Diante do agravamento das condições climáticas previstas para os próximos meses, o Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (16), um plano de contingência para mitigar os impactos do El Niño e do calor severo na Região Nordeste.
A estratégia foca nas particularidades locais: como a seca no interior e a ameaça de desabastecimento. Além disso, também prevê ações contra a insegurança hídrica e alimentar, bem como o combate à proliferação de doenças transmissíveis e ao agravamento de enfermidades crônicas.
“Nós tivemos uma redução de 75% de incidência de dengue em todo o Brasil comparando com o primeiro semestre de 2025. Provavelmente, neste segundo semestre, nós teremos um aumento da incidência de dengue e outras arboviroses por conta do El Niño. Por isso que nós estamos organizando junto aos municípios e aos estados um plano de contingência mais robusto.”
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Na visão da pasta, a resposta precisa respeitar as características de cada estado e município. Assim, garantir eficiência na assistência à população. Isso porque, conforme destacado pelo ministro, medidas padronizadas tendem a falhar quando não consideram as especificidades regionais.
Salvador como base estratégica
Dentro do pacote de medidas para a Bahia, Salvador será uma das bases regionais da Força Nacional do SUS. A unidade funcionará como ponto de apoio estratégico para enviar equipes médicas e suprimentos em até 12 horas diante de emergências climáticas e sanitárias que, eventualmente, atinjam os municípios baianos.
Além disso, o suporte emergencial na capital terá ações para o Semiárido baiano. Nesse sentido, o plano contempla o envio de novas ambulâncias do SAMU e a expansão de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). E ainda: a instalação de cisternas e soluções de água potável para comunidades vulneráveis afetadas pela estiagem prolongada.

Principais ações contra o El Niño no Nordeste
| Eixo de Atuação | Ações Previstas |
|---|---|
| Pronta resposta em emergências | Instalação de bases estratégicas da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza, preparadas para deslocamento em até 12 horas |
| Acesso à água e segurança sanitária | Implementação de mais de 18,7 mil cisternas no Semiárido e 77 soluções de água potável em áreas indígenas |
| Reforço na rede assistencial | Entrega e construção de 948 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e envio de 1,7 mil novas ambulâncias do SAMU para os estados nordestinos |
| Combate às arboviroses | Mobilização de planos de contingência locais junto aos municípios para controlar surtos de dengue e chikungunya associados ao período de seca e ao armazenamento inadequado de água |
Por que o plano é necessário?
O cenário climático previsto para os próximos meses acende um alerta sanitário. Isso porque o El Niño tende a intensificar períodos de seca e calor extremo no Nordeste. Desse modo, cria, condições propícias para dois problemas simultâneos:
- Escassez hídrica — que afeta diretamente o abastecimento de comunidades no Semiárido e em áreas indígenas;
- Proliferação de arboviroses — o armazenamento inadequado de água, comum em períodos de estiagem, torna-se criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da chikungunya.
A redução de 75% nos casos de dengue no primeiro semestre de 2025 pode ser revertida caso as medidas de contenção não sejam implementadas a tempo. Portanto, surge assim a urgência do plano de contingência.
O Que Esperar daqui para Frente
Com as bases da Força Nacional do SUS posicionadas em três capitais nordestinas — Salvador, Recife e Fortaleza —, o Ministério da Saúde busca garantir uma capacidade de resposta rápida e regionalizada. A aposta é que a combinação de infraestrutura hídrica, reforço na atenção básica e monitoramento epidemiológico consiga, desse modo, conter os efeitos mais graves do El Niño sobre a saúde da população nordestina.
A execução das medidas, no entanto, dependerá da articulação entre os governos federal, estaduais e municipais — especialmente no que diz respeito à instalação das cisternas e à mobilização dos planos locais de combate às arboviroses. Além disso, será fundamental o acompanhamento contínuo dos indicadores epidemiológicos para que eventuais ajustes possam ser feitos em tempo hábil.

