O Nordeste, que nos últimos anos tem se destacado como uma das regiões mais dinâmicas do país, deve manter a trajetória de crescimento em 2026, ainda que em ritmo mais moderado. É o que aponta o mais recente estudo do Time de Macroeconomia do Santander Brasil, que projeta uma expansão de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.
Antes de mais nada, o levantamento revela um cenário de heterogeneidade entre os estados, com a Paraíba e o Maranhão puxando a fila do crescimento, enquanto a Bahia, maior economia da região, apresenta a estimativa mais modesta entre os nove estados.
Paraíba e Maranhão no topo do Ranking
De acordo com o relatório do Santander, a Paraíba deve liderar o crescimento econômico do Nordeste em 2026, com uma projeção de 2,3% para o seu PIB. Logo em seguida, o Maranhão aparece com uma estimativa de 2,2%, consolidando-se como um dos motores de expansão da região.
Na sequência, o estudo coloca o Piauí com crescimento de 1,8%, Alagoas com 1,7%, e um pelotão intermediário formado por Ceará e Pernambuco, ambos com 1,6%. Fechando a lista, aparecem Sergipe (1,5%), Rio Grande do Norte (1,4%) e a Bahia (1,3%), que, apesar de ter o menor percentual projetado, ainda assim deve apresentar expansão positiva.
| Posição | Estado | Projeção de Crescimento do PIB em 2026 |
|---|---|---|
| 1º | Paraíba | 2,3% |
| 2º | Maranhão | 2,2% |
| 3º | Piauí | 1,8% |
| 4º | Alagoas | 1,7% |
| 5º | Ceará | 1,6% |
| 6º | Pernambuco | 1,6% |
| 7º | Sergipe | 1,5% |
| 8º | Rio Grande do Norte | 1,4% |
| 9º | Bahia | 1,3% |
| – | Média do Nordeste | 1,6% |
O Cenário macroeconômico regional
O estudo do Santander faz uma leitura cuidadosa do comportamento dos setores produtivos para embasar essas projeções. Segundo a análise, a região deve passar por uma desaceleração gradual em 2026 e 2027, seguindo a tendência do agregado nacional. No entanto, os economistas do banco destacam que o desempenho ainda é superior ao da década anterior. Assim, isso que indica uma consolidação da pujança econômica nordestina.
Agropecuária: Ano forte e moderado
A princípio, a agropecuária foi um dos grandes destaques de 2025, impulsionada por uma safra recorde na região. Para 2026, a projeção é de que o setor mantenha um bom desempenho, mas com variações mais moderadas em comparação ao ano anterior. Dessa forma, a boa notícia é que a base produtiva se manteve sólida, garantindo um piso de crescimento para a economia regional.

Serviços e Varejo: sinais mistos
Ao mesmo tempo, o setor de serviços, que é o principal empregador e gerador de renda do Nordeste, deve apresentar uma desaceleração gradual ao longo de 2026. O relatório aponta que o volume de serviços prestados já vinha mostrando uma perda de fôlego na maioria dos estados desde o início de 2025.
Há, porém, heterogeneidade nos desempenhos. Enquanto Ceará e Alagoas mostram maior fraqueza na margem, Piauí e Maranhão são apontados como destaques positivos no setor.
No varejo ampliado, a fotografia é mais animadora. Desde o início de 2025, o desempenho das vendas tem sido majoritariamente positivo em toda a região. O início de 2026 trouxe uma aceleração nas vendas em alguns estados, com destaque para Pernambuco, Paraíba e Piauí.

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Indústria: Resiliência em Meio à Adversidade
Em suma, a indústria nordestina apresenta um dos capítulos mais interessantes da análise. Apesar da alta volatilidade registrada nos últimos anos e de uma tendência de estagnação no longo prazo, o setor tem demonstrado notável resiliência.
Mesmo diante de condições financeiras mais restritivas e do fechamento de algumas plantas industriais que impactaram a indústria de transformação, o estudo destaca que a atividade industrial ampla segue em expansão em estados como Pernambuco, Bahia e Ceará. Segundo o Santander, a indústria do Nordeste tem mantido taxas de crescimento positivas, sendo um destaque positivo entre as regiões do país.
A projeção do Santander para o PIB do Nordeste em 2026 reforça a percepção de que a região está em um momento de maturidade econômica. O crescimento de 1,6%, puxado por estados como Paraíba e Maranhão, pode não ser tão exuberante quanto os 3% registrados em anos anteriores, mas demonstra uma trajetória consistente e acima da média histórica.
Com a agropecuária consolidada, o varejo aquecido e a indústria mostrando resiliência, o Nordeste se prepara para mais um ano de expansão, mesmo em um cenário nacional de juros mais altos e desafios fiscais. O desempenho do comércio e dos serviços, aliado à força do agronegócio, continuará sendo o tripé que sustentará o crescimento dos estados nordestinos em 2026.

