A Aura Minerals anunciou um acordo de R$ 612 milhões para internalizar a operação e a manutenção da frota de três minas de ouro no Brasil, incluindo a Borborema, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte.
A princípio, a mudança está prevista para janeiro de 2027 e também envolve as operações de Apoena, em Mato Grosso, e Almas, no Tocantins. No entanto, para o Rio Grande do Norte, o anúncio acontece em um momento importante: a Borborema já entrou em produção comercial e o ouro passou a ocupar um espaço relevante na pauta de exportações potiguares.
Com isso, a Aura não está simplesmente comprando uma frota. A companhia vai adquirir uma empresa, chamada Newco, que ficará responsável pelos equipamentos, contratos de leasing e mão de obra atualmente vinculados às operações terceirizadas. Assim, a transação ainda depende de condições precedentes, incluindo aprovação do Cade.
O que muda na Borborema

Atualmente, a operação da frota nas três minas ocorre por meio de empresa terceirizada. Com a mudança, a Aura pretende assumir diretamente a operação e a manutenção dos equipamentos.
Segundo a companhia, a estratégia deve ampliar o controle operacional e gerar sinergias entre as unidades brasileiras. Além disso, a empresa estima uma redução de US$ 150 a US$ 200 no custo total de sustentação por onça de ouro vendida, o chamado AISC, a partir de 2027.
A estrutura financeira também merece atenção.
Dos R$ 612 milhões anunciados, até R$ 250 milhões serão pagos em dinheiro. O restante envolve a assunção de financiamento de leasing existente e pagamentos contingentes. Portanto, o valor total da operação não representa um desembolso imediato de R$ 612 milhões pela Aura.
Borborema já está produzindo ouro em Currais Novos

A mina potiguar alcançou a produção comercial em setembro de 2025, depois de 19 meses de construção. Naquele momento, a unidade já operava acima de 80% da capacidade de projeto, processando cerca de 4.500 toneladas de minério por dia, com recuperação superior a 90%.
Desde então, a produção avançou.
No primeiro semestre de 2026, a Borborema produziu 31.352 onças equivalentes de ouro (GEO). O resultado reúne 17.101 GEO no primeiro trimestre e 14.251 GEO no segundo.
Para 2026, a Aura trabalha com uma projeção de 65 mil a 77 mil GEO para a operação.
Isso coloca o atual ano como um momento importante para medir o desempenho da mina em seu primeiro ciclo anual completo de produção.
Ouro ganhou espaço nas exportações do Rio Grande do Norte
A expansão da mineração também já aparece no comércio exterior potiguar.
Um levantamento baseado em dados do comércio exterior aponta que o Rio Grande do Norte exportou US$ 248,7 milhões em ouro em 2025. Já no primeiro semestre de 2026, o valor chegou a US$ 157,5 milhões.
No período, o ouro representou 24,6% de toda a pauta exportadora do estado, segundo o levantamento do Sebrae-RN citado pelos dados publicados sobre a balança comercial potiguar.
O salto chama atenção porque, entre 2020 e 2024, o RN havia exportado apenas cerca de US$ 5,5 milhões em ouro no período inteiro, de acordo com o mesmo levantamento.
Assim, a entrada em operação da Borborema mudou rapidamente o peso do metal na pauta externa do estado.
Uma mina com décadas de produção pela frente
O projeto também ganhou novas dimensões no estudo de viabilidade atualizado em 2026.
| Indicador | Borborema |
|---|---|
| Localização | Currais Novos (RN) |
| Região | Seridó potiguar |
| Tipo de operação | Mina a céu aberto |
| Concessões de lavra | 3 |
| Área das concessões | 29 km² |
| Vida útil estimada | 35,4 anos |
| Reservas provadas e prováveis | 1,988 milhão de GEO |
| Recursos inferidos | 706 mil GEO |
| Produção projetada em 2026 | 65 mil a 77 mil GEO |
| CAPEX do estudo | US$ 188 milhões |
| VPL máximo do estudo | US$ 1,727 bilhão |
Os valores econômicos e de produção são estimativas do estudo de viabilidade, e não resultados já realizados pela mina. O documento técnico foi elaborado para o projeto de Borborema, em Currais Novos.
Além disso, a Aura mantém direitos de exploração em uma área de aproximadamente 410 km² ao longo da tendência mineral de Borborema, o que indica potencial para ampliar os recursos do empreendimento no futuro.
Por que a frota passou a ser estratégica?
A decisão da Aura acontece justamente durante a expansão da operação brasileira da companhia.
Com a internalização, a empresa pretende concentrar sob sua gestão elementos que hoje ficam nas mãos de uma prestadora:
frota de mineração → operação dos equipamentos → manutenção → mão de obra → gestão operacional
A companhia já opera diretamente a frota da Mineração Serra Grande (MSG). Agora, pretende aplicar o mesmo modelo em Apoena, Almas e Borborema.
Portanto, o acordo não representa uma aquisição exclusiva da mina potiguar. A Borborema é uma das três operações incluídas na estratégia.

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O Seridó entra em uma nova etapa da mineração
A Borborema também representa uma mudança de escala para a atividade mineral em Currais Novos.
O empreendimento está localizado no Seridó do Rio Grande do Norte, região historicamente ligada à mineração. Agora, entretanto, o município abriga uma operação industrial de ouro com produção comercial e perspectiva de décadas de atividade.
A própria Aura informa que o projeto possui três concessões de lavra, área de 29 km² e uma extensa área adicional de direitos de exploração.
Além disso, o Ministério de Minas e Energia já incluiu o projeto Borborema entre os empreendimentos acompanhados no âmbito de políticas para minerais estratégicos.
O que acontece a partir de 2027
Portanto, se cumprir as condições previstas no acordo, a Aura iniciará em janeiro de 2027 a transição para o modelo próprio de operação e manutenção da frota nas três minas.
Afinal, no caso do Rio Grande do Norte, a mudança ocorrerá enquanto a Borborema ainda avança em sua curva de produção.
Por isso, o acordo de R$ 612 milhões tem um significado que vai além dos equipamentos. A Aura está reorganizando a forma de operar suas minas brasileiras justamente quando a Borborema começa a consolidar o ouro como um dos produtos relevantes das exportações do Rio Grande do Norte.


