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Economia

Nordeste tem 7 dos 10 estados que mais vendem carros chineses

A invasão chinesa no mercado automotivo brasileiro tem como carro-chefe a região Nordeste. Isso porque quando a gente puxa os números de vendas de carros novos e tenta entender onde as marcas chinesas estão realmente ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
15 de junho de 2026 - às 09:30
Atualizado 15 de junho de 2026 - às 09:30
5 min de leitura

A invasão chinesa no mercado automotivo brasileiro tem como carro-chefe a região Nordeste. Isso porque quando a gente puxa os números de vendas de carros novos e tenta entender onde as marcas chinesas estão realmente crescendo, o Nordeste tem 7 estados no TOP dos que mais vendem.

Antes de mais nada, o Distrito Federal lidera. Contudo, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba e Pernambuco fecham o TOP 5. Desse modo, comprova que o avanço chinês está sendo puxado pelo Nordeste.

Sete estados nordestinos no top 10

Se a gente monta um ranking dos estados com maior participação das marcas chinesas nas vendas de carros novos, o DF abre a lista (ok, ok, já entendemos), mas logo depois aparecem sete estados nordestinos. Sete. Não é coincidência, não é acaso, não é alinhamento planetário. É realidade.

E tem mais: as marcas chinesas já correspondem a 28,5% das vendas no Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba (considerando a média dos três). Ou seja: quase um terço dos carros novos vendidos nesses estados já é chinês. É a muralha vermelha subindo o litoral.

Maranhão e Piauí ficaram fora do top 10, mas ainda assim estão acima da média nacional. Ou seja: não entraram no pódio, mas estão ali, batendo na porta.

Ranking completo: participação de marcas chinesas por estado

A tabela abaixo mostra o percentual de vendas de carros novos ocupado por marcas chinesas em cada unidade da federação (e regiões):

PosiçãoEstado/RegiãoPercentual
DF (Distrito Federal)36,4%
RN (Rio Grande do Norte)29,7%
AL (Alagoas)28,8%
PB (Paraíba)27,4%
CO (Centro-Oeste)23,3%
ND (Nordeste)22,7%
PE (Pernambuco)22,6%
SE (Sergipe)22,5%
CE (Ceará)22,4%
10ºRJ (Rio de Janeiro)21,9%
11ºBA (Bahia)20,7%
12ºRS (Rio Grande do Sul)20,5%
13ºSP (São Paulo)19,6%
14ºGO (Goiás)19,0%
15ºPI (Piauí)18,6%
16ºSC (Santa Catarina)18,0%
17ºES (Espírito Santo)17,3%
18ºMA (Maranhão)16,8%
19ºTO (Tocantins)16,4%
BR (Brasil)15,9%
20ºSUL (Região Sul)15,7%
21ºMT (Mato Grosso)15,4%
22ºRO (Rondônia)14,9%
23ºAP (Amapá)13,7%
24ºPA (Pará)13,4%
25ºNO (Região Norte)13,2%
26ºSD (Região Sudeste)13,0%
27ºPR (Paraná)12,2%
28ºAM (Amazonas)11,6%
29ºMS (Mato Grosso do Sul)11,3%
30ºAC (Acre)11,0%
31ºRR (Roraima)10,4%
32ºMG (Minas Gerais)5,0%

Observação: A tabela inclui siglas regionais (CO = Centro-Oeste, ND = Nordeste, NO = Norte, SD = Sudeste, SUL = Região Sul)

BYD Dolphin Mini. Foto: Divulgação
BYD Dolphin Mini. Foto: Divulgação

O que explica o sucesso chinês no Nordeste?

A pergunta que não quer calar: por que o Nordeste, uma região historicamente com menor renda per capita que o Sul e Sudeste, está liderando a adoção de carros chineses (muitos deles elétricos ou híbridos)?

Especialistas apontam algumas hipóteses:

1. Preço competitivo

Os carros chineses chegaram ao Brasil com uma proposta clara: mais tecnologia por menos dinheiro. Enquanto um carro tradicional de montadoras europeias ou japonesas custa uma fortuna, os chineses oferecem modelos completos (com teto solar, central multimídia, câmeras 360°) a preços mais acessíveis.

2. Custo de energia elétrica mais baixo no Nordeste

O Nordeste é líder nacional na geração de energia renovável (especialmente solar e eólica). Isso torna o custo por quilowatt-hora mais baixo do que em outras regiões, tornando os carros elétricos mais viáveis economicamente no dia a dia.

3. Incentivos fiscais estaduais

Alguns estados nordestinos oferecem benefícios fiscais (como redução de ICMS) para veículos elétricos e híbridos, o que barateia ainda mais o preço final para o consumidor.

4. Frota de aplicativos e motoristas de transporte

Outro fator relevante é a forte presença de motoristas de Uber, 99 e outras plataformas no Nordeste. Muitos têm migrado para carros elétricos chineses (como o BYD Dolphin) para reduzir custos com combustível. O ganho econômico é imediato e significativo.

5. Menor resistência à “novidade”

Hipoteticamente, mercados mais consolidados (como São Paulo) podem ter maior resistência a marcas desconhecidas. No Nordeste, o consumidor parece mais aberto a experimentar — especialmente quando o custo-benefício é evidente.

Destaques regionais

DestaqueNúmeroSignificado
Maior percentual do NordesteRio Grande do Norte (29,7%)Quase 1 a cada 3 carros novos é chinês
Segundo do NordesteAlagoas (28,8%)Mesmo patamar do RN
Terceiro do NordesteParaíba (27,4%)A Paraíba abraçou a invasão chinesa
Média da região Nordeste22,7%Bem acima da média nacional (15,9%)
Estados acima da média nacionalTodos, exceto talvez…RN, AL, PB, PE, SE, CE, BA, PI, MA — todos acima dos 15,9% do Brasil

E as marcas chinesas? Quem são elas?

As principais montadoras chinesas que estão puxando essa onda no Nordeste incluem:

  • BYD (a gigante chinesa de elétricos, que já tem fábrica na Bahia)
  • GWM (Great Wall Motors) – dona da marca Haval
  • Chery (uma das primeiras a chegar ao Brasil, com fábrica em Anápolis/GO)
  • Caoa Chery (parceria brasileiro-chinesa)
  • Jac Motors

A BYD, em especial, tem uma relação forte com o Nordeste: a montadora está construindo uma fábrica em Camaçari (BA), aproveitando o antigo complexo da Ford. A expectativa é que a produção local barateie ainda mais os veículos nos próximos anos.

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O que isso significa para o futuro?

A ascensão dos carros chineses no Nordeste não é um modismo passageiro. É uma mudança estrutural no mercado automotivo brasileiro. E o Nordeste está na vanguarda dessa transformação.

Enquanto São Paulo e Rio ainda digerem a novidade, o consumidor nordestino já está na pista — dirigindo um BYD, um Haval ou um Chery — e economizando no bolso.

A invasão chinesa aconteceu. Só que ela não chegou pelo Sudeste. Ela chegou pelo Nordeste. E veio para ficar.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.