Se você mora em Salvador, Teresina, Aracaju ou Recife, prepare-se para (finalmente) olhar para os trilhos do chão com outros olhos. O Nordeste, que historicamente é carente de infraestrutura de mobilidade sobre trilhos, está dando um salto significativo com quatro projetos de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que prometem avançar a logística de transporte que impera até então na região.
Assim, vamos conferir abaixo todas essas novidades.
Quais as novidades do VLT nas capitais no Nordeste?
Salvador: O VLT que veio de Cuiabá
A princípio, o projeto mais avançado é o de Salvador. No final de junho, o VLT da capital baiana iniciou sua operação assistida – aquela fase em que os trens rodam para testes e ambientação da população. Em meados de julho, a novidade: o serviço foi ampliado para os sábados.
Atualmente, o trecho inicial tem cerca de 4 quilômetros, ligando a Calçada ao Lobato, com seis pontos de parada. A previsão é que o sistema completo, com 36,4 km e 34 paradas, esteja em pleno funcionamento até 2028. O investimento total é de R$ 5 bilhões.
Um detalhe curioso (e que mostra a engenharia brasileira): os trens são os mesmos do VLT de Cuiabá, que nunca saiu do papel e consumiu R$ 1 bilhão. Agora, eles ganharam vida nova na Bahia, fabricados pela Marcopolo Rail.
Teresina (PI): O Metrô do Nordeste ganha novos ares
No Piauí, a novidade chegou sobre trilhos. No fim de junho, a Marcopolo Rail enviou o primeiro de três novos trens do modelo Prosper City para a CFLP (Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí). Dois deles terão capacidade para 360 passageiros (dois carros), enquanto um terceiro, maior, comportará 540 pessoas (três carros).
A linha 1, que conecta a região sudeste de Teresina ao centro, terá 17 km de extensão e promete dar um fôlego ao sistema, que hoje transporta cerca de 8 mil passageiros por dia. A expectativa é que a demanda cresça com a frota renovada e a ampliação dos trilhos.
Aracaju (SE): O acordo de R$ 700 milhões
Se Salvador e Teresina já estão na prática, Aracaju acaba de dar o pontapé inicial teórico. Em julho, o Ministério dos Transportes assinou um acordo de cooperação técnica para viabilizar os estudos de implantação de um VLT na região metropolitana.
Em suma, o custo estimado é superior a R$ 700 milhões. Ao mesmo tempo, a grande sacada aqui é a reutilização de trechos da concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que serão transferidos para o Governo de Sergipe. Além da capital, São Cristóvão, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro estão na rota. Para provar que o projeto é sério, a prefeitura de São Cristóvão já assinou a ordem de serviço para restaurar a estação ferroviária local, por onde o VLT passará.
Recife (PE): O Gigante de R$ 15 Bilhões
Não poderíamos falar de trilhos no Nordeste sem mencionar o “elefante branco” que pode virar um “gigante tecnológico”. Recife integra um grupo de metrópoles com projetos prioritários para estruturação com a iniciativa privada. O aporte estimado é de até R$ 15 bilhões, com uma configuração de 80% de investimento público e 20% privado.
Dessa forma, dos seis projetos definidos para o Grande Recife, cinco podem ser corredores de BRT elétrico ou VLT. Os números são impressionantes:
- Igarassu a Joana Bezerra: 35,4 km.
- Abreu e Lima a Cajueiro Seco: 30,6 km.
A flexibilidade técnica entre BRT e VLT permitirá que o projeto seja desenhado conforme a necessidade de cada corredor, o que é um alívio para os engenheiros e um desafio para os gestores.

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O Cenário Nacional e o Ritmo Lento
Segundo o balanço anual da ANPTrilhos, o Brasil chegou a 1.144,7 quilômetros de extensão em trilhos urbanos em 2025, um crescimento de apenas 7,2 km no período. É pouco. Muito pouco.
Atualmente, existem 20 projetos em execução no país, que totalizam 138,7 km e 123 estações, com previsão de entrega até 2028. Se esses números do Nordeste saírem do papel, serão responsáveis por uma fatia significativa desse avanço.
Comparativo dos Projetos
Para facilitar a visualização, separei as principais informações de cada projeto na tabela abaixo:
| Capital/Estado | Projeto | Situação Atual | Extensão | Investimento Estimado | Previsão de Entrega |
|---|---|---|---|---|---|
| Salvador (BA) | VLT Metropolitano | Operação Assistida (Calçada-Lobato) | 36,4 km | R$ 5 bilhões | 2028 |
| Teresina (PI) | Modernização Linha 1 | 1º trem entregue (Marcopolo Rail) | 17 km | (Integrado ao orçamento) | Em andamento |
| Aracaju (SE) | VLT Metropolitano | Acordo de Cooperação Técnica assinado | Região Metropolitana | R$ 700 milhões | Em estudos |
| Recife (PE) | Corredores de BRT/VLT | Projetos prioritários em estruturação | Até 35,4 km (trecho) | Até R$ 15 bilhões | Em estruturação |
Observação: O projeto de Fortaleza (Já possui VLT) e Maceió (CLT operando de forma limitada) complementam o cenário, mas os holofotes da “nova onda” estão mesmo nos quatro citados.
O Futuro é sobre Trilhos?
Antes de mais nada, a resposta é: depende. Depende da constância dos investimentos, da conclusão das obras e, principalmente, da integração com os demais modais. Desse modo, o que vemos hoje é um movimento real, com trens rodando, estações sendo restauradas e acordos sendo assinados.
Para o passageiro comum, o sonho é simples: um transporte que não dependa do trânsito caótico das avenidas. Se os VLTs da Bahia, Piauí, Sergipe e Pernambuco cumprirem seus papéis, o Nordeste pode, enfim, trocar a buzina pelo apito do trem.
E você, o que acha? Vai dar certo ou será mais uma promessa sobre trilhos? Comente abaixo!


