Um levantamento realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que o Nordeste apresenta indicadores mais favoráveis de alimentação e peso corporal em comparação com outras regiões do Brasil. Na região, 42% dos entrevistados afirmam nunca consumir alimentos ultraprocessados, enquanto 24% apresentam obesidade e 39% estão na faixa de peso considerada normal.
Os dados fazem parte da pesquisa “O Brasileiro e o Câncer”, que ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais, em todos os estados brasileiros, entre 25 e 30 de junho de 2026. O levantamento foi presencial, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que hábitos alimentares e prática de atividade física são dimensões distintas da saúde — e dependem também das condições de vida da população.
Consumo de alimentos: o que mostra a pesquisa
Além do menor consumo declarado de ultraprocessados, o Nordeste apresenta os melhores índices regionais em diversas categorias:
- 48% afirmam nunca consumir refrigerantes ou sucos artificiais;
- 44% nunca comem doces;
- 38% nunca consomem frituras.
O levantamento também aponta que o Nordeste tem a menor proporção de pessoas com obesidade (24%) e o maior percentual de entrevistados na faixa de peso considerada normal (39%). A média nacional de pessoas nessa faixa é de 35%.
Atividade física: um desafio à parte
A prática de exercícios é outro fator importante para a prevenção de doenças crônicas. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE em 2019, mostram que 30,1% dos adultos brasileiros atingiam o nível recomendado de atividade física no lazer — indicador que considera atividades realizadas fora do trabalho ou da escola e não representa especificamente a situação do Nordeste.
De acordo com especialistas, jornadas de trabalho extensas, deslocamentos demorados e responsabilidades domésticas podem reduzir o tempo disponível para o exercício. Essas barreiras não atingem todos os grupos da mesma maneira, sendo mais intensas entre pessoas de menor renda e mulheres que acumulam atividades profissionais e tarefas de cuidado.
As condições das cidades também influenciam a possibilidade de manter uma rotina ativa. Assim, problemas como iluminação, insegurança, calçadas inadequadas, tráfego intenso e distribuição desigual de espaços públicos de lazer podem dificultar caminhadas, deslocamentos de bicicleta e outras práticas corporais.
Antes de mais nada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aos adultos de 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade intensa, além de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
Portanto, a alimentação equilibrada e o exercício físico são medidas complementares na prevenção de doenças crônicas, inclusive alguns tipos de câncer. A promoção desses hábitos, porém, depende tanto das escolhas individuais quanto das condições que permitem à população incorporá-los ao cotidiano.
Resumo dos indicadores do Nordeste
| Indicador | Nordeste | Referência nacional |
|---|---|---|
| Nunca consome alimentos ultraprocessados | 42% | — |
| Nunca consome refrigerantes ou sucos artificiais | 48% | — |
| Nunca consome doces | 44% | — |
| Nunca consome frituras | 38% | — |
| Pessoas com obesidade | 24% (menor do País) | — |
| Pessoas na faixa de peso normal | 39% (maior do País) | 35% (média nacional) |
| Adultos com nível recomendado de atividade física no lazer | — | 30,1% (PNS/IBGE 2019) |

Nordeste tem indicadores favoráveis
Os dados da pesquisa “O Brasileiro e o Câncer” mostram que o Nordeste tem indicadores mais favoráveis de alimentação e peso corporal em relação ao restante do País. No entanto, especialistas reforçam cautela com esses números: alimentação e atividade física são dimensões distintas da saúde, e fatores como condições de vida, acesso a alimentos in natura e infraestrutura urbana influenciam diretamente a capacidade da população de manter hábitos saudáveis.
A prevenção de doenças crônicas, como o câncer, depende de uma combinação de alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e políticas públicas que criem condições favoráveis para que esses hábitos sejam incorporados ao cotidiano de todos.


