Estrutura instalada no fundo do mar prepara futuro ramal que ligará a capital maranhense a Fortaleza, Guiana Francesa e Europa; conexão terá capacidade inicial compartilhada de 17 Tbps com o Pará
O Maranhão deu um passo importante para entrar diretamente na rota internacional dos grandes cabos submarinos de telecomunicações. A EllaLink instalou no fundo do oceano a unidade de derivação que permitirá a construção de um futuro ramal até São Luís.
A estrutura foi instalada a 3.690 metros de profundidade durante a implantação do Lum@link, novo trecho submarino que conectará Caiena, na Guiana Francesa, ao sistema da EllaLink próximo a Fortaleza, no Ceará. A partir dessa infraestrutura, serão criadas as conexões destinadas ao Maranhão e ao Pará.
O projeto coloca São Luís em uma posição diferente na infraestrutura digital do Norte e Nordeste. Em vez de depender exclusivamente de longas rotas terrestres para chegar aos principais pontos de conexão internacional, o estado passará a contar com um ponto próprio de chegada de cabo submarino.
São Luís terá conexão direta com uma rede internacional
A unidade instalada no oceano funciona como uma espécie de ponto de derivação. Ela permite que um novo cabo seja conectado ao sistema principal sem a necessidade de uma nova intervenção em águas profundas na rota já instalada.
O futuro ramal maranhense terá conexão com Fortaleza, Caiena e a rede internacional da EllaLink, que possui ligação com a Europa.
O sistema Lum@link, por sua vez, terá aproximadamente 2.100 quilômetros e deverá estabelecer uma ligação óptica direta entre Caiena, Fortaleza e Sines, em Portugal. A previsão da EllaLink é colocar o sistema em operação até o fim de 2026.
Importante: a instalação da unidade de derivação não significa que São Luís já esteja conectada à rede internacional. O ramal ainda depende das próximas etapas de financiamento, levantamento marítimo, licenciamento e implantação.
Maranhão e Pará terão 17 Tbps de capacidade inicial
Os projetos de São Luís e Salinópolis, no Pará, foram planejados em conjunto e terão capacidade inicial combinada de 17 terabits por segundo (Tbps).
| Projeto | Local | Capacidade |
|---|---|---|
| Ramal do Maranhão | São Luís (MA) | Parte dos 17 Tbps |
| Ramal do Pará | Salinópolis (PA) | Parte dos 17 Tbps |
| Conjunto dos dois ramais | MA + PA | 17 Tbps |
A capacidade poderá aumentar posteriormente, conforme a expansão da infraestrutura.
Segundo a EllaLink, os dois estados terão controle sobre a capacidade transportada pelos respectivos ramais, inclusive sobre sua comercialização. A empresa ficará responsável pelo projeto, construção e operação inicial, com posterior transferência da propriedade da infraestrutura aos clientes estaduais.
Por que um cabo submarino é importante?
Os cabos submarinos formam uma das principais estruturas físicas da internet mundial. Eles transportam grandes volumes de dados entre países e continentes por meio de fibras ópticas.
No caso do Maranhão, a nova conexão pode ampliar a capacidade e a resiliência das redes utilizadas no estado.
A infraestrutura também cria condições para aplicações que dependem de grande capacidade de transmissão de dados, como:
- data centers;
- computação em nuvem;
- telecomunicações;
- serviços digitais;
- redes corporativas;
- governo eletrônico;
- educação e saúde conectadas;
- expansão da banda larga;
- projetos de economia digital.
A EllaLink afirma que o projeto também poderá contribuir para levar conectividade a comunidades isoladas e fortalecer serviços digitais públicos.
Maranhão busca espaço na economia digital
A chegada de uma conexão submarina própria também tem uma dimensão econômica.
A infraestrutura de alta capacidade pode ser utilizada como suporte para empresas que dependem de grandes volumes de dados e para novos projetos relacionados à economia digital. O Governo do Maranhão relaciona o projeto a iniciativas envolvendo fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital.
Isso não significa, por si só, que novos data centers ou grandes empresas serão instalados em São Luís. A conexão cria uma condição de infraestrutura que pode ser utilizada por esses projetos, mas a atração efetiva de investimentos depende também de fatores como energia, terrenos, segurança, incentivos, mercado, logística e disponibilidade de redes terrestres.
Projeto também terá sensores para monitoramento ambiental
Além da função de telecomunicações, os ramais foram planejados para incorporar sensores SMART capazes de coletar informações ambientais e sísmicas.
Os dados poderão apoiar pesquisas científicas e iniciativas de monitoramento climático e oceânico, com participação e apoio europeu.
É uma característica que transforma o cabo em uma infraestrutura que pode ter utilidade além do transporte de dados.
Como será a ligação do Maranhão com a Europa?

A estrutura pode ser entendida a partir de uma sequência de conexões:
São Luís → ramal submarino → sistema EllaLink → Fortaleza → Lum@link → Caiena → rede internacional → Europa
O Lum@link será responsável pelo novo trecho entre Caiena e o sistema principal da EllaLink próximo a Fortaleza. A rede da empresa já foi concebida para permitir novas ramificações, e as unidades instaladas para Maranhão e Pará fazem parte dessa arquitetura.
A infraestrutura também reforça a posição de Fortaleza como um dos principais pontos brasileiros de conexão internacional por cabos submarinos.
Quando São Luís estará conectada?
Essa é uma das principais questões do projeto.
A conexão ainda não está pronta para operação. A EllaLink concluiu os estudos das rotas dos dois ramais e realizou etapas preliminares de licenciamento, avaliação ambiental e engenharia.
O próximo levantamento marítimo depende da conclusão do financiamento pelos estados. Depois disso, ainda será necessário avançar nas demais etapas para implantação efetiva dos cabos até São Luís e Salinópolis.
As unidades de derivação já instaladas, portanto, representam a base física da futura conexão, e não a conclusão do ramal.
Projeto faz parte do Mais Conectado
Os dois ramais integram o componente brasileiro do projeto Mais Conectado, voltado à expansão da infraestrutura digital na região amazônica.
O financiamento das unidades de derivação contou com recursos não reembolsáveis da União Europeia. O projeto mais amplo prevê cofinanciamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
A iniciativa também está inserida na estratégia europeia de ampliação da conectividade digital entre Europa, América Latina e Caribe.
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Uma nova posição para o Maranhão na infraestrutura da internet
A instalação da unidade submarina ainda é uma etapa intermediária, mas muda a perspectiva de infraestrutura digital do Maranhão.
Quando o futuro ramal estiver implantado, São Luís poderá ter um ponto próprio de acesso a uma rede internacional de alta capacidade, conectada a Fortaleza, à Guiana Francesa e, por meio do sistema da EllaLink, à Europa.
Para o Maranhão, a mudança não se resume à velocidade de internet para o consumidor. Trata-se de uma infraestrutura que pode sustentar telecomunicações, serviços públicos digitais, empresas de tecnologia, data centers, pesquisa científica e novos negócios ligados à economia digital.
O próximo passo será transformar a estrutura já instalada no fundo do mar em uma conexão efetivamente operacional até São Luís.


