O mercado de viagens corporativas está abrindo novas oportunidades para os resorts do Nordeste. E a região que já lidera a oferta brasileira de hospedagem nesse segmento só comemora. Depois de movimentar R$ 147,8 bilhões em 2025, um recorde histórico, o setor já soma cerca de R$ 105 bilhões no primeiro semestre de 2026. Além disso, tem projeção de fechar o ano em R$ 158 bilhões.
Por que o Nordeste concentra a força das viagens corporativas?
Antes de mais nada, a região concentra 52,2% dos quartos disponíveis em resorts no Brasil. Os números são de acordo com dados do Radar Resorts Brasil que está no Anuário Braztoa 2026. A princípio, o levantamento também aponta a existência de 135 resorts e 32.296 quartos no país. Além de ser a maior base instalada, o Nordeste também lidera boa parte da expansão prevista. Tudo isso impulsionada pelo bleisure que nada mais é do que a combinação de viagens a negócios com lazer. Ao mesmo tempo tempo também há a busca por experiências diferenciadas, longe dos grandes centros urbanos.
Atualmente existem 21 projetos de resorts em desenvolvimento no país, somando 6.719 novos quartos. Desse total, 16 empreendimentos ficam em praias do Nordeste, com 4.798 unidades. Cinco projetos, com 1.407 quartos, devem ser entregues ainda em 2026. Por outro lado, outros seis, com 1.912 acomodações, estão previstos para 2027.
Assim, a combinação entre oferta atual, investimentos futuros e o crescimento das viagens corporativas aproxima dois mercados que antes andavam separados: o turismo de lazer e o corporativo.
Resumo dos principais números
| Categoria | Dado |
|---|---|
| Total de resorts no Brasil | 135 |
| Total de quartos no Brasil | 32.296 |
| Participação do Nordeste nos quartos | 52,2% |
| Projetos em desenvolvimento (Brasil) | 21 |
| Projetos no Nordeste | 16 (76,2% do total) |
| Novos quartos previstos (Brasil) | 6.719 |
| Novos quartos no Nordeste | 4.798 (71,4% do total) |
| Entregas em 2026 (Nordeste) | 5 projetos / 1.407 quartos |
| Entregas em 2027 (Nordeste) | 6 projetos / 1.912 quartos |
Como os resorts estão se adaptando à demanda corporativa
Enquanto turistas e famílias concentram viagens em fins de semana, férias e feriados, eventos corporativos como convenções, treinamentos e reuniões costumam acontecer em dias úteis. Incorporar esse público, portanto, permite usar de forma mais eficiente quartos, restaurantes e áreas de lazer justamente nos períodos de menor demanda tradicional.

Assim, o desafio está em manter uma operação consistente ao longo de toda a semana, Isso tudo muito além dos fins de semana ou feriados.
Em suma, o crescimento já aparece nos números. Um levantamento da Omnibees mostra que, no primeiro semestre de 2026, as reservas em 221 empreendimentos ativos subiram 14,3%. Além disso, as diárias vendidas cresceram 9,9%. Ao mesmo tempo, a receita avançou 13,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No entanto, o desempenho no Nordeste é desigual: Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia tiveram crescimento de room nights, enquanto Pernambuco registrou retração. Em resumo, isso reforça a importância de diversificar as fontes de demanda para reduzir o efeito da sazonalidade.
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Onde o modelo já funciona na prática
Pernambuco é um dos estados que já trabalham para integrar turismo de negócios e lazer, por meio do projeto Pernambuco + MICE, que reúne Recife, Porto de Galinhas e Fernando de Noronha para atrair eventos corporativos. Com centros de convenções e ampla infraestrutura hoteleira, esses destinos reúnem condições para receber grandes grupos empresariais, unindo negócios e lazer num mesmo pacote.
O Recife Expo Center, por exemplo, registrou mais de 100 eventos em 2025, com impacto econômico superior a R$ 523 milhões. Já resorts como Enotel Porto de Galinhas e Summerville oferecem espaços para convenções junto com hospedagem, incentivando a permanência dos participantes.
Na Bahia, o Costa do Sauípe reúne estrutura para eventos de grande público, enquanto no Ceará o Vila Galé Cumbuco tem salas de congresso com capacidade para até 800 pessoas. O setor, aliás, já organiza eventos próprios para aproveitar essa força regional, como o Fórum MICE BTM 2026, programado para o Brazil Travel Market, em Fortaleza.
Outro fator que favorece o modelo é a localização: muitos resorts ficam ligados por rodovias a capitais com aeroportos movimentados, o que facilita o deslocamento sem a necessidade de voos extras.
Segundo a pesquisa Travel Leaders Hub de 2026, 48,3% dos brasileiros combinaram viagens corporativas com lazer no último ano — reforçando o bleisure como tendência que já beneficia os destinos nordestinos.
Com a oferta de quartos em expansão, diversificar a demanda se torna cada vez mais essencial para manter a ocupação ao longo da semana e reduzir a dependência da sazonalidade. Assim, o Nordeste, já líder em resorts no país, encontra no mercado corporativo uma forma de transformar não só férias, mas também dias úteis em oportunidade de negócio para o turismo regional.


