A corrida presidencial de 2026 já começa a desenhar contornos nítidos. E, como era de se esperar, a geografia, a renda e a fé do eleitorado brasileiro seguem como fatores decisivos. A princípio, a pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14) mostra um cenário que, embora ainda em evolução, já revela duas bases eleitorais muito distintas: de um lado, o presidente Lula (PT); de outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em suma, os números não deixam dúvidas: Lula e Flávio atraem perfis de eleitores quase opostos. Desse modo, a disputa promete ser acirrada. Em especial com a chegada de outros nomes que começam a ganhar tração em regiões estratégicas.
Lula: força no Nordeste, entre católicos e nas classes populares
De acordo com a análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes, a vantagem de Lula é construída, sobretudo, nos seguintes segmentos:
- Região Nordeste (sua principal base eleitoral);
- Renda de até 2 salários mínimos;
- Eleitores pretos;
- Escolaridade até o ensino fundamental;
- Católicos.
Assim, o presidente também apresenta melhora significativa nas regiões Norte e Centro-Oeste, o que indica uma ampliação de sua penetração para além do Nordeste.
Flávio Bolsonaro: Sul, evangélicos e renda mais alta
Contudo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) constrói sua vantagem em um recorte completamente diferente. Seus melhores desempenhos estão:
- Região Sul;
- Evangélicos;
- Renda acima de 5 salários mínimos;
- Ensino superior completo.
Antes de mais nada, essa amostragem revela um Brasil dividido não apenas politicamente, mas também socioeconomicamente. Enquanto Lula fala mais diretamente às demandas das classes populares e do eleitorado historicamente ligado ao PT, Flávio se aproxima de um perfil de eleitor mais conservador, com maior poder aquisitivo e escolaridade.

Os outros nomes que agitam a disputa
A pesquisa também trouxe dois movimentos que merecem atenção:
Ronaldo Caiado (União Brasil) cresce no Sul
A princípio, o governador de Goiás saltou de 36% para 50% das intenções de voto na região Sul entre maio e agosto. Portanto, o dado é relevante porque o Sul é justamente um dos redutos mais favoráveis a Flávio Bolsonaro. Em resumo, isso pode indicar uma migração de votos ou uma fragmentação do eleitorado conservador na região.
Renan Santos avança entre os jovens
Na faixa etária de 16 a 34 anos, Renan Santos foi de 32% para 41% no mesmo período – um crescimento de 9 pontos percentuais. Dessa forma, o dado sugere que o candidato está conseguindo dialogar melhor com as pautas e linguagens que atraem o eleitorado mais jovem.
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Tabela comparativa: Perfil eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro
| Critério | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL-RJ) |
|---|---|---|
| Região com melhor desempenho | Nordeste | Sul |
| Renda predominante | Até 2 salários mínimos | Acima de 5 salários mínimos |
| Escolaridade | Até o ensino fundamental | Ensino superior completo |
| Religião | Católicos | Evangélicos |
| Raça/Cor | Pretos (melhor resultado) | Sem destaque significativo |
| Evolução recente | Melhora no Norte/Centro-Oeste | Mantém força no Sul |
Ficha técnica da pesquisa
- Metodologia: Entrevistas presenciais
- Período: 10 a 13 de agosto de 2026
- Amostra: 2.004 eleitores
- Margem de erro: 2 pontos percentuais (para mais ou para menos)
- Nível de confiança: 95%
- Registro na Justiça Eleitoral: BR-06773/2026

