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Ministério da Saúde anuncia Plano para combater efeitos do El Niño no Nordeste

Diante do agravamento das condições climáticas previstas para os próximos meses, o Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (16), um plano de contingência para mitigar os impactos do El Niño e do calor severo na ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
17 de setembro de 2026 - às 08:59
Atualizado 17 de setembro de 2026 - às 08:59
4 min de leitura

Diante do agravamento das condições climáticas previstas para os próximos meses, o Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (16), um plano de contingência para mitigar os impactos do El Niño e do calor severo na Região Nordeste.

A estratégia foca nas particularidades locais: como a seca no interior e a ameaça de desabastecimento. Além disso, também prevê ações contra a insegurança hídrica e alimentar, bem como o combate à proliferação de doenças transmissíveis e ao agravamento de enfermidades crônicas.

“Nós tivemos uma redução de 75% de incidência de dengue em todo o Brasil comparando com o primeiro semestre de 2025. Provavelmente, neste segundo semestre, nós teremos um aumento da incidência de dengue e outras arboviroses por conta do El Niño. Por isso que nós estamos organizando junto aos municípios e aos estados um plano de contingência mais robusto.”
Alexandre Padilha, ministro da Saúde

Na visão da pasta, a resposta precisa respeitar as características de cada estado e município. Assim, garantir eficiência na assistência à população. Isso porque, conforme destacado pelo ministro, medidas padronizadas tendem a falhar quando não consideram as especificidades regionais.

Salvador como base estratégica

Dentro do pacote de medidas para a Bahia, Salvador será uma das bases regionais da Força Nacional do SUS. A unidade funcionará como ponto de apoio estratégico para enviar equipes médicas e suprimentos em até 12 horas diante de emergências climáticas e sanitárias que, eventualmente, atinjam os municípios baianos.

Além disso, o suporte emergencial na capital terá ações para o Semiárido baiano. Nesse sentido, o plano contempla o envio de novas ambulâncias do SAMU e a expansão de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). E ainda: a instalação de cisternas e soluções de água potável para comunidades vulneráveis afetadas pela estiagem prolongada.

Seca no Nordeste
A estiagem é um dos grandes problemas do Nordeste. Foto: Agência Brasil

Principais ações contra o El Niño no Nordeste

Eixo de AtuaçãoAções Previstas
Pronta resposta em emergênciasInstalação de bases estratégicas da Força Nacional do SUS em Salvador, Recife e Fortaleza, preparadas para deslocamento em até 12 horas
Acesso à água e segurança sanitáriaImplementação de mais de 18,7 mil cisternas no Semiárido e 77 soluções de água potável em áreas indígenas
Reforço na rede assistencialEntrega e construção de 948 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e envio de 1,7 mil novas ambulâncias do SAMU para os estados nordestinos
Combate às arbovirosesMobilização de planos de contingência locais junto aos municípios para controlar surtos de dengue e chikungunya associados ao período de seca e ao armazenamento inadequado de água

Por que o plano é necessário?

O cenário climático previsto para os próximos meses acende um alerta sanitário. Isso porque o El Niño tende a intensificar períodos de seca e calor extremo no Nordeste. Desse modo, cria, condições propícias para dois problemas simultâneos:

  1. Escassez hídrica — que afeta diretamente o abastecimento de comunidades no Semiárido e em áreas indígenas;
  2. Proliferação de arboviroses — o armazenamento inadequado de água, comum em períodos de estiagem, torna-se criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da chikungunya.

A redução de 75% nos casos de dengue no primeiro semestre de 2025 pode ser revertida caso as medidas de contenção não sejam implementadas a tempo. Portanto, surge assim a urgência do plano de contingência.

O Que Esperar daqui para Frente

Com as bases da Força Nacional do SUS posicionadas em três capitais nordestinas — Salvador, Recife e Fortaleza —, o Ministério da Saúde busca garantir uma capacidade de resposta rápida e regionalizada. A aposta é que a combinação de infraestrutura hídrica, reforço na atenção básica e monitoramento epidemiológico consiga, desse modo, conter os efeitos mais graves do El Niño sobre a saúde da população nordestina.

A execução das medidas, no entanto, dependerá da articulação entre os governos federal, estaduais e municipais — especialmente no que diz respeito à instalação das cisternas e à mobilização dos planos locais de combate às arboviroses. Além disso, será fundamental o acompanhamento contínuo dos indicadores epidemiológicos para que eventuais ajustes possam ser feitos em tempo hábil.