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Mais de 5 milhões já estão impedidos de apostar nas bets; bloqueie seu CPF

Sistema de autoexclusão permite que usuário peça voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas online no Brasil Mais de 5 milhões de brasileiros estão atualmente impedidos de realizar apostas em plataformas online, segundo ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
14 de agosto de 2026 - às 09:33
Atualizado 14 de agosto de 2026 - às 09:33
6 min de leitura

Sistema de autoexclusão permite que usuário peça voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas online no Brasil

Mais de 5 milhões de brasileiros estão atualmente impedidos de realizar apostas em plataformas online, segundo informação divulgada pelo Ministro da Fazenda, Dario Durigan. O número reúne diferentes mecanismos de restrição criados pelo governo, mas um deles chama atenção por permitir que o próprio usuário tome a decisão: a autoexclusão pelo CPF.

Cerca de 1,2 milhão de pessoas já solicitaram voluntariamente o bloqueio. O mecanismo permite que o cidadão restrinja o próprio acesso às casas de apostas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF).

A ferramenta foi criada justamente para quem percebe que as apostas estão começando a provocar problemas financeiros, emocionais ou dificuldade de controle. O Ministério da Fazenda define a autoexclusão como um mecanismo de proteção que permite ao cidadão interromper o acesso às plataformas autorizadas.

Como funciona o bloqueio pelo CPF?

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Jogos Bet foto freepik

O processo é feito pela internet, por meio do Gov.br, e não exige que o usuário faça o pedido separadamente em cada casa de apostas.

Depois de acessar a plataforma com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, o usuário escolhe o período de afastamento e aceita os termos do serviço. A partir daí, o bloqueio passa a valer para as casas de apostas federais autorizadas.

A principal vantagem é justamente a centralização: um único pedido restringe o acesso às plataformas abrangidas pelo sistema, em vez de obrigar o usuário a procurar individualmente cada empresa.

Acesse o serviço oficial de Autoexclusão do Ministério da Fazenda

Quanto tempo dura a autoexclusão?

O usuário pode escolher um período determinado ou optar pelo bloqueio por prazo indeterminado.

A regra atual prevê prazo mínimo de um mês. No caso de uma escolha com prazo determinado, a decisão não pode ser revertida antes do término do período escolhido. Já na modalidade por tempo indeterminado, a revogação somente pode ser solicitada depois de 12 meses.

Como funcionaRegra
Prazo mínimo1 mês
Prazo determinadoO usuário escolhe o período
Prazo indeterminadoSem data definida para encerramento
Reversão durante prazo determinadoNão é permitida
Reversão do prazo indeterminadoSomente após 12 meses
AcessoConta Gov.br prata ou ouro
AbrangênciaCasas de apostas federais autorizadas

O que acontece depois do bloqueio?

A autoexclusão restringe o acesso do CPF às plataformas abrangidas pelo sistema. A medida também faz parte da política de jogo responsável adotada pelo governo.

Segundo o Ministério da Fazenda, a ferramenta busca prevenir danos financeiros e à saúde relacionados às apostas. O próprio órgão orienta que pessoas que estejam enfrentando problemas procurem atendimento em unidades de saúde, CAPS ou profissionais de confiança.

Isso transforma o CPF em uma espécie de chave de bloqueio centralizada: em vez de depender apenas da decisão tomada dentro de cada aplicativo ou site, o usuário pode solicitar uma restrição que alcança as plataformas autorizadas pelo governo.

Mais de 5 milhões estão fora das bets por diferentes motivos

O número anunciado pelo Ministério da Fazenda não corresponde apenas às pessoas que voluntariamente pediram a autoexclusão.

A composição apresentada pelo ministro inclui:

Motivo da restriçãoPessoas
Autoexclusão voluntária1,2 milhão
Adesão ao Desenrola 2.0cerca de 800 mil
Bolsa Família e BPCcerca de 3 milhões
Totalmais de 5 milhões

Os cerca de 800 mil participantes do Desenrola 2.0 ficam impedidos de apostar por seis meses, conforme as regras do programa. Já aproximadamente 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) estão incluídos nas restrições determinadas pelo governo.

Assim, a autoexclusão representa aproximadamente 1,2 milhão de decisões individuais dentro desse universo de mais de 5 milhões de CPFs impedidos de apostar.

Governo também amplia fiscalização das bets

A divulgação dos números ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre o mercado de apostas online.

Nesta quarta-feira, o Ministério da Fazenda informou que duas operações foram deflagradas com participação da Secretaria de Prêmios e Apostas. Uma delas envolve uma empresa que atuava de forma ilegal. A outra mira uma empresa que havia recebido autorização para operar, mas teve a atividade suspensa cautelarmente durante um processo de fiscalização.

Dessa maneira, as investigações envolvem suspeitas relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, segundo o ministro.

Fazenda começa a divulgar documentos das empresas autorizadas

Outra novidade anunciada pelo Ministério da Fazenda é a divulgação dos documentos que fundamentaram a autorização das empresas de apostas que podem operar legalmente no país.

Na primeira etapa, foram disponibilizados documentos relacionados a 80 das 85 empresas que passaram pelo processo de habilitação na Secretaria de Prêmios e Apostas. O material reúne mais de 2 mil páginas.

Entre os documentos estão análises sobre a habilitação jurídica das empresas, idoneidade de controladores e administradores, origem dos recursos, mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, pagamento da outorga e relatórios finais.

A divulgação será feita gradualmente, preservando informações pessoais e dados protegidos por sigilo.

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Um novo capítulo na regulação das apostas

Portanto, a autoexclusão mostra que a discussão sobre as bets no Brasil já ultrapassou a questão de simplesmente permitir ou proibir apostas. O governo vem criando mecanismos para identificar quem pode apostar, restringir determinados públicos e oferecer ao próprio usuário uma ferramenta para interromper seu acesso.

Afinal, para quem percebe que as apostas estão deixando de ser entretenimento e começando a comprometer o orçamento ou o bem-estar, a autoexclusão é justamente uma alternativa criada para colocar uma barreira entre o usuário e as plataformas.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.