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Nova fábrica da Piracanjuba em Alagoas reforça aposta na bacia leiteira da região

Aquisição do Laticínio Sertão fortalece investimentos em Sergipe e Alagoas O Nordeste segue ganhando protagonismo na indústria de laticínios brasileira. O Grupo Piracanjuba concluiu a aquisição do Laticínio Sertão, em Monteirópolis (AL), após aprovação do ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
6 de julho de 2026 - às 02:51
Atualizado 6 de julho de 2026 - às 02:51
4 min de leitura
Grupo Piracanjuba, que amplia operações no Nordeste Foto Ascom Piracanjuba
Grupo Piracanjuba, que amplia operações no Nordeste Foto Ascom Piracanjuba

Aquisição do Laticínio Sertão fortalece investimentos em Sergipe e Alagoas

O Nordeste segue ganhando protagonismo na indústria de laticínios brasileira. O Grupo Piracanjuba concluiu a aquisição do Laticínio Sertão, em Monteirópolis (AL), após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), reforçando sua estratégia de expansão na região. Com a operação, a empresa passa a contar com duas unidades industriais no Nordeste e amplia para 12 fábricas em todo o Brasil.

O movimento acompanha o crescimento da produção leiteira nordestina, especialmente nas bacias de Sergipe e Alagoas, que atualmente respondem por aproximadamente 30% de todo o leite captado formalmente pela indústria na região, segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE).

primeira fábrica comprar pelo grupo Piracanjuba no Nordeste. Foto Divulgação

Nordeste ganha importância na produção de leite

A aquisição confirma uma tendência observada nos últimos anos: o fortalecimento das bacias leiteiras nordestinas. Entre julho e setembro de 2025, a indústria captou 633,1 milhões de litros de leite no Nordeste. Desse total:

  • Sergipe: 154,3 milhões de litros;
  • Alagoas: 34,9 milhões de litros.

Juntos, os dois estados responderam por 189,2 milhões de litros, cerca de 30% da produção regional. O levantamento também aponta crescimento expressivo da atividade:

  • Sergipe: alta de 27,6% na captação;
  • Alagoas: crescimento de 13,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No conjunto da região, a captação formal avançou 20,4%, impulsionada pela adoção de novas tecnologias, melhoramento genético dos rebanhos e modernização das propriedades rurais.

Piracanjuba aposta em expansão da produção de queijos

A nova unidade, localizada em Monteirópolis, possui mais de 70 anos de história e é especializada na fabricação de:

  • queijo coalho;
  • muçarela;
  • prato;
  • provolone;
  • ricota;
  • cheddar;
  • requeijão;
  • manteiga.

Inicialmente, a fábrica continuará operando com a marca Laticínio Sertão, que será incorporada gradualmente à marca Piracanjuba. A empresa informou que manterá os cerca de 70 empregos diretos existentes e pretende estreitar o relacionamento com produtores locais.

Segundo o presidente do grupo, Luiz Claudio Lorenzo, a aquisição amplia a competitividade da empresa no segmento de queijos e melhora a eficiência logística para atender o mercado nordestino.

Sergipe se consolida como hub da Piracanjuba

Antes da compra em Alagoas, a Piracanjuba já havia entrado no mercado nordestino por meio da aquisição da Natulact, em Nossa Senhora da Glória (SE).

A unidade sergipana tornou-se o principal centro de distribuição da empresa para os nove estados do Nordeste.

Desde a aquisição:

  • a produção aumentou cerca de 30%;
  • o número de funcionários chegou a aproximadamente 300;
  • cerca de 700 produtores rurais fornecem leite para a indústria;
  • está em andamento um plano de investimentos de R$ 120 milhões até 2028.

A fábrica produz atualmente cerca de 20 itens, incluindo queijos, manteiga, requeijão e soro de leite em pó.

Novos investimentos podem ampliar produção

Além da expansão da capacidade industrial, a empresa estuda novos investimentos para diversificar a produção no Nordeste.

Entre os projetos analisados estão:

  • ampliação da produção de queijos;
  • aumento da capacidade de processamento;
  • fabricação de leite UHT (longa vida) na unidade sergipana;
  • fortalecimento da assistência técnica aos produtores por meio do programa Procampo.

Segundo a companhia, o objetivo é praticamente triplicar o volume de produção registrado quando iniciou as operações em Sergipe.

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Nordeste atrai novas indústrias

A aquisição do Laticínio Sertão ocorre em um momento de crescimento da cadeia leiteira nordestina. Apesar de ainda importar parte dos derivados consumidos, especialmente leite em pó e alguns tipos de queijo, a região vem aumentando sua produção e atraindo investimentos industriais.

Para especialistas, fatores como melhoria genética dos rebanhos, maior profissionalização das propriedades, assistência técnica e expansão dos sistemas de produção vêm fortalecendo a competitividade do setor e tornando o Nordeste cada vez mais estratégico para grandes empresas do segmento de lácteos.

Produção de leite no Nordeste

IndicadorDados
Captação total no Nordeste (3º trimestre/2025)633,1 milhões de litros
Sergipe154,3 milhões de litros
Alagoas34,9 milhões de litros
Participação conjuntaCerca de 30% da produção regional
Crescimento regional+20,4%

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.