brasileiro vende US$ 12,21 bilhões à União Europeia
Outro levantamento, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em 1º de novembro, reforça a importância do mercado europeu para o agronegócio brasileiro.
Entre maio e setembro de 2026, as exportações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais para a União Europeia alcançaram US$ 12,21 bilhões, com crescimento de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025.
O volume embarcado também avançou: o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas, alta de 8,1%.
Entre os setores que ampliaram as vendas estão produtos apícolas, frutas, carnes, soja e produtos florestais.
Esse resultado oferece outro indicador da dimensão do mercado europeu, embora considere um conjunto mais amplo de produtos do agronegócio e não apenas aqueles beneficiados pelas novas tarifas.
Quanto o Nordeste exporta para a União Europeia?
O levantamento regional publicado pelo Movimento Econômico, com dados do sistema Comex Stat, do MDIC, identificou US$ 782,5 milhões em exportações nordestinas para a União Europeia nos meses de maio e junho de 2026.
Na comparação com o mesmo bimestre de 2025, o crescimento chegou a 16,3%.
O resultado mostra a presença de diferentes atividades econômicas na pauta regional. Enquanto Pernambuco e Rio Grande do Norte se destacam pela fruticultura, Maranhão e Bahia têm participação importante nas exportações de produtos industriais e matérias-primas.
Veja alguns destaques:
| Estado | Produtos e setores em destaque |
|---|---|
| Pernambuco | Frutas e nozes: US$ 32,2 milhões |
| Rio Grande do Norte | Melões, melancias e mamões |
| Paraíba | Sucos e frutas |
| Maranhão | Celulose: US$ 104,5 milhões |
| Bahia | Farelos de soja: US$ 90,5 milhões; minérios de cobre: US$ 83,8 milhões |
Os dados regionais correspondem exclusivamente a maio e junho. Portanto, não devem ser comparados diretamente com os números nacionais acumulados até setembro.
Frutas nordestinas podem ampliar espaço no mercado europeu
A fruticultura representa uma das principais oportunidades comerciais para o Nordeste.
Pernambuco e Rio Grande do Norte possuem cadeias produtivas voltadas ao mercado internacional, com destaque para melão, melancia, mamão, manga e uva.
No Rio Grande do Norte, a produção de frutas irrigadas tem forte presença na pauta exportadora. Já em Pernambuco, o Vale do São Francisco reúne uma estrutura consolidada de produção e comercialização de frutas frescas.
O crescimento de 421% nas exportações brasileiras de abacates frescos também chama a atenção. Entretanto, esse percentual é nacional e não comprova que a expansão tenha ocorrido especificamente nos estados nordestinos.
Mesmo assim, o resultado indica uma oportunidade para produtores e empresas da região avaliarem a entrada ou a ampliação de negócios no mercado europeu.




Mel também aparece entre os produtos com maior crescimento
A apicultura nordestina também pode aproveitar as oportunidades comerciais.
O Brasil registrou crescimento de 367% nas exportações de mel beneficiadas pelo acordo, segundo o MDIC. O Nordeste possui uma cadeia apícola relevante, especialmente em estados como Piauí, Ceará e Bahia.
A atividade envolve pequenos produtores, cooperativas, associações e empresas exportadoras. Por isso, a ampliação do acesso ao mercado europeu pode estimular investimentos em produção, processamento, certificação e logística.
Entretanto, para aproveitar as condições comerciais, os exportadores precisam cumprir as exigências sanitárias, de qualidade e de origem estabelecidas pelos compradores e pelas autoridades europeias.

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Celulose, mineração e indústria também movimentam as exportações
O comércio com a União Europeia não depende apenas da produção agrícola.
No Maranhão, a celulose aparece como um dos principais produtos exportados para o bloco. O estado registrou US$ 104,5 milhões em vendas desse segmento durante maio e junho de 2026.
Na Bahia, os farelos de soja movimentaram US$ 90,5 milhões, enquanto os minérios de cobre alcançaram US$ 83,8 milhões no mesmo período.
Esses números mostram que a pauta exportadora nordestina reúne diferentes atividades, desde produtos agrícolas até matérias-primas e bens industriais.
Além disso, o crescimento nacional das vendas de transformadores elétricos demonstra que o acordo também pode abrir oportunidades para segmentos industriais brasileiros.
O que o acordo comercial muda para as empresas nordestinas?
A redução de tarifas pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu. Na prática, isso pode diminuir custos de entrada, ampliar margens comerciais e facilitar a conquista de novos compradores.
Entretanto, os benefícios não são automáticos para todas as mercadorias.
Cada produto possui condições específicas de acesso, cronogramas de redução tarifária e regras de origem. Alguns segmentos também precisam cumprir exigências sanitárias, ambientais, técnicas e de rastreabilidade.
Por isso, empresas nordestinas interessadas em exportar precisam verificar:
- Tarifas aplicáveis: quais produtos já contam com redução ou eliminação de impostos.
- Regras de origem: quais critérios a mercadoria precisa cumprir para receber o benefício.
- Exigências sanitárias: quais certificados e controles o mercado europeu exige.
- Logística: como organizar transporte, armazenamento e embarque.
- Mercado consumidor: quais países europeus apresentam maior demanda pelo produto.
O MDIC disponibiliza orientações e materiais técnicos no Portal Siscomex, incluindo manuais de regras de origem, desgravação tarifária e tabelas de preferências comerciais.
Nordeste tem oportunidade de diversificar os mercados internacionais
Portanto, os primeiros resultados mostram que o Nordeste já possui participação relevante no comércio com a União Europeia. Além disso, a variedade de produtos exportados indica oportunidades para diferentes cadeias produtivas.
A fruticultura irrigada de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, a apicultura do semiárido, a celulose do Maranhão e os produtos agrícolas e minerais da Bahia podem ganhar espaço à medida que as empresas aproveitem as condições negociadas.
Entretanto, o crescimento dependerá da capacidade de atender às exigências europeias, ampliar a produção e conquistar novos compradores.
Com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores na União Europeia, o acordo comercial abre uma possibilidade importante para os exportadores brasileiros. Para o Nordeste, o desafio agora é transformar as novas condições de acesso em negócios, investimentos e oportunidades de geração de renda.



