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Queijo com Mofo Azul da Paraíba conquista o Brasil

Premiações nacionais, registro sanitário inédito e produtos únicos reforçam a força da produção artesanal paraibana A Paraíba vive um dos melhores momentos da história da produção de queijos artesanais. Em poucos meses, produtores do estado ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
16 de julho de 2026 - às 12:00
Atualizado 16 de julho de 2026 - às 12:00
5 min de leitura

Premiações nacionais, registro sanitário inédito e produtos únicos reforçam a força da produção artesanal paraibana

A Paraíba vive um dos melhores momentos da história da produção de queijos artesanais. Em poucos meses, produtores do estado acumularam medalhas em competições nacionais, conquistaram registros sanitários inéditos e ampliaram o reconhecimento de produtos tradicionais que começam a ganhar espaço entre os melhores queijos do Brasil.

O maior destaque é o queijo Aventureiro, produzido pela Capril Encanto da Macambira, em São João do Cariri, que conquistou a medalha de ouro na categoria Queijo com Mofo Azul durante a Expo Queijo Brasil 2026, realizada em Araxá (MG).

A princípio, a conquista ocorreu apenas dois meses depois de o mesmo queijo receber duas medalhas de prata no 4º Mundial do Queijo no Brasil, competição que reuniu mais de 2.600 queijos de 20 países, consolidando o produto paraibano entre os melhores do segmento.

Um queijo que nasceu de uma provocação

O nome Aventureiro surgiu após um episódio curioso. Durante um concurso realizado em 2024, um participante afirmou que os produtores paraibanos eram apenas “aventureiros” e não sabiam fabricar queijos de alta qualidade.

Dessa maneira, a provocação acabou servindo de inspiração para o caprinocultor Renato Brito. Ele decidiu batizar o novo queijo de Aventureiro e prometeu aos colegas que um dia conquistaria uma medalha de ouro.

A promessa foi cumprida em 2026.

“Eu falei para os meus amigos que faria um queijo chamado Aventureiro e que ele ganharia uma medalha de ouro”, relembrou o produtor.

O diferencial está no Cariri

Produzido exclusivamente com leite de cabra, o queijo passa por um período de maturação entre 30 e 40 dias. Seu grande diferencial é o desenvolvimento natural de um mofo azul na superfície.

Segundo análises realizadas pelos produtores, essa característica está diretamente ligada às condições ambientais do Cariri paraibano, como: clima semiárido, alimentação das cabras, terroir regional e método artesanal de fabricação.

Assim, o resultado é um queijo com identidade própria, impossível de ser reproduzido exatamente em outras regiões.

Congo Cariri Paraibano foto pbtur
Congo Cariri Paraibano foto pbtur

A Paraíba lidera a produção de leite de cabra no Nordeste

O sucesso do Aventureiro não acontece por acaso. A Paraíba ocupa a liderança da produção de leite de cabra na região Nordeste, atividade concentrada principalmente no Cariri.

Dessa maneira, essa cadeia produtiva fornece matéria-prima para diversos queijos artesanais que vêm conquistando espaço em concursos nacionais e fortalecendo a economia rural do estado.

Outros produtores também foram premiados

A Paraíba também subiu ao pódio com outro fabricante durante a Expo Queijo Brasil 2026. O Laticínio Ilpla, de Belém (PB), conquistou medalhas de prata em duas categorias:

ProdutorProdutoPremiação
Capril Encanto da MacambiraQueijo AventureiroOuro
Laticínio IlplaQueijo de ManteigaPrata
Laticínio IlplaRicotaPrata

O desempenho mostra que a qualidade da produção paraibana não está concentrada em apenas uma região do estado.

Bola do Lastro ganha registro histórico

Enquanto o Cariri celebra as medalhas nacionais, o Alto Sertão comemora outro marco importante. O tradicional Queijo Bola do Lastro, produzido no município de Lastro, recebeu o primeiro registro oficial emitido pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

A certificação representa um avanço importante para a comercialização do produto e abre caminho para a expansão das vendas. Além disso, foi aprovado o projeto da primeira fábrica artesanal padronizada dedicada ao queijo.

Uma receita preservada desde o século XIX

O Bola do Lastro é um dos produtos mais tradicionais da gastronomia paraibana. Contudo, sua origem remonta a 1889, quando um missionário alemão ensinou a técnica de fabricação aos produtores da região.

Entre suas principais características estão:

  • formato esférico;
  • casca avermelhada;
  • receita artesanal preservada;
  • processo produtivo mantido em sigilo pelos fabricantes.

O queijo foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial da Paraíba, reforçando sua importância histórica para o estado.

A principal referência atual é a Queijaria Dona Nenega, que produz aproximadamente 250 peças por mês, cada uma exigindo cerca de 12 litros de leite e um mês completo de maturação.

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Apoio técnico fortalece a cadeia produtiva

Os resultados alcançados pelos produtores também refletem o trabalho de assistência técnica e gestão realizado pelo Sebrae Paraíba. As ações incluem:

  • capacitação dos produtores;
  • melhoria dos processos produtivos;
  • certificações sanitárias;
  • análises laboratoriais;
  • apoio para participação em feiras e concursos.

Segundo o Sebrae, as premiações demonstram que os queijos paraibanos possuem competitividade para disputar espaço entre os melhores produtos do país.

Queijos artesanais impulsionam o turismo gastronômico

Além de agregar valor à produção rural, os queijos artesanais têm fortalecido o turismo gastronômico da Paraíba.

Afinal, eventos especializados, rotas gastronômicas e concursos nacionais ajudam a divulgar produtos tradicionais e movimentam pequenos municípios do interior, especialmente nas regiões do Cariri e do Sertão.

Portanto, o reconhecimento nacional também abre novas oportunidades de mercado para produtores familiares, consolidando a Paraíba como uma das referências brasileiras na produção de queijos artesanais de leite de cabra e de receitas tradicionais.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.