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Iate de Neymar de R$ 120 milhões é um projeto “made in Nordeste”; saiba mais

Muitos acreditaram que o atacante comprou o superiate nos Estados Unidos. Na realidade, a embarcação foi iniciada há meses e transformado em Fortaleza. Depois da derrota do Brasil na Copa do Mundo, um dos assuntos ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de julho de 2026 - às 07:17
Atualizado 11 de julho de 2026 - às 07:17
4 min de leitura

Muitos acreditaram que o atacante comprou o superiate nos Estados Unidos. Na realidade, a embarcação foi iniciada há meses e transformado em Fortaleza.

Depois da derrota do Brasil na Copa do Mundo, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi o suposto “presente” de luxo de Neymar Jr.: um superiate avaliado em cerca de R$ 120 milhões.

A repercussão levou muita gente a acreditar que o atacante teria comprado a embarcação durante a passagem pelos Estados Unidos. No entanto, a história é bem diferente.

O Enejota, nome dado ao iate em referência às iniciais “NJ” de Neymar Jr., é resultado de um projeto desenvolvido ao longo de vários meses e que tem um forte DNA nordestino. A transformação da embarcação aconteceu em Fortaleza, no Ceará, pelas equipes da Inace SuperYachts, divisão de embarcações de luxo da Indústria Naval do Ceará (Inace).

Mais do que um símbolo de luxo, o projeto também coloca a indústria naval nordestina em evidência no mercado internacional.

O iate não foi construído do zero

Ao contrário do que muitos imaginam, o Enejota não nasceu como um iate.

Originalmente, a embarcação era um barco de apoio offshore, utilizado em operações ligadas ao setor de petróleo e gás, projetado para enfrentar condições severas de navegação.

O casco foi construído pelo estaleiro Arpoador, em Guarujá (SP). Depois, seguiu para Fortaleza, onde passou por um amplo processo de retrofit conduzido pela Inace.

Na prática, quase toda a embarcação foi transformada. O projeto incluiu:

  • reforço estrutural;
  • novos ambientes internos;
  • sistemas modernos de navegação;
  • atualização da propulsão;
  • acabamento de alto padrão;
  • design assinado por Fernando Almeida.

O resultado foi um explorer yacht, categoria voltada para longas viagens com elevada autonomia e conforto.

Uma obra de engenharia feita no Ceará

Sede da Inace, na Praia de Iracema, em Fortaleza Foto Divulgação Inace

O trabalho realizado pela Inace vai muito além da personalização estética. Segundo especialistas do setor, transformar uma embarcação offshore em um superiate exige profundas adaptações estruturais, elétricas, hidráulicas e mecânicas.

Entre os principais números do Enejota estão:

CaracterísticaDetalhes
Valor estimadoR$ 120 milhões
Área útilAproximadamente 800 m²
Suítes6
HelipontoSim
CategoriaExplorer Yacht
Motores4 Caterpillar de 1.450 hp
Velocidade máximaCerca de 20 nós (37 km/h)

A empresa que colocou o Ceará no mapa dos superiates

Pouco conhecida do grande público, a Inace é uma das principais referências da indústria naval brasileira.

Fundado em 1968, o estaleiro está instalado há mais de cinco décadas em Fortaleza e atua em diferentes segmentos.

Hoje, a empresa produz:

  • superiates de luxo;
  • navios-patrulha para a Marinha do Brasil;
  • embarcações offshore;
  • barcos de apoio marítimo;
  • serviços de reparo naval.

Segundo informações da empresa, quase 900 embarcações já foram entregues ao longo de sua história.

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O Nordeste participou da rota do Enejota

Depois de deixar Fortaleza, o superiate realizou sua primeira parada pública na Recife Marina, em Pernambuco.

Em seguida, iniciou viagem pelo litoral brasileiro rumo ao estado do Rio de Janeiro, onde deverá ser entregue ao jogador. A passagem pelo Nordeste reforçou a importância da região na construção e finalização da embarcação.

Projeto reforça força da indústria naval nordestina

Embora o noticiário tenha dado destaque ao valor milionário do iate e ao proprietário, especialistas apontam que o projeto também evidencia a capacidade tecnológica instalada no Ceará.

Portanto, a transformação de uma embarcação de apoio marítimo em um superiate de padrão internacional exige engenharia de alta complexidade, mão de obra especializada e fornecedores altamente qualificados.

Isso coloca Fortaleza entre os polos brasileiros capazes de executar projetos navais de grande porte para clientes nacionais e internacionais.

Afinal, mais do que um iate de luxo, o Enejota acaba se tornando uma vitrine da indústria naval produzida no Nordeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.