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Exportações de carne bovina do Nordeste crescem mais de 50%

Retorno das vendas à China e investimentos em tecnologia no setor ajudaram no cenário, porém, acompanha as incertezas nas negociações com União Europeia O Nordeste vive um novo momento na pecuária de corte. Tradicionalmente conhecido ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
16 de junho de 2026 - às 13:24
Atualizado 16 de junho de 2026 - às 13:24
5 min de leitura

Retorno das vendas à China e investimentos em tecnologia no setor ajudaram no cenário, porém, acompanha as incertezas nas negociações com União Europeia

O Nordeste vive um novo momento na pecuária de corte. Tradicionalmente conhecido pela produção voltada ao mercado interno, a região passou a ganhar protagonismo também nas exportações de carne bovina.

No primeiro trimestre de 2026, os embarques internacionais cresceram 51,38% em relação ao mesmo período do ano passado, desempenho três vezes superior ao registrado pelo Brasil, que avançou 17%.

Entre janeiro e março, os estados nordestinos exportaram 9,4 mil toneladas de carne bovina, consolidando uma expansão impulsionada por investimentos em tecnologia, melhorias sanitárias e abertura de novos mercados internacionais.

O levantamento é do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisas do Banco do Nordeste (BNB).

Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão lideram crescimento

O estudo mostra que quatro estados puxaram a expansão das exportações nordestinas.

EstadoCrescimento das exportações
Pernambuco+124%
Bahia+65%
Ceará+42%
Maranhão+30%

Segundo o Etene, o avanço ocorre principalmente pela habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação, fortalecimento dos controles sanitários e diversificação dos países compradores.

Nordeste a Bahia com maior rebanhod e gado
Nordeste a Bahia com maior rebanhod e gado foto freepic

Produção também cresce

Além do aumento nas exportações, o Nordeste registrou crescimento no abate de bovinos.

Nos três primeiros meses do ano, o número de animais abatidos aumentou 2,96% em relação ao mesmo período de 2025. Assim, o desempenho é atribuído à expansão de sistemas de produção semi-intensivos e intensivos, maior utilização de tecnologia no campo e integração com regiões produtoras de grãos, reduzindo custos de alimentação do rebanho.

Brasil segue líder mundial

O estudo aponta que, mesmo diante da reversão do ciclo pecuário, o Brasil continuará ocupando a liderança mundial na produção de carne bovina.

A expectativa é que o país produza cerca de 12,4 milhões de toneladas em 2026, respondendo por aproximadamente 20% de toda a produção mundial.

Especialistas alertam, porém, que o cenário internacional exige atenção. Questões geopolíticas, dificuldades logísticas e novas tarifas comerciais impostas por alguns países tornam fundamental ampliar mercados compradores e investir em produtos de maior valor agregado.

Banco do Nordeste amplia investimentos

Para fortalecer a cadeia produtiva da bovinocultura, o Banco do Nordeste vem ampliando o financiamento ao setor.

Entre 2020 e março de 2026, foram destinados quase R$ 26 bilhões para a bovinocultura de corte por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Somente em 2025, os investimentos chegaram a cerca de R$ 6 bilhões, sendo 61% dos recursos aplicados no Semiárido, região onde a adoção de novas tecnologias e sistemas produtivos vem aumentando a produtividade da pecuária.

China amplia compras, enquanto Europa impõe novos desafios

O crescimento das exportações nordestinas também coincide com mudanças importantes no mercado internacional da carne bovina. Neste primeiro semestre de 2026, a China ampliou a habilitação de frigoríficos brasileiros, autorizando novas plantas a exportarem para o maior comprador mundial de carne bovina. A medida abriu espaço para aumentar os embarques e beneficiou diversos estados brasileiros, incluindo unidades do Nordeste que passaram a atender às exigências sanitárias do mercado chinês.

Por outro lado, o setor acompanha com atenção as discussões envolvendo o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Apesar do avanço político das negociações, produtores brasileiros enfrentam resistência de países europeus e de entidades do agronegócio europeu, que defendem restrições à entrada da carne sul-americana, alegando preocupações ambientais e de concorrência.

Na prática, o cenário reforça a necessidade de o Brasil diversificar mercados compradores. Enquanto a Ásia, especialmente a China, segue impulsionando a demanda, o acesso ao mercado europeu continua cercado por exigências sanitárias, ambientais e comerciais que podem limitar o crescimento das exportações.

Mudanças na Exportações
Mudanças na Exportações FOTO Freepik

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Nordeste amplia protagonismo no agronegócio

O crescimento das exportações confirma uma transformação gradual da pecuária nordestina. Estados que antes tinham participação limitada no mercado internacional passam a integrar a cadeia exportadora brasileira, gerando renda, empregos e fortalecendo o agronegócio regional.

Com novos frigoríficos habilitados, investimentos em genética, alimentação animal e sanidade, a expectativa é que a participação do Nordeste nas exportações brasileiras continue crescendo nos próximos anos.

Principais números

  • 📈 Exportações do Nordeste: +51,38%
  • 🇧🇷 Crescimento nacional: +17%
  • 🥩 Volume exportado: 9,4 mil toneladas
  • 🐂 Crescimento do abate na região: +2,96%
  • 💰 Investimentos do BNB (2020-2026): R$ 26 bilhões
  • 🌵 Recursos destinados ao Semiárido em 2025: 61%

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.