Fortaleza e Salvador concentram as maiores extensões da região, enquanto Natal teve o maior crescimento proporcional do Brasil no último levantamento
Veja os números das Ciclovias nas nove capitais do Nordeste
Nesta quarta-feira, 19 de agosto, Dia Nacional do Ciclista, o Nordeste aparece com realidades bastante diferentes quando o assunto é infraestrutura para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, lazer ou trabalho.
O levantamento mais recente da Aliança Bike, com dados coletados até julho de 2025, mostra que Fortaleza tinha 477,6 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, a maior extensão entre as capitais nordestinas. Salvador aparecia com 308,59 km e Recife com 132,25 km.
Mas o dado que mais chama atenção está em Natal. A capital potiguar ampliou sua estrutura exclusiva para bicicletas em 69,3% em apenas um ano, passando de 37,5 km para 63,5 km. Foi o maior crescimento percentual registrado entre todas as capitais brasileiras no período analisado.
A princípio, a fotografia do Nordeste fica ainda mais interessante quando se olha para a proporção da infraestrutura cicloviária em relação ao tamanho da malha viária de cada cidade.
Fortaleza concentra a maior malha do Nordeste

A capital cearense também apresenta a maior proporção entre estrutura cicloviária segregada e malha viária total entre as capitais brasileiras: 8,34%.
Além disso, em março de 2026, a Prefeitura informou que a rede já havia chegado a 502,8 km, após a entrega de uma nova ciclovia protegida na Rua 25 de Março. O município também anunciou a preparação de mais 26 km de expansão.
Isso significa que o número oficial mais recente da Aliança Bike e o número informado posteriormente pela Prefeitura não representam exatamente o mesmo momento.
Assim, para comparação entre as capitais, o NE9 utiliza os dados padronizados da Aliança Bike, de julho de 2025.

Salvador também se destaca pela proporção
Salvador tinha 308,59 km de estruturas cicloviárias exclusivas no levantamento.
Mais do que a extensão absoluta, chama atenção a relação com a malha viária: 7,14% das vias da capital baiana estavam cobertas por ciclovias e ciclofaixas, segundo a Aliança Bike.
Contudo, o índice coloca Salvador na segunda posição nacional nesse indicador, atrás apenas de Fortaleza.
Natal teve o maior salto do país
Se Fortaleza e Salvador chamam atenção pelo tamanho da rede, Natal é o destaque quando o assunto é expansão.
Entre julho de 2024 e julho de 2025, a capital potiguar passou de 37,5 km para 63,5 km, crescimento de 69,26%.
A expansão acrescentou aproximadamente 26 quilômetros à estrutura exclusiva para bicicletas em apenas um ano.
Mesmo com o crescimento expressivo, Natal ainda tinha uma rede menor que Fortaleza, Salvador, Recife, Aracaju, Maceió e João Pessoa no levantamento de 2025.
E as outras capitais nordestinas?
A infraestrutura apresenta diferenças importantes entre as nove capitais.
| Capital | Ciclovias e ciclofaixas | % da malha viária | Crescimento 2024–25 |
|---|---|---|---|
| Fortaleza (CE) | 477,60 km | 8,34% | 7,79% |
| Salvador (BA) | 308,59 km | 7,14% | 0% |
| Recife (PE) | 132,25 km | 4,46% | 2,72% |
| Aracaju (SE) | 85,99 km | 4,31% | -2,84% |
| Maceió (AL) | 76,91 km | 2,83% | 12,89% |
| João Pessoa (PB) | 76,77 km | 3,01% | 0% |
| Teresina (PI) | 67,70 km | 1,22% | 0% |
| Natal (RN) | 63,54 km | 2,51% | 69,26% |
| São Luís (MA) | 40,00 km | 0,99% | 0% |
Fonte: Aliança Bike, dados de julho de 2025. O levantamento considera somente ciclovias e ciclofaixas exclusivas/segregadas.
Recife tem uma rede menor que a de Fortaleza, mas trabalha novas conexões

Recife aparece com 132,25 km no levantamento nacional da Aliança Bike e uma proporção de 4,46% da malha viária dedicada às estruturas exclusivas para bicicletas.
A capital pernambucana também mantém projetos de expansão da rede. Entre as intervenções citadas pela Prefeitura estão novas conexões na região da Avenida Mascarenhas de Morais, na Imbiribeira, e estruturas associadas a obras viárias.
Contudo, a cidade também investe em infraestrutura de apoio, como paraciclos e áreas de trânsito calmo.

Maceió acelerou a expansão
Maceió registrou o terceiro maior crescimento percentual entre as capitais brasileiras no levantamento da Aliança Bike.
A cidade passou de 68,1 km para 76,9 km, aumento de 12,89% em um ano.
Mas, a expansão continuou depois do período analisado. Em maio de 2026, a Prefeitura informou que a malha cicloviária havia chegado a 98 km, contra 30 km em 2020. A cidade também colocou em operação bicicletas e patinetes elétricos como parte da estratégia de micromobilidade.
Aracaju tem uma das maiores proporções do Nordeste
Aracaju registrava 85,99 km de ciclovias e ciclofaixas no levantamento.
A capital sergipana tinha 4,31% de sua malha viária coberta por estruturas exclusivas para bicicletas, percentual que a colocava entre as dez maiores proporções do país.
Enfim, o dado mostra uma característica importante da análise: uma cidade não precisa ter a maior quantidade absoluta de quilômetros para apresentar uma participação relevante da bicicleta na infraestrutura urbana.
João Pessoa: 76,77 km no levantamento

João Pessoa tinha 76,77 km de ciclovias e ciclofaixas exclusivas em julho de 2025, equivalentes a 3,01% da malha viária.
O município mantém investimentos previstos para implantação e recuperação de ciclovias. O Plano Plurianual 2026–2029 da Prefeitura inclui uma ação específica para essa finalidade.
Além disso, a cidade também vem incorporando estruturas cicloviárias a projetos de parques e requalificação urbana.
Teresina e São Luís mostram outro lado da realidade
Teresina registrava 67,70 km, enquanto São Luís tinha 40 km no levantamento. A diferença fica ainda mais evidente quando se compara a proporção da infraestrutura com a malha viária.
Em Teresina, as estruturas exclusivas representavam 1,22% da malha viária. Em São Luís, o índice ficava em 0,99%.
São Luís, portanto, estava entre as capitais brasileiras com menos de 1% da malha viária composta por estruturas cicloviárias exclusivas.
Por que as ciclovias são importantes para as cidades?
A bicicleta deixou de ser apenas uma alternativa de lazer. Em muitas cidades, ela faz parte do deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, entregadores e pessoas que utilizam a bicicleta para percorrer pequenas e médias distâncias.
Mas, uma rede cicloviária conectada pode ajudar a:
- reduzir conflitos entre bicicletas e veículos;
- criar alternativas para deslocamentos curtos;
- integrar diferentes bairros;
- conectar ciclistas ao transporte público;
- estimular atividade física;
- reduzir emissões de poluentes;
- diminuir a dependência do automóvel em determinados trajetos.
A própria Aliança Bike destaca impactos da infraestrutura cicloviária na mobilidade urbana, economia e redução da poluição.
Mas existe uma ressalva importante: quilometragem não significa necessariamente qualidade.
Dessa maneira, o levantamento da entidade não avalia a condição física, continuidade, segurança ou qualidade de cada ciclovia. Ele contabiliza a extensão das estruturas exclusivas e segregadas informadas pelas capitais.
Ciclovia e ciclofaixa são a mesma coisa?
Não. A ciclovia possui separação física em relação ao tráfego de veículos. Já a ciclofaixa utiliza uma parte da via ou outro espaço destinado às bicicletas, delimitada principalmente por sinalização.
Assim, para o levantamento da Aliança Bike, as duas entram na mesma categoria porque são estruturas exclusivas e segregadas para bicicletas. Já ciclorrotas e vias compartilhadas ficam fora da contagem.

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O Nordeste está ampliando sua infraestrutura?
Sim, mas em ritmos diferentes.
Portato, o levantamento nacional apontou crescimento de 5% na rede de ciclovias e ciclofaixas das capitais brasileiras entre julho de 2024 e julho de 2025, chegando a 4.266,27 km.
No Nordeste, Natal apresentou o maior salto proporcional, enquanto Fortaleza acrescentou cerca de 34,5 km em um ano, segundo a série da Aliança Bike.
E a atualização de 2026 já começou: a entidade iniciou em junho uma nova coleta de informações junto às capitais brasileiras. O próximo levantamento deverá incorporar dados atualizados até junho de 2026.
Ou seja, a fotografia mais recente disponível para comparação regional ainda é a de julho de 2025, mas algumas cidades já divulgaram números mais novos.
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