Adriano e Kitéria Maria superaram outras 33 duplas no tradicional Concurso Pé de Aço, em Colônia Leopoldina
No Nordeste, o São João vai muito além dos grandes shows. Em Colônia Leopoldina, na Zona da Mata de Alagoas, uma das atrações mais aguardadas da festa desafia os limites físicos e mentais dos participantes: o tradicional Concurso Pé de Aço.
Na edição deste ano, Adriano e Kitéria Maria conquistaram o título após impressionantes 38 horas consecutivas dançando forró, superando outras 33 duplas em uma verdadeira maratona junina.
O concurso é considerado um dos mais tradicionais do estado e premia resistência, ritmo e muita determinação.

Vitória construída com experiência
A conquista não foi inédita para os campeões. Adriano participou da competição pela terceira vez, enquanto Kitéria Maria já é conhecida como uma das maiores vencedoras da história do evento.
Apelidada nas redes sociais de “Rainha do Pé de Aço”, ela iniciou sua trajetória aos apenas 16 anos, quando permaneceu 14 horas dançando em sua primeira participação — com autorização da mãe, já que ainda era menor de idade.
Hoje, aos 30 anos, acumula diversos títulos. Em edições anteriores, venceu após 24 horas de competição e, em outra oportunidade, permaneceu 28 horas na pista, quando os cinco casais finalistas decidiram dividir a premiação.
O segredo não está apenas nas pernas
Segundo Kitéria, a resistência vai muito além do preparo físico.
“O Pé de Aço não é só dançar com os pés. É dançar com a mente.”
Ela conta que convive com crises de ansiedade e precisou controlar o emocional durante toda a prova. Além do desgaste físico, os competidores enfrentam:
- pressão das torcidas;
- poucas horas de descanso;
- concentração permanente;
- controle emocional;
- alimentação e hidratação monitoradas.
“Treinei minha mente para dançar até 48 horas. Eu queria ganhar esse prêmio para ajudar meu pai e minha avó”, revelou.
Uma competição que exige preparo extremo
Ao longo das quase 40 horas de disputa, os casais permanecem praticamente o tempo todo na pista.
A organização acompanha os competidores com equipes de apoio, oferecendo alimentação, hidratação e monitoramento médico durante toda a competição.
Segundo Kitéria, nos últimos anos o evento evoluiu bastante nas condições oferecidas aos participantes, garantindo maior segurança durante a maratona.
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Muito além de um concurso
Mais do que uma disputa, o Pé de Aço se tornou um símbolo das festas juninas de Alagoas.
Portanto, enquanto milhares de pessoas celebram o São João dançando algumas músicas, em Colônia Leopoldina existem casais capazes de permanecer quase dois dias inteiros embalados pelo forró, mostrando que, no Nordeste, tradição, resistência e paixão pela cultura popular caminham lado a lado.
Aja forró! Viva o São João!



