O palanque eleitoral de 2026 ganhou novos contornos neste domingo (2) na Paraíba. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, participou da convenção que oficializou o nome do senador Efraim Filho (PL) como postulante ao governo do Estado, além de confirmar a pré-candidatura do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga ao Senado.
O evento, realizado em solo paraibano, serviu como vitrine para o projeto político da família Bolsonaro no Nordeste — região historicamente dominada por lideranças de esquerda. E o discurso de Flávio foi direcionado exatamente para esse eleitorado, com promessas econômicas e duras críticas ao atual governo federal.
A princípio, Flávio Bolsonaro centrou sua fala na situação econômica do país. Dessa forma, mirou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, o candidato citou dados sobre o endividamento das famílias brasileiras e fez uma crítica incisiva à política de renegociação de dívidas promovida pelo governo atual.
“Em mais de 80% das famílias que estão devendo, não estão devendo porque querem, é porque precisam, porque começou a faltar arroz em casa, começou a faltar feijão, a picanha não chegou”, disparou o senador, em referência direta a uma das promessas de campanha de Lula em 2022.
Assim, Flávio questionou a eficácia dos programas “Desenrola” oferecidos pelo governo federal:
“Ficar fazendo desenrola, um governo que já enrolou o povo, já ofereceu dois desenrolas… Como você se livra das dívidas futuras que virão?”, indagou, classificando a abordagem do atual governo como insuficiente.
O que muda no Bolsa Família?
Um dos pontos mais aguardados do discurso foi a posição do candidato em relação ao principal programa de transferência de renda do país. Flávio foi direto:
“Você que recebe o Bolsa Família e precisa dele, eu vou garantir o benefício.”
No entanto, o senador fez questão de demarcar uma diferença de abordagem em relação ao governo atual. Para ele, o programa deve ser um trampolim, e não um destino final:
“Agora, ele não pode ser o destino final. A proteção é o início do caminho.”

Em suma, a proposta do candidato inclui a criação de programas que possibilitem aos nordestinos “formar os filhos na universidade e conseguir um emprego”, com o objetivo de que as famílias possam, no futuro, entrar num supermercado e escolher a carne que querem comer — uma alusão direta ao discurso da picanha que marcou a eleição anterior.
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O “recado” ao Nordeste
Flávio Bolsonaro também provocou o eleitorado nordestino ao questionar os resultados das gestões de esquerda na região:
“O Nordeste foi governado pela esquerda há quase 20 anos, o que mudou na sua vida?”
A pergunta, feita em tom de cobrança, resume a estratégia da campanha do PL para a região: descolar a imagem do partido do rótulo de “anti-Nordeste” e propor uma alternativa econômica que, segundo o candidato, traria mais autonomia e dignidade à população.
Resumo dos principais pontos do evento
| Tema | Posicionamento de Flávio Bolsonaro |
|---|---|
| Bolsa Família | Será mantido, mas deve ser o “início do caminho”, não o destino final. |
| Endividamento | Crítico aos programas “Desenrola”; defende soluções estruturais. |
| Economia | Promete mudar a realidade econômica para que famílias possam escolher a carne no supermercado. |
| Nordeste | Questiona os resultados de 20 anos de gestões de esquerda; promete mais oportunidades. |
| Aliados na PB | Apoio a Efraim Filho (governo) e Marcelo Queiroga (Senado). |
| Governo Lula | Críticas duras à gestão atual, especialmente na área econômica. |

