Seis caças comprados da Dinamarca terão autorização para entrar no espaço aéreo brasileiro e pousar na Base Aérea de Natal durante o traslado para a Argentina
Seis caças F-16 Fighting Falcon da Força Aérea Argentina vão passar pelo Nordeste nos próximos dias. As aeronaves, adquiridas da Dinamarca, terão autorização para entrar no espaço aéreo brasileiro e fazer uma escala na Base Aérea de Natal (BANT), no Rio Grande do Norte.
A princípio, a autorização da Receita Federal permite a operação entre 21 de setembro e 1º de outubro de 2026. A data exata da chegada dos caças a Natal ainda não foi divulgada oficialmente.
O grupo faz parte do segundo lote de seis F-16 que a Argentina está recebendo da Dinamarca. Depois da passagem pelo Nordeste, as aeronaves seguirão para a Argentina, com destino ao Área Material Río Cuarto, na província de Córdoba.
Por que os F-16 vão passar por Natal?
A localização do Rio Grande do Norte ajuda a explicar a escolha.
Sendo assim, Natal fica em uma posição estratégica para rotas aéreas entre Europa, África e América do Sul. Essa característica fez da região um importante ponto de apoio para operações aéreas internacionais desde a Segunda Guerra Mundial.
Agora, mais de 80 anos depois, a Base Aérea de Natal volta a aparecer em uma operação internacional envolvendo aeronaves militares estrangeiras.
A escala também não será inédita. Os primeiros seis F-16 argentinos, recebidos em dezembro de 2025, também passaram por Natal durante o traslado da Dinamarca para a Argentina. Contudo, a própria Força Aérea Argentina registra que aquelas aeronaves fizeram escalas em Zaragoza, nas Ilhas Canárias e em Natal antes de chegar ao país.
Segundo lote terá seis caças F-16

A nova operação envolve seis aeronaves do acordo firmado pela Argentina para aquisição de 24 F-16A/B MLU da Dinamarca.
O negócio inclui versões monoposto e biposto do caça. Assim, a Argentina começou a receber as primeiras aeronaves no fim de 2025 e iniciou, em 2026, o treinamento de pilotos e técnicos para a operação do novo sistema de armas.
Com o segundo lote, o número de F-16 recebidos pela Argentina chegará a 12 aeronaves.
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Aeronave | F-16 Fighting Falcon |
| País que vendeu | Dinamarca |
| País comprador | Argentina |
| Novo lote | 6 caças |
| Total previsto | 24 aeronaves |
| Escala no Brasil | Base Aérea de Natal |
| Período autorizado | 21/09 a 01/10 |
| Destino após o Brasil | Área Material Río Cuarto, Córdoba |
Natal será aeroporto internacional temporário
A operação exige uma autorização especial porque a Base Aérea de Natal não possui um posto alfandegário fixo.
Por isso, a Receita Federal autorizou temporariamente a utilização da unidade para receber aeronaves estrangeiras em voo internacional.
Durante a operação, servidores da Receita poderão realizar o controle aduaneiro necessário para a chegada e saída das aeronaves e de suas tripulações. O procedimento segue o modelo adotado durante o primeiro traslado dos F-16 argentinos.
Dessa maneira, isso significa que a autorização não transforma permanentemente a Base Aérea de Natal em aeroporto internacional. Trata-se de uma autorização específica para a operação.
Os caças já passaram pelo Nordeste em 2025
A passagem dos F-16 argentinos por Natal não será uma novidade.
Em dezembro de 2025, os primeiros seis caças adquiridos pela Argentina também utilizaram a base potiguar durante o voo de traslado iniciado na Dinamarca.
Na ocasião, a operação contou ainda com aeronaves de apoio. O primeiro lote chegou posteriormente à Argentina e foi incorporado ao processo de formação e treinamento da Força Aérea Argentina.
Assim, a repetição da rota mostra como Natal funciona como ponto de apoio em uma travessia de longa distância entre a Europa e a América do Sul.
F-16: o que é o caça usado pela Argentina?
O F-16 Fighting Falcon é um caça supersônico multifunção desenvolvido nos Estados Unidos e utilizado por diversas forças aéreas.
A Argentina adquiriu aeronaves usadas da Dinamarca, que passaram por processos de modernização e atualização.
O governo argentino classifica o F-16 como um caça supersônico de quarta geração. O país começou a preparar infraestrutura e pessoal para incorporar o sistema à sua Força Aérea.
Sendo assim, a escolha representa também uma mudança importante para a aviação militar argentina. Os primeiros F-16 chegaram ao país em dezembro de 2025, encerrando um período sem caças supersônicos operacionais desde a retirada dos Mirage em 2015.
E o que os F-16 farão em Natal?
Natal será uma escala logística.
Os caças não estão sendo enviados para participar de uma operação militar no Rio Grande do Norte. O objetivo da parada é apoiar o traslado das aeronaves entre a Europa e a Argentina.
O destino do segundo lote é a Área Material Río Cuarto, em Córdoba, onde os aviões passarão pelas etapas de preparação e integração à Força Aérea Argentina.
Contudo, também há previsão de participação de aeronaves de apoio na operação, como ocorreu no primeiro traslado. Fontes especializadas apontam novamente para o emprego de um KC-135 Stratotanker da Força Aérea dos Estados Unidos no deslocamento.
Natal e a história das rotas aéreas internacionais
A passagem dos F-16 chama atenção também pela história da região.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Natal e Parnamirim ganharam importância estratégica justamente pela localização próxima ao Atlântico. Assim, o complexo conhecido como Parnamirim Field foi utilizado pelos Estados Unidos como ponto de apoio para operações aéreas entre o continente americano e a África.
Sendo assim, a geografia que favoreceu aquela função décadas atrás continua sendo um dos motivos que tornam o Rio Grande do Norte uma referência para determinadas rotas aéreas internacionais.
Agora, a pista potiguar volta a receber aeronaves militares estrangeiras — desta vez, caças F-16 argentinos em uma operação de traslado entre a Europa e a América do Sul.

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Quando os F-16 chegam a Natal?
A autorização brasileira vale de 21 de setembro a 1º de outubro. Até o momento, porém, não existe uma data oficial divulgada para o pouso dos seis caças na Base Aérea de Natal.
Algumas publicações especializadas apontam que a chegada deverá ocorrer na última semana de setembro, mas a data deve ser tratada como previsão até que seja confirmada pelas autoridades responsáveis.
Assim, quem estiver em Natal ou na região metropolitana poderá acompanhar a movimentação da operação nos próximos dias, mas não há, neste momento, horário oficial de chegada para divulgação ao público.
Portanto, a passagem dos F-16 reforça mais uma vez o papel estratégico do Rio Grande do Norte nas rotas aéreas que conectam diferentes pontos do Atlântico.


