A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, anunciou nesta segunda-feira (18), em Brasília, a aguardada retomada das obras da Ferrovia Transnordestina em território pernambucano.
O anúncio ocorreu após reunião no Palácio do Planalto com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e promete reacender a esperança de um dos projetos de infraestrutura mais longevos e problemáticos do Nordeste.
De acordo com a gestora, o contrato para o reinício dos serviços será assinado nesta terça-feira (19) e prevê, neste primeiro lote, a execução de 73 quilômetros da ferrovia em Pernambuco.
“Notícia massa a gente não pode guardar. Eu estou aqui em Brasília, no escritório de Pernambuco, e foi confirmado que amanhã a gente vai ter a assinatura do contrato de retomada da obra da Transnordestina. Neste lote, serão 73 quilômetros. Nada é capaz de superar a força do trabalho e da união“, destacou a governador em postagem nas redes sociais.
Ao mesmo tempo, a governadora fez questão de agradecer nominalmente ao presidente Lula, ao ex-ministro Renan Filho, ao ministro dos Transportes, George Santoro, e ao diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos.
O contexto: decisão do TCU e desafios
A confirmação ocorre poucos dias após o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar a suspensão de novos compromissos financeiros relacionados ao trecho Salgueiro-Suape da ferrovia. A decisão do tribunal apontou ausência de estudos técnicos, econômicos e ambientais atualizados que comprovem a viabilidade socioeconômica do empreendimento — um fantasma que assombra a Transnordestina há anos.
Apesar da decisão do TCU, o governo estadual seguiu com as articulações políticas em Brasília e conseguiu viabilizar a assinatura do contrato para este primeiro lote de 73 km.
Por que a Transnordestina é tão importante?
Uma das principais obras de infraestrutura do Nordeste, a Transnordestina teve lançamento ainda em 2006. Antes de mais nada, a proposta é de conectar as regiões produtoras do interior nordestino aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE). O projeto, no entanto, acumula sucessivos atrasos, revisões de orçamento e mudanças no modelo de execução ao longo das últimas duas décadas.
Em Pernambuco, a retomada da ferrovia é essencial e defendida por setores produtivos e pelo Governo do Estado como estratégica para o escoamento de cargas e fortalecimento de cadeias econômicas vitais.

O que você precisa saber sobre a Transnordestina
| Item | Informação |
|---|---|
| Obra | Ferrovia Transnordestina (trecho em Pernambuco) |
| Anúncio | 18 de maio de 2026, por Raquel Lyra (governadora de PE) |
| Assinatura do contrato | 19 de maio de 2026 |
| Extensão do primeiro lote | 73 quilômetros |
| Local da reunião | Palácio do Planalto / Escritório de Pernambuco em Brasília |
| Principais envolvidos | Raquel Lyra, ministra Miriam Belchior (Casa Civil), presidente Lula, ex-ministro Renan Filho, ministro George Santoro (Transportes), Jorge Bastos (Infra S.A.) |
| Contexto crítico | TCU suspendeu novos compromissos financeiros do trecho Salgueiro-Suape por falta de estudos atualizados |
| Importância econômica | Escoamento de cargas para o Porto de Suape; fortalecimento do Polo Gesseiro do Araripe, indústria de confecções e avicultura |
| Histórico | Projeto lançado em 2006; sucessivos atrasos e revisões |
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Próximos passos
Em suma, a assinatura do contrato nesta terça-feira (19) é apenas o primeiro passo. Resta saber como o Governo Estadual e a União vão lidar com as ressalvas apontadas pelo TCU — especialmente a necessidade de estudos técnicos, econômicos e ambientais atualizados. Enquanto isso, os 73 quilômetros iniciais representam um símbolo: depois de quase duas décadas de promessas e frustrações, a Transnordestina volta a dar um sinal de vida.
Para o Polo Gesseiro do Araripe, a indústria de confecções e a avicultura pernambucana, o barulho dos trilhos não poderia soar mais doce.


