O Seridó do Rio Grande do Norte pode estar entrando em uma nova fase da mineração. Em Currais Novos, o ouro já saiu da fase de projeto e entrou em produção comercial. Agora, em Parelhas, uma empresa australiana avalia a retomada de uma antiga mina de tungstênio explorada durante a Segunda Guerra Mundial.
A princípio, os dois movimentos acontecem em municípios diferentes e envolvem minerais distintos. Ainda assim, eles revelam uma mudança importante: o potencial mineral do Seridó voltou a atrair investimentos, tecnologia e empresas internacionais.
A novidade mais recente veio da australiana Gold Mountain, que garantiu exclusividade por 12 meses para avaliar a possível aquisição da área da antiga mina Malhada do Angico, próxima a Parelhas. A área tem aproximadamente 857 hectares.
Enquanto isso, cerca de 100 quilômetros ao sul, a Mina Borborema, em Currais Novos, já produz ouro comercialmente e começa a consolidar o metal como uma das principais forças das exportações do Rio Grande do Norte.
O ouro de Currais Novos já virou realidade
A história mais avançada dessa nova etapa está em Currais Novos.
A Mina Borborema alcançou produção comercial em setembro de 2025, depois de 19 meses de construção. A operação já processava cerca de 4.500 toneladas de minério por dia, com recuperação superior a 90%.
Além disso, os números de 2026 mostram que a operação ganhou escala.
No primeiro semestre, a Borborema produziu 31.352 onças equivalentes de ouro (GEO). Para todo o ano, a Aura Minerals trabalha com uma projeção entre 65 mil e 77 mil GEO.
Borborema em números
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Localização | Currais Novos (RN) |
| Região | Seridó potiguar |
| Produção comercial | Setembro de 2025 |
| Produção no 1º semestre de 2026 | 31.352 GEO |
| Projeção para 2026 | 65 mil a 77 mil GEO |
| Vida útil estimada | 35,4 anos |
| Reservas provadas e prováveis | 1,988 milhão de GEO |
| Área das concessões | 29 km² |
A estimativa de vida útil e os números futuros fazem parte do estudo de viabilidade atualizado da operação.
O ouro já mudou as exportações do Rio Grande do Norte
O impacto da Borborema também aparece nos números do comércio exterior.
O Rio Grande do Norte exportou US$ 248,7 milhões em ouro em 2025. Já no primeiro semestre de 2026, as vendas externas do metal alcançaram US$ 157,5 milhões.
Além do mais, no período, o ouro respondeu por 24,6% da pauta exportadora potiguar. O salto fica ainda mais evidente quando se olha para o período anterior.
Entre 2020 e 2024, o estado havia exportado aproximadamente US$ 5,5 milhões em ouro durante os cinco anos somados.
Portanto, a Borborema mudou rapidamente o peso do metal na economia potiguar.
O ouro deixou de ser apenas uma promessa de mineração no Seridó e passou a gerar produção e exportação em escala relevante.
Aura prepara nova etapa para a operação
A força da mineração de ouro no Seridó também aparece em uma decisão recente da Aura.
A empresa anunciou uma operação de R$ 612 milhões para internalizar a operação e a manutenção da frota de três minas brasileiras, incluindo a Borborema. A mudança está prevista para janeiro de 2027, caso sejam cumpridas as condições necessárias.
A estratégia deve ampliar o controle da companhia sobre equipamentos, manutenção e mão de obra.
Além disso, a Aura estima uma redução entre US$ 150 e US$ 200 no custo total de sustentação por onça de ouro vendida a partir de 2027.
Ou seja, a empresa está reorganizando sua operação justamente quando a mina potiguar começa a completar seu primeiro ciclo anual de produção.
Agora, o tungstênio volta ao mapa

Enquanto Currais Novos consolida o ouro, Parelhas pode recuperar uma atividade mineral que marcou a história do Seridó.
A Gold Mountain anunciou que garantiu o direito exclusivo para avaliar e potencialmente adquirir a área da antiga Malhada do Angico.
A região já teve exploração de scheelita, principal minério de tungstênio encontrado no local, durante a Segunda Guerra Mundial. A antiga operação ficou sob responsabilidade da Mineração Fluminense.
Além disso, o momento internacional também aumenta o interesse pelo mineral.
O tungstênio é utilizado na produção de ligas de alta resistência e aços especiais, além de possuir aplicações em setores como defesa, indústria aeroespacial e semicondutores.
Em 2026, os preços do mineral dispararam em meio à redução da oferta e à busca de países ocidentais por alternativas à dependência da China, que responde por cerca de 80% da produção mundial de tungstênio, segundo a CNN Brasil.
Mas a mina ainda não foi reativada
Há uma diferença importante entre avaliar uma mina e reativá-la.
A Gold Mountain ainda não comprou o projeto. A empresa fechou um acordo que garante 12 meses de exclusividade para realizar análises técnicas, jurídicas e regulatórias antes de decidir pela aquisição. Até agora, desembolsou R$ 1 milhão.
Outros R$ 2 milhões poderão ser pagos caso o negócio avance.
| Etapa | Valor |
|---|---|
| Pagamento inicial | R$ 1 milhão |
| Segunda parcela potencial | R$ 1 milhão |
| Terceira parcela potencial | R$ 1 milhão |
| Total potencial | R$ 3 milhões |
A próxima etapa depende, entre outros fatores, de uma decisão favorável da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre o Relatório Final de Pesquisa apresentado em 2016.
Portanto, o tungstênio é uma possibilidade em avaliação, enquanto o ouro já está em produção.
Empresa começa novas pesquisas na área
Mesmo antes de concluir a aquisição, a Gold Mountain já iniciou trabalhos de exploração.
A companhia está realizando perfurações com trado nos rejeitos deixados pela antiga operação para medir os teores de tungstênio, avaliar a espessura do material e coletar amostras para testes metalúrgicos. Os resultados ainda não foram divulgados.
Além disso, a empresa prepara uma campanha de sondagem diamantada para investigar a continuidade da mineralização abaixo e ao redor das antigas áreas de lavra.
O programa deverá testar aproximadamente 2 quilômetros da formação geológica, chegando a cerca de 120 metros de profundidade, desde que as autorizações ambientais e regulatórias necessárias sejam obtidas.
O Seridó reúne ouro e mineral estratégico
É justamente a combinação dos dois movimentos que torna a história relevante.
Em Currais Novos, o ouro já está sendo produzido.
Em Parelhas, o tungstênio volta a ser investigado.
E os dois casos colocam o Seridó diante de uma nova realidade econômica.
| Currais Novos | Parelhas |
|---|---|
| Ouro | Tungstênio |
| Mina Borborema | Malhada do Angico |
| Produção comercial | Projeto em avaliação |
| Aura Minerals | Gold Mountain |
| Exportações já realizadas | Pesquisa e sondagem |
| Operação industrial | Possível retomada |
Assim, o Seridó não aparece apenas como uma região com potencial mineral. A região começa a reunir produção efetiva de ouro e novas oportunidades ligadas a minerais estratégicos.
Por que o momento é importante para o Seridó?
A mineração sempre fez parte da história econômica do Seridó. Entretanto, a escala atual é diferente.
A Borborema trouxe uma operação industrial de ouro com perspectiva de décadas de atividade. O estudo atualizado aponta 35,4 anos de vida útil estimada e reservas provadas e prováveis de aproximadamente 1,988 milhão de GEO.
Além disso, a Aura mantém direitos de exploração em aproximadamente 410 km² ao longo da tendência mineral de Borborema, o que pode abrir espaço para novas descobertas e expansão dos recursos no futuro.
Agora, o interesse pelo tungstênio acrescenta outro componente à equação.
O mineral ganhou importância estratégica justamente em um momento de disputa internacional por cadeias de fornecimento de minerais críticos.
Portanto, o Seridó pode estar diante de uma combinação pouco comum:
ouro em produção + exploração de novos recursos + minerais estratégicos + capital estrangeiro + tecnologia de mineração.

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Uma nova fase para a mineração potiguar
Portanto, a possível retomada do tungstênio não significa que uma nova mina já esteja garantida. A Gold Mountain ainda precisa concluir estudos, obter autorizações e decidir se seguirá com a aquisição.
Por outro lado, o movimento acontece em uma região que já apresenta uma demonstração concreta de que grandes projetos de mineração podem sair do papel.
A Mina Borborema já produz ouro, exporta e movimenta investimentos em Currais Novos.
Agora, Parelhas volta a aparecer no mapa internacional por causa de um mineral que já teve papel importante na história mundial.
Se os estudos confirmarem um depósito economicamente viável, o tungstênio poderá representar um segundo grande eixo da mineração moderna do Seridó.
Afinal, é justamente isso que torna a notícia maior do que a possível reativação de uma antiga mina: o Seridó potiguar começa a construir uma nova fase de sua história mineral, com o ouro já provando seu potencial e o tungstênio podendo abrir uma nova frente no futuro.


