A corrida presidencial ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 22. O Datafolha divulgado hoje trouxe um cenário de empate técnico: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem com 50% dos votos válidos cada. Mas o que realmente chama atenção não é apenas o número final — são os movimentos subterrâneos que explicam essa oscilação. E dois segmentos, em especial, estão no centro dessa virada: o eleitorado nordestino e a população de renda mais alta.
O Nordeste como epicentro da virada
De acordo com a pesquisa contratada pelo jornal Folha de S.Paulo, a avaliação de “ótimo e bom” de Lula subiu seis pontos no Nordeste. O movimento, segundo comentaristas, pode estar diretamente atrelado ao reajuste no Bolsa Família — medida com forte impacto na região.
Não é coincidência que a campanha de Flávio Bolsonaro tenha passado a dar mais foco ao Nordeste nos últimos dias. A colunista Mônica Bergamo, uma das comentaristas da pesquisa, cita inclusive o vídeo feito pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) com relatos de nordestinos. A lógica é simples: as campanhas fazem pesquisas diárias e acompanham essas oscilações de perto. Quando um segmento se move, a estratégia se ajusta.
A surpresa entre quem ganha mais de cinco salários mínimos
Ao mesmo tempo, outro movimento que merece atenção é o crescimento de Lula entre a população que ganha mais de cinco salários mínimos. Nessa faixa a aprovação do petista subiu seis pontos, enquanto sua desaprovação caiu outros seis. Em paralelo, Flávio Bolsonaro perdeu seis pontos nesse mesmo segmento.
A princípio, o impacto pode estar atrelado ao fim da escala 6 x 1. Afinal, o tema ganhou tração no debate público e parece ter ressoado entre eleitores de maior renda.
De acordo com a diretora do Datafolha, Luciana Chong, Lula melhorou sete pontos com o eleitorado que ganha mais de cinco salários mínimos em relação à pesquisa do mesmo período na corrida eleitoral de 2022. “São nesses segmentos em que as coisas estão se movendo”, apontou Bergamo.
A estratégia silenciosa: o que sumiu do discurso
Antes de mais nada, outro ponto levantado pelos comentaristas é o que deixou de aparecer. Temas como a proibição das bets e a questão da soberania “sumiram” do discurso de Lula nas últimas semanas. O movimento, avaliam, pode fazer parte da estratégia para reduzir a desaprovação e ampliar o eleitorado — uma espécie de silêncio calculado.
Resumo dos movimentos
| Segmento | Movimento de Lula | Movimento de Flávio Bolsonaro | Possível explicação |
|---|---|---|---|
| Nordeste | Aprovação (“ótimo e bom”) subiu 6 pontos | Campanha passou a focar na região | Reajuste no Bolsa Família |
| Renda acima de 5 salários mínimos | Aprovação subiu 6 pontos; desaprovação caiu 6 pontos | Perdeu 6 pontos | Fim da escala 6 x 1 |
| Comparativo com 2022 (renda alta) | Melhorou 7 pontos em relação ao mesmo período | — | Mudança de percepção do eleitorado |
| Discurso de Lula | Bets e soberania “sumiram” do discurso | — | Estratégia para reduzir desaprovação |

O que observar daqui pra frente
Assim, empate em 50% dos votos válidos, cada ponto percentual passa a valer ouro. A grande questão é se esses movimentos — o reajuste do Bolsa Família no Nordeste e o fim da escala 6 x 1 entre a renda alta — se sustentarão até a votação ou se serão apenas oscilações conjunturais.
O certo é que a campanha de Flávio Bolsonaro já percebeu o movimento e está reagindo. A disputa pelo Nordeste, historicamente um celeiro de votos do PT, e pela classe média de renda mais alta, tradicionalmente mais resistente ao petismo, pode muito bem ser o fiel da balança nesta eleição.


