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Livro analisa como nasceu o preconceito contra os nordestinos; saiba mais

Em “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”, o jornalista e pesquisador Octávio Santiago investiga como discursos políticos, culturais e midiáticos influenciam a forma como o Nordeste é ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
17 de julho de 2026 - às 03:52
Atualizado 17 de julho de 2026 - às 03:52
4 min de leitura
Só Sei Que Foi Assim A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste
Só Sei Que Foi Assim A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste

Em “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”, o jornalista e pesquisador Octávio Santiago investiga como discursos políticos, culturais e midiáticos influenciam a forma como o Nordeste é visto no Brasil.

Durante décadas, o Nordeste foi retratado em parte da literatura, da televisão, do cinema e do debate político como uma região associada à seca, à pobreza e ao atraso. Mas de onde surgiu essa imagem? E por que ela continua presente no imaginário brasileiro?

Essas são algumas das perguntas que motivaram o jornalista e pesquisador Octávio Santiago a escrever o livro Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste, lançado pela Autêntica Editora.

Baseada em sua tese de doutorado desenvolvida na Universidade do Minho, em Portugal, a obra investiga como diferentes discursos políticos, culturais e midiáticos contribuíram para construir uma identidade considerada subalterna para os nordestinos ao longo do último século.

Uma pesquisa sobre a construção dos estereótipos

Em vez de tratar o preconceito como um fenômeno isolado, o autor busca mostrar que ele foi sendo consolidado historicamente por fatores econômicos, políticos e simbólicos.

O livro discute questões como:

  • quando o Nordeste passou a ter associação com o atraso;
  • como a mídia ajudou a reforçar determinados estereótipos;
  • o papel da literatura na construção dessa imagem;
  • a influência de diferentes períodos históricos, incluindo a ditadura militar;
  • como essas representações ainda impactam a sociedade brasileira.

Segundo a sinopse da editora, a proposta é oferecer “um novo espelho para olhar o Nordeste”, questionando ideias que foram naturalizadas ao longo das décadas.

Literatura, televisão e política entram na análise

Ao longo das 256 páginas, Octávio Santiago analisa como diferentes manifestações culturais ajudaram a formar a percepção sobre a região.

Entre os temas abordados estão:

  • obras de Euclides da Cunha;
  • textos de Clarice Lispector;
  • telenovelas brasileiras;
  • discursos políticos;
  • representações do Nordeste na imprensa.

A obra também procura demonstrar que muitos desses discursos serviram para reforçar desigualdades históricas e consolidar determinados centros de poder no país.

Quem é Octávio Santiago?

Octavio Santiago FOTO DIVULGAÇÃO

Octávio Santiago é jornalista, mestre em Comunicação e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, em Portugal.

Sua atuação acadêmica concentra-se nos estudos sobre: identidade regional, mídia, cultura, representação social do Nordeste.

O livro resulta dessa pesquisa de doutorado e reúne referências históricas, culturais e sociológicas sobre a formação da imagem dos nordestinos no Brasil.

Para quem o livro tem indicação?

Embora tenha base acadêmica, a obra tem linguagem acessível. O livro pode interessar especialmente a:

  • estudantes;
  • professores;
  • pesquisadores;
  • jornalistas;
  • profissionais da comunicação;
  • leitores interessados na história do Nordeste;
  • pessoas que desejam compreender melhor como surgem preconceitos regionais.

Onde comprar

O livro Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste pode ser encontrado em diferentes formatos. Entre os principais canais estão:

  • Autêntica Editora (livro físico);
  • Livrarias físicas, como a Livraria LDM;
  • Plataformas digitais de e-books, como Apple Books e Google Play Livros.

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Um debate que continua atual

Em um momento em que temas como identidade regional, representatividade e combate aos preconceitos voltam ao centro do debate público, a obra propõe uma reflexão sobre como imagens construídas ao longo da história ainda influenciam a forma como milhões de brasileiros enxergam o Nordeste.

Mais do que discutir episódios do passado, o livro convida o leitor a compreender como narrativas políticas, culturais e midiáticas podem moldar percepções coletivas e perpetuar estigmas — e como esse processo pode ser revisto à luz de uma análise histórica fundamentada.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.