Projeto apresentado em Londres fomenta hidrogênio verde, fertilizantes, baterias e inteligência artificial de baixo carbono
O Nordeste brasileiro deu mais um passo para se consolidar como protagonista da economia verde mundial. Durante a London Climate Action Week, em Londres, o Fórum Powershoring apresentou a investidores internacionais um plano para atrair R$ 70 bilhões em investimentos até 2030, voltados à implantação de novas indústrias sustentáveis na região.
A iniciativa reúne o Consórcio Nordeste, o Banco do Brasil e o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e busca posicionar os nove estados nordestinos como um dos principais destinos globais para empresas que desejam produzir utilizando energia renovável.
Parte desses investimentos poderá ser viabilizada pelo 5º Leilão EcoInvest Brasil, lançado pelo Ministério da Fazenda, que sozinho pretende mobilizar cerca de R$ 50 bilhões para financiar projetos ligados à transição energética.
Nordeste quer liderar a nova revolução industrial
A proposta apresentada aos investidores europeus vai muito além da produção de energia eólica e solar.
O objetivo agora é fazer com que grandes indústrias instalem suas fábricas no Nordeste para aproveitar a abundância de energia limpa produzida na região, reduzindo custos e emissões de carbono.
O conceito, conhecido internacionalmente como Powershoring, consiste justamente em deslocar cadeias industriais de alto consumo energético para regiões que oferecem energia renovável abundante e competitiva.
Segundo o presidente do Consórcio Nordeste e governador de Alagoas, Paulo Dantas, o momento representa uma oportunidade histórica.
“A transição energética global abriu uma oportunidade histórica para o Nordeste. A região está preparada para liderar essa nova etapa da industrialização brasileira baseada em energia renovável, inovação e baixo carbono.”
Projetos estratégicos que podem transformar o Nordeste
Os recursos deverão priorizar cadeias industriais consideradas essenciais para a economia do futuro.
Áreas prioritárias dos investimentos
| Cadeia produtiva | Potencial para o Nordeste |
|---|---|
| Hidrogênio verde | Exportação para Europa e indústria nacional |
| Fertilizantes verdes | Redução da dependência de importações |
| Combustíveis sustentáveis | Aviação e transporte marítimo |
| Inteligência Artificial e automação | Modernização industrial |
| Baterias e veículos elétricos | Nova indústria automotiva |
| Beneficiamento de minerais críticos | Agregação de valor à mineração |
| Química verde | Produção de novos materiais sustentáveis |
| Economia circular | Reaproveitamento de resíduos industriais |
Estados já saem na frente
Embora o projeto envolva todo o Nordeste, alguns estados já concentram grandes investimentos e podem ser os primeiros beneficiados.
| Estado | Destaques |
| Ceará | Hub de Hidrogênio Verde do Porto do Pecém |
| Pernambuco | Complexo Industrial de Suape e indústria naval |
| Bahia | Polo petroquímico de Camaçari e Porto Sul |
| Piauí | Porto Piauí e projetos de amônia verde |
| Rio Grande do Norte | Energia eólica offshore e hidrogênio verde |
| Maranhão | Porto do Itaqui e produção de combustíveis sustentáveis |
Mais empregos e menos emissões
Além de fortalecer a economia regional, a expectativa é que os projetos contribuam para evitar a emissão de aproximadamente 100 milhões de toneladas de CO₂ por ano, colocando o Nordeste entre as principais regiões do planeta na produção industrial de baixo carbono.
A previsão também é de geração de milhares de empregos qualificados nas áreas de engenharia, tecnologia, indústria química, logística, pesquisa e inovação.
Banco do Brasil aposta no potencial nordestino
O vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, destacou que o banco pretende atuar como articulador dos investimentos.
Segundo ele, o objetivo é conectar capital internacional, inovação e infraestrutura para transformar a energia renovável produzida no Nordeste em competitividade industrial.
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O Nordeste muda de posição na economia mundial
Durante décadas, o Nordeste foi visto principalmente como produtor de energia renovável.
Afinal, agora, a estratégia é diferente: utilizar essa energia para atrair fábricas, desenvolver tecnologia, agregar valor à produção e transformar a região em um dos maiores polos industriais verdes do planeta.
Portanto, caso as metas sejam alcançadas, os investimentos previstos poderão representar uma das maiores ondas de industrialização do Nordeste desde a implantação dos polos petroquímicos e industriais nas últimas décadas.



