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Como 4 projetos de VLT vão mudar o transporte no Nordeste

Se você mora em Salvador, Teresina, Aracaju ou Recife, prepare-se para (finalmente) olhar para os trilhos do chão com outros olhos. O Nordeste, que historicamente é carente de infraestrutura de mobilidade sobre trilhos, está dando ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
4 de agosto de 2026 - às 07:37
Atualizado 4 de agosto de 2026 - às 07:37
5 min de leitura

Se você mora em Salvador, Teresina, Aracaju ou Recife, prepare-se para (finalmente) olhar para os trilhos do chão com outros olhos. O Nordeste, que historicamente é carente de infraestrutura de mobilidade sobre trilhos, está dando um salto significativo com quatro projetos de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que prometem avançar a logística de transporte que impera até então na região.

Assim, vamos conferir abaixo todas essas novidades.

Quais as novidades do VLT nas capitais no Nordeste?

Salvador: O VLT que veio de Cuiabá

A princípio, o projeto mais avançado é o de Salvador. No final de junho, o VLT da capital baiana iniciou sua operação assistida – aquela fase em que os trens rodam para testes e ambientação da população. Em meados de julho, a novidade: o serviço foi ampliado para os sábados.

Atualmente, o trecho inicial tem cerca de 4 quilômetros, ligando a Calçada ao Lobato, com seis pontos de parada. A previsão é que o sistema completo, com 36,4 km e 34 paradas, esteja em pleno funcionamento até 2028. O investimento total é de R$ 5 bilhões.

Um detalhe curioso (e que mostra a engenharia brasileira): os trens são os mesmos do VLT de Cuiabá, que nunca saiu do papel e consumiu R$ 1 bilhão. Agora, eles ganharam vida nova na Bahia, fabricados pela Marcopolo Rail.

Teresina (PI): O Metrô do Nordeste ganha novos ares

No Piauí, a novidade chegou sobre trilhos. No fim de junho, a Marcopolo Rail enviou o primeiro de três novos trens do modelo Prosper City para a CFLP (Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí). Dois deles terão capacidade para 360 passageiros (dois carros), enquanto um terceiro, maior, comportará 540 pessoas (três carros).

A linha 1, que conecta a região sudeste de Teresina ao centro, terá 17 km de extensão e promete dar um fôlego ao sistema, que hoje transporta cerca de 8 mil passageiros por dia. A expectativa é que a demanda cresça com a frota renovada e a ampliação dos trilhos.

Aracaju (SE): O acordo de R$ 700 milhões

Se Salvador e Teresina já estão na prática, Aracaju acaba de dar o pontapé inicial teórico. Em julho, o Ministério dos Transportes assinou um acordo de cooperação técnica para viabilizar os estudos de implantação de um VLT na região metropolitana.

Em suma, o custo estimado é superior a R$ 700 milhões. Ao mesmo tempo, a grande sacada aqui é a reutilização de trechos da concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que serão transferidos para o Governo de Sergipe. Além da capital, São Cristóvão, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro estão na rota. Para provar que o projeto é sério, a prefeitura de São Cristóvão já assinou a ordem de serviço para restaurar a estação ferroviária local, por onde o VLT passará.

Recife (PE): O Gigante de R$ 15 Bilhões

Não poderíamos falar de trilhos no Nordeste sem mencionar o “elefante branco” que pode virar um “gigante tecnológico”. Recife integra um grupo de metrópoles com projetos prioritários para estruturação com a iniciativa privada. O aporte estimado é de até R$ 15 bilhões, com uma configuração de 80% de investimento público e 20% privado.

Dessa forma, dos seis projetos definidos para o Grande Recife, cinco podem ser corredores de BRT elétrico ou VLT. Os números são impressionantes:

  • Igarassu a Joana Bezerra: 35,4 km.
  • Abreu e Lima a Cajueiro Seco: 30,6 km.

A flexibilidade técnica entre BRT e VLT permitirá que o projeto seja desenhado conforme a necessidade de cada corredor, o que é um alívio para os engenheiros e um desafio para os gestores.

A sociedade civil faz campanha pelo VLT em Salvador.

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Segundo o balanço anual da ANPTrilhos, o Brasil chegou a 1.144,7 quilômetros de extensão em trilhos urbanos em 2025, um crescimento de apenas 7,2 km no período. É pouco. Muito pouco.

Atualmente, existem 20 projetos em execução no país, que totalizam 138,7 km e 123 estações, com previsão de entrega até 2028. Se esses números do Nordeste saírem do papel, serão responsáveis por uma fatia significativa desse avanço.

Comparativo dos Projetos

Para facilitar a visualização, separei as principais informações de cada projeto na tabela abaixo:

Capital/EstadoProjetoSituação AtualExtensãoInvestimento EstimadoPrevisão de Entrega
Salvador (BA)VLT MetropolitanoOperação Assistida (Calçada-Lobato)36,4 kmR$ 5 bilhões2028
Teresina (PI)Modernização Linha 11º trem entregue (Marcopolo Rail)17 km(Integrado ao orçamento)Em andamento
Aracaju (SE)VLT MetropolitanoAcordo de Cooperação Técnica assinadoRegião MetropolitanaR$ 700 milhõesEm estudos
Recife (PE)Corredores de BRT/VLTProjetos prioritários em estruturaçãoAté 35,4 km (trecho)Até R$ 15 bilhõesEm estruturação

Observação: O projeto de Fortaleza (Já possui VLT) e Maceió (CLT operando de forma limitada) complementam o cenário, mas os holofotes da “nova onda” estão mesmo nos quatro citados.

O Futuro é sobre Trilhos?

Antes de mais nada, a resposta é: depende. Depende da constância dos investimentos, da conclusão das obras e, principalmente, da integração com os demais modais. Desse modo, o que vemos hoje é um movimento real, com trens rodando, estações sendo restauradas e acordos sendo assinados.

Para o passageiro comum, o sonho é simples: um transporte que não dependa do trânsito caótico das avenidas. Se os VLTs da Bahia, Piauí, Sergipe e Pernambuco cumprirem seus papéis, o Nordeste pode, enfim, trocar a buzina pelo apito do trem.

E você, o que acha? Vai dar certo ou será mais uma promessa sobre trilhos? Comente abaixo!

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.