Pesquisa mostra que 62% das mulheres defendem o banimento das apostas online, contra 50% dos homens; apoio também aparece entre eleitores de diferentes campos políticos
As bets podem ganhar espaço no debate eleitoral de 2026 por uma razão que vai além da economia ou da regulamentação: uma parcela majoritária do eleitorado brasileiro defende a proibição das apostas online, e as mulheres são o grupo mais favorável ao banimento.
Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, realizada pelo Estúdio Clarice em parceria com a Estratégia Latina e o Instituto IDEIA, 56% dos brasileiros defendem a proibição das bets. Entre as mulheres, o índice chega a 62%, enquanto entre os homens fica em 50%.
O levantamento foi realizado com 2.008 entrevistados em todo o Brasil, entre os dias 8 e 9 de julho, seguindo a distribuição populacional do Censo 2022 e da Pnad 2025.

Mulheres aparecem como o eleitorado mais favorável ao banimento
O recorte por gênero é o principal dado político da pesquisa.
| Grupo | Defende a proibição das bets |
|---|---|
| Mulheres | 62% |
| Homens | 50% |
| Total da população | 56% |
Ou seja, a diferença chega a 12 pontos percentuais entre mulheres e homens.
O dado ganha relevância em um ano eleitoral porque as apostas deixaram de ser apenas uma discussão sobre entretenimento e passaram a envolver questões como endividamento, renda familiar, saúde mental e proteção do consumidor.
Outro levantamento realizado pelo Meio/IDEIA, em maio, também identificou forte preocupação dos eleitores com as apostas: 59% disseram acreditar que as bets contribuem para o endividamento e 62% concordaram que elas podem provocar dependência.
O tema atravessa a polarização política
Um dos aspectos mais interessantes do levantamento “Mulheres & Bets” é que o apoio à proibição não aparece restrito a um único campo político.
Entre aqueles que defendem o banimento, 62% se declaram apoiadores de Lula, enquanto 56% se identificam como apoiadores de Jair Bolsonaro, segundo os dados apresentados pela pesquisa.
Isso indica que a discussão sobre as bets pode alcançar diferentes segmentos do eleitorado.
Não significa, porém, que todos os eleitores desses grupos defendam a mesma política sobre apostas. O levantamento mede a posição dos entrevistados sobre a proibição, e não uma preferência eleitoral ou intenção de voto.
Por que as mulheres aparecem com maior rejeição às bets?
A pesquisa ajuda a entender parte dessa diferença.
Entre as mulheres, 42% afirmam que já apostaram e outros 12% não apostam, mas têm alguém da família que aposta. Somados, os dois grupos representam 54% das mulheres brasileiras diretamente ou indiretamente afetadas pelas bets.
Entre as apostadoras, os motivos econômicos aparecem com força:
- 21,5% dizem buscar renda extra;
- 19% apontam a possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente;
- 16% citam o pagamento de despesas básicas;
- 11,5% mencionam o pagamento de dívidas.
O levantamento também mostra que mães apostam mais que mulheres sem filhos, com índices de 22,7% e 14,6%, respectivamente.
As bets já fazem parte da vida de quase metade dos brasileiros
A pesquisa aponta que 49% dos brasileiros já fizeram algum tipo de aposta online. O percentual chega a 56% entre os homens e fica em 42% entre as mulheres.
Esse dado cria uma situação curiosa para o debate eleitoral: quem mais aposta não é necessariamente quem mais defende a proibição.
As mulheres, por exemplo, apresentam participação menor nas apostas do que os homens, mas demonstram maior apoio ao banimento.
O levantamento Meio/IDEIA realizado anteriormente encontrou cenário semelhante: cerca de 30% dos homens haviam apostado online nos 30 dias anteriores à pesquisa, contra 22% das mulheres.
Autoexclusão: 70% ainda não conhecem o mecanismo
Outro dado importante para o debate eleitoral está na falta de informação.
Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 70% dos brasileiros nunca ouviram falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal.
A ferramenta permite que o cidadão solicite o bloqueio do próprio CPF nas plataformas de apostas autorizadas. O desconhecimento é ainda maior entre mulheres das classes D e E, segundo o estudo.
Esse ponto ganha importância porque o governo já utiliza a autoexclusão como uma das ferramentas de proteção aos apostadores, enquanto o debate político começa a discutir até onde deve ir a restrição às plataformas.
LEIA MAIS – Mais de 5 milhões já estão impedidos de apostar nas bets; bloqueie seu CPF
O que o eleitor pensa sobre outras medidas?
A pesquisa também avaliou alternativas ao banimento.
45% dos entrevistados aprovam o bloqueio do Pix para apostas por pessoas que recebem benefícios sociais.
Outro dado chama atenção: 33% demonstrariam interesse em um canal anônimo de apoio, percentual que sobe para 57% entre quem aposta com frequência.
Os números mostram que a discussão não se resume à pergunta “proibir ou liberar”. Existe também espaço para políticas de restrição, prevenção, informação e tratamento dos problemas associados ao jogo.
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Bets podem virar tema eleitoral em 2026
Com a campanha eleitoral se aproximando, as apostas online podem se transformar em mais um tema de discussão entre candidatos e eleitores.
O interesse político está justamente na combinação de três fatores: o número elevado de brasileiros que já apostaram, o impacto sobre o orçamento familiar e o apoio majoritário a medidas mais duras.
A pesquisa “Mulheres & Bets” mostra que 56% dos brasileiros defendem a proibição, enquanto o percentual chega a 62% entre as mulheres.
Assim, no debate eleitoral de 2026, o dado mais relevante talvez não seja apenas quantas pessoas apostam, mas qual grupo do eleitorado demonstra maior disposição para apoiar uma política de banimento.
E, pelos números apresentados neste levantamento, as mulheres aparecem na frente nesse quesito.
Nota editorial: os números acima são dados de pesquisa de opinião; eles não indicam intenção de voto nem permitem concluir que determinado candidato ou partido tenha vantagem eleitoral por defender ou rejeitar as bets.


