Retorno das vendas à China e investimentos em tecnologia no setor ajudaram no cenário, porém, acompanha as incertezas nas negociações com União Europeia
O Nordeste vive um novo momento na pecuária de corte. Tradicionalmente conhecido pela produção voltada ao mercado interno, a região passou a ganhar protagonismo também nas exportações de carne bovina.
No primeiro trimestre de 2026, os embarques internacionais cresceram 51,38% em relação ao mesmo período do ano passado, desempenho três vezes superior ao registrado pelo Brasil, que avançou 17%.
Entre janeiro e março, os estados nordestinos exportaram 9,4 mil toneladas de carne bovina, consolidando uma expansão impulsionada por investimentos em tecnologia, melhorias sanitárias e abertura de novos mercados internacionais.
O levantamento é do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisas do Banco do Nordeste (BNB).
Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão lideram crescimento
O estudo mostra que quatro estados puxaram a expansão das exportações nordestinas.
| Estado | Crescimento das exportações |
|---|---|
| Pernambuco | +124% |
| Bahia | +65% |
| Ceará | +42% |
| Maranhão | +30% |
Segundo o Etene, o avanço ocorre principalmente pela habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação, fortalecimento dos controles sanitários e diversificação dos países compradores.

Produção também cresce
Além do aumento nas exportações, o Nordeste registrou crescimento no abate de bovinos.
Nos três primeiros meses do ano, o número de animais abatidos aumentou 2,96% em relação ao mesmo período de 2025. Assim, o desempenho é atribuído à expansão de sistemas de produção semi-intensivos e intensivos, maior utilização de tecnologia no campo e integração com regiões produtoras de grãos, reduzindo custos de alimentação do rebanho.
Brasil segue líder mundial
O estudo aponta que, mesmo diante da reversão do ciclo pecuário, o Brasil continuará ocupando a liderança mundial na produção de carne bovina.
A expectativa é que o país produza cerca de 12,4 milhões de toneladas em 2026, respondendo por aproximadamente 20% de toda a produção mundial.
Especialistas alertam, porém, que o cenário internacional exige atenção. Questões geopolíticas, dificuldades logísticas e novas tarifas comerciais impostas por alguns países tornam fundamental ampliar mercados compradores e investir em produtos de maior valor agregado.
Banco do Nordeste amplia investimentos
Para fortalecer a cadeia produtiva da bovinocultura, o Banco do Nordeste vem ampliando o financiamento ao setor.
Entre 2020 e março de 2026, foram destinados quase R$ 26 bilhões para a bovinocultura de corte por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).
Somente em 2025, os investimentos chegaram a cerca de R$ 6 bilhões, sendo 61% dos recursos aplicados no Semiárido, região onde a adoção de novas tecnologias e sistemas produtivos vem aumentando a produtividade da pecuária.
China amplia compras, enquanto Europa impõe novos desafios
O crescimento das exportações nordestinas também coincide com mudanças importantes no mercado internacional da carne bovina. Neste primeiro semestre de 2026, a China ampliou a habilitação de frigoríficos brasileiros, autorizando novas plantas a exportarem para o maior comprador mundial de carne bovina. A medida abriu espaço para aumentar os embarques e beneficiou diversos estados brasileiros, incluindo unidades do Nordeste que passaram a atender às exigências sanitárias do mercado chinês.
Por outro lado, o setor acompanha com atenção as discussões envolvendo o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Apesar do avanço político das negociações, produtores brasileiros enfrentam resistência de países europeus e de entidades do agronegócio europeu, que defendem restrições à entrada da carne sul-americana, alegando preocupações ambientais e de concorrência.
Na prática, o cenário reforça a necessidade de o Brasil diversificar mercados compradores. Enquanto a Ásia, especialmente a China, segue impulsionando a demanda, o acesso ao mercado europeu continua cercado por exigências sanitárias, ambientais e comerciais que podem limitar o crescimento das exportações.

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Nordeste amplia protagonismo no agronegócio
O crescimento das exportações confirma uma transformação gradual da pecuária nordestina. Estados que antes tinham participação limitada no mercado internacional passam a integrar a cadeia exportadora brasileira, gerando renda, empregos e fortalecendo o agronegócio regional.
Com novos frigoríficos habilitados, investimentos em genética, alimentação animal e sanidade, a expectativa é que a participação do Nordeste nas exportações brasileiras continue crescendo nos próximos anos.
Principais números
- 📈 Exportações do Nordeste: +51,38%
- 🇧🇷 Crescimento nacional: +17%
- 🥩 Volume exportado: 9,4 mil toneladas
- 🐂 Crescimento do abate na região: +2,96%
- 💰 Investimentos do BNB (2020-2026): R$ 26 bilhões
- 🌵 Recursos destinados ao Semiárido em 2025: 61%



