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Política

Aprovação de Lula dispara no Nordeste e pode decidir eleição

A corrida presidencial ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 22. O Datafolha divulgado hoje trouxe um cenário de empate técnico: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem com 50% dos votos ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
23 de outubro de 2026 - às 07:07
Atualizado 23 de outubro de 2026 - às 07:07
4 min de leitura

A corrida presidencial ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 22. O Datafolha divulgado hoje trouxe um cenário de empate técnico: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem com 50% dos votos válidos cada. Mas o que realmente chama atenção não é apenas o número final — são os movimentos subterrâneos que explicam essa oscilação. E dois segmentos, em especial, estão no centro dessa virada: o eleitorado nordestino e a população de renda mais alta.

O Nordeste como epicentro da virada

De acordo com a pesquisa contratada pelo jornal Folha de S.Paulo, a avaliação de “ótimo e bom” de Lula subiu seis pontos no Nordeste. O movimento, segundo comentaristas, pode estar diretamente atrelado ao reajuste no Bolsa Família — medida com forte impacto na região.

Não é coincidência que a campanha de Flávio Bolsonaro tenha passado a dar mais foco ao Nordeste nos últimos dias. A colunista Mônica Bergamo, uma das comentaristas da pesquisa, cita inclusive o vídeo feito pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) com relatos de nordestinos. A lógica é simples: as campanhas fazem pesquisas diárias e acompanham essas oscilações de perto. Quando um segmento se move, a estratégia se ajusta.

A surpresa entre quem ganha mais de cinco salários mínimos

Ao mesmo tempo, outro movimento que merece atenção é o crescimento de Lula entre a população que ganha mais de cinco salários mínimos. Nessa faixa a aprovação do petista subiu seis pontos, enquanto sua desaprovação caiu outros seis. Em paralelo, Flávio Bolsonaro perdeu seis pontos nesse mesmo segmento.

A princípio, o impacto pode estar atrelado ao fim da escala 6 x 1. Afinal, o tema ganhou tração no debate público e parece ter ressoado entre eleitores de maior renda.

De acordo com a diretora do Datafolha, Luciana Chong, Lula melhorou sete pontos com o eleitorado que ganha mais de cinco salários mínimos em relação à pesquisa do mesmo período na corrida eleitoral de 2022. “São nesses segmentos em que as coisas estão se movendo”, apontou Bergamo.

A estratégia silenciosa: o que sumiu do discurso

Antes de mais nada, outro ponto levantado pelos comentaristas é o que deixou de aparecer. Temas como a proibição das bets e a questão da soberania “sumiram” do discurso de Lula nas últimas semanas. O movimento, avaliam, pode fazer parte da estratégia para reduzir a desaprovação e ampliar o eleitorado — uma espécie de silêncio calculado.

Resumo dos movimentos

SegmentoMovimento de LulaMovimento de Flávio BolsonaroPossível explicação
NordesteAprovação (“ótimo e bom”) subiu 6 pontosCampanha passou a focar na regiãoReajuste no Bolsa Família
Renda acima de 5 salários mínimosAprovação subiu 6 pontos; desaprovação caiu 6 pontosPerdeu 6 pontosFim da escala 6 x 1
Comparativo com 2022 (renda alta)Melhorou 7 pontos em relação ao mesmo período—Mudança de percepção do eleitorado
Discurso de LulaBets e soberania “sumiram” do discurso—Estratégia para reduzir desaprovação
Lula e Flavio. Foto_ Reprodução
Lula e Flavio Bolsonaro disputam a presidência. Foto_ Reprodução

O que observar daqui pra frente

Assim, empate em 50% dos votos válidos, cada ponto percentual passa a valer ouro. A grande questão é se esses movimentos — o reajuste do Bolsa Família no Nordeste e o fim da escala 6 x 1 entre a renda alta — se sustentarão até a votação ou se serão apenas oscilações conjunturais.

O certo é que a campanha de Flávio Bolsonaro já percebeu o movimento e está reagindo. A disputa pelo Nordeste, historicamente um celeiro de votos do PT, e pela classe média de renda mais alta, tradicionalmente mais resistente ao petismo, pode muito bem ser o fiel da balança nesta eleição.