A Paraíba se consolida como um dos principais exemplos de como a segurança hídrica passou a ser uma estratégia de desenvolvimento para o Nordeste
Durante décadas, a falta de água limitou o crescimento econômico e comprometeu a qualidade de vida de milhões de nordestinos. Nos últimos anos, porém, grandes investimentos em barragens, adutoras, canais e sistemas integrados de abastecimento começaram a mudar esse cenário.
A Paraíba é um dos estados que mais têm investido nesse setor. O anúncio da construção de quatro novas barragens, com investimento de R$ 168,5 milhões, reforça uma política pública voltada para ampliar a reserva de água, garantir o abastecimento das cidades e preparar o estado para enfrentar períodos prolongados de seca.
A princípio, mais do que obras de infraestrutura, esses empreendimentos representam uma mudança na forma como o Nordeste convive com o semiárido.
Quatro novas barragens para ampliar a reserva de água

As novas obras serão executadas em diferentes regiões do estado e deverão beneficiar aproximadamente 70 mil pessoas.
| Barragem | Município | Investimento | Capacidade |
|---|---|---|---|
| Olho D’Água Seco | Uiraúna | R$ 21,6 milhões | 2,7 milhões m³ |
| Estrelo | Pombal | R$ 34,5 milhões | 4,4 milhões m³ |
| Catingueira | Catingueira | R$ 66,6 milhões | 37,9 milhões m³ |
| Formigueiro | Sumé | R$ 45,7 milhões | 7,9 milhões m³ |
As estruturas foram projetadas para reforçar o abastecimento urbano e rural, além de aumentar a capacidade de armazenamento durante os períodos chuvosos.
Segurança hídrica vai muito além de construir barragens
Especialistas apontam que segurança hídrica significa garantir água em quantidade e qualidade suficientes para abastecimento humano, produção agrícola, indústria e preservação ambiental, mesmo durante períodos de estiagem.
Sendo assim, no Nordeste, isso envolve uma combinação de diferentes obras:
- construção de barragens;
- recuperação de reservatórios antigos;
- canais de integração;
- sistemas adutores;
- interligação entre bacias hidrográficas;
- transposição de grandes rios.
A estratégia reduz a dependência das chuvas e aumenta a capacidade de resposta durante secas severas.
Programa recupera 87 barragens
Além das novas construções, a Paraíba também executa um amplo programa de recuperação de reservatórios.
O Programa de Recuperação de Barragens (PRB) contempla 87 barragens, distribuídas pelo Sertão, Cariri, Curimataú, Agreste e Litoral, com investimento aproximado de R$ 73 milhões.
Nesta etapa, nove reservatórios passam por obras de manutenção para garantir segurança estrutural e preservar a capacidade de armazenamento.
Canal Acauã-Araçagi é uma das maiores obras hídricas do Nordeste

Entre os principais projetos em andamento está o Canal Acauã-Araçagi. A obra representa um investimento total de R$ 1,5 bilhão e deverá beneficiar 38 municípios paraibanos. Os dois primeiros lotes já foram entregues.
Quando totalmente concluído, o sistema permitirá:
- abastecimento regular de mais de 600 mil habitantes;
- irrigação de aproximadamente 16 mil hectares;
- maior segurança no fornecimento de água durante os períodos secos.
O canal possui mais de 130 quilômetros de extensão e integra diversos reservatórios da região.

Transparaíba leva água da Transposição para o interior
Outro projeto considerado estratégico é o Sistema Adutor Transparaíba. A obra utiliza águas da Transposição do Rio São Francisco para abastecer municípios historicamente afetados pela escassez hídrica.
Ramal Curimataú
- investimento superior a R$ 538 milhões na primeira etapa;
- atendimento previsto para 19 municípios;
- 364 quilômetros de adutoras;
- água captada no Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão).
A segunda etapa, já em fase de licitação, acrescentará outros 182 quilômetros de adutoras, ampliando o atendimento para dezenas de milhares de moradores até 2050.
Ramal Cariri
Outro braço importante do projeto é o Transparaíba – Ramal Cariri. Os números impressionam:
- investimento de R$ 413 milhões;
- aproximadamente 369 quilômetros de tubulações;
- 13 estações de bombeamento;
- atendimento previsto para 18 municípios;
- cerca de 150 mil habitantes beneficiados.
Transposição do São Francisco mudou o cenário da região
Grande parte dessas obras só se tornou possível graças à integração com o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). Dessa maneira, considerada uma das maiores obras de infraestrutura hídrica da América Latina, a transposição passou a levar água para estados como: Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
A chegada da água do São Francisco permitiu ampliar sistemas adutores, recuperar reservatórios e reduzir a vulnerabilidade de milhares de municípios aos períodos de estiagem.
Água também significa desenvolvimento
Os investimentos em segurança hídrica geram efeitos que vão muito além do abastecimento das cidades. Entre os principais benefícios estão:
- redução do risco de colapso no fornecimento;
- fortalecimento da agricultura irrigada;
- aumento da produção de alimentos;
- atração de novos investimentos;
- maior segurança para a indústria;
- melhoria das condições sanitárias;
- geração de emprego durante a execução das obras.
No semiárido nordestino, garantir água representa criar condições para crescimento econômico e permanência da população no campo.

LEIA TAMBÉM:
- Conheça Cidades do Nordeste já abastecidas com água da Transposição do São Francisco
- Nordeste tem as 4 capitais com a cesta básica mais barata do Brasil
- Queijo com Mofo Azul da Paraíba conquista o Brasil
- Conheça os Padroeiros das capitais do Nordeste: tradição e fé
Nordeste amplia investimentos para enfrentar a seca
Estados como Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia também vêm executando grandes projetos de barragens, adutoras e sistemas de integração hídrica.
Portanto, nesse cenário, a Paraíba se destaca por combinar diferentes frentes de atuação: construção de novos reservatórios, recuperação de barragens antigas, ampliação das adutoras e integração com as águas da Transposição do São Francisco.
Afinal, o conjunto dessas iniciativas demonstra que a segurança hídrica passou a ocupar papel central no planejamento do desenvolvimento regional, reduzindo a dependência do regime de chuvas e aumentando a resiliência do Nordeste diante das mudanças climáticas.


