A saída levanta um debate comum no futebol brasileiro: vale a pena abrir mão de um jovem talento antes de sua consolidação?
O Bahia oficializou a saída do meio-campista Andrew Nathan, de apenas 18 anos, que acertou sua transferência para o Flamengo após rescindir contrato com o clube baiano. Assim, a negociação chama atenção não apenas pela mudança de camisa, mas por um detalhe curioso: há pouco mais de um ano: o atleta assinava seu primeiro contrato profissional com uma multa rescisória de 100 milhões de euros, cerca de R$ 587 milhões na cotação atual.
Sem conseguir espaço no elenco sub-20, o jogador deixa o Esquadrão e tentará recomeçar a carreira na Gávea.
A princípio, a decisão abre uma discussão: o Bahia fez um bom negócio ou corre o risco de ver outra promessa explodir em um rival?
Uma promessa que perdeu espaço
Antes de mais nada, Andrew Nathan chegou ao Bahia em 2024, vindo do Botafogo-SP, para integrar a equipe sub-17. Rapidamente chamou atenção. Pelos Pivetes de Aço, disputou:
| Categoria | Jogos | Gols | Assistências |
|---|---|---|---|
| Sub-17 | 39 | 5 | – |
| Sub-20 | 11 | 0 | 1 |
Ao mesmo tempo, o desempenho na categoria sub-17 foi suficiente para render um contrato profissional até 2028. Entretanto, a chegada ao sub-20 mudou o cenário.
Sob o comando de Leonardo Galbes, Andrew perdeu espaço e participou de apenas três partidas na atual temporada antes de rescindir o vínculo.
Por que um jogador com multa tão alta saiu?

Ao mesmo tempo, a multa rescisória de 100 milhões de euros não representa necessariamente o valor de mercado do atleta.
Nos clubes brasileiros, esse tipo de cláusula costuma funcionar como uma proteção contratual para impedir perdas precoces de jovens talentos para o mercado internacional.
Na prática, ela não significa que o jogador esteja avaliado nesse montante.
Ainda assim, chama atenção o fato de um atleta protegido por um contrato de longo prazo deixar o clube apenas um ano depois.
O Bahia se protegeu
Apesar da rescisão, o Bahia tomou uma precaução importante. De acordo com informações do jornal A TARDE, o clube manteve um percentual dos direitos econômicos do jogador.
Isso significa que, caso Andrew Nathan seja negociado futuramente pelo Flamengo, o Tricolor poderá receber parte dos valores da transferência.
Essa estratégia tem sido cada vez mais utilizada por clubes formadores quando entendem que o atleta dificilmente terá espaço imediato.
O Flamengo aposta na recuperação
Em suma, a chegada ao Flamengo oferece ao meia uma nova oportunidade. O clube carioca possui uma das categorias de base mais estruturadas do país e histórico recente de valorização de jovens jogadores.
Casos como esses e outros diversos nomes, mostram a capacidade do Flamengo em desenvolver atletas e gerar grandes vendas para o futebol europeu.
A expectativa agora será observar se Andrew Nathan conseguirá retomar o futebol apresentado nas categorias inferiores.

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Bahia acertou ou corre um risco?
A negociação gera opiniões diferentes.
Pontos que podem justificar a decisão
- o atleta não vinha sendo utilizado;
- perdeu espaço no sub-20;
- havia poucas perspectivas de promoção imediata;
- o clube manteve participação econômica em uma futura venda.
Pontos que geram dúvidas
- trata-se de um jogador de apenas 18 anos;
- havia investimento recente na sua formação;
- mudanças de ambiente costumam acelerar o desenvolvimento de jovens atletas;
- se Andrew se destacar no Flamengo, o Bahia poderá ser questionado por não ter aproveitado seu potencial.
Portanto, esse tipo de situação não é novidade no futebol brasileiro. Diversos atletas considerados promessas demoraram a se firmar em um clube e encontraram espaço apenas depois de uma transferência.
Por isso, somente os próximos anos mostrarão se a decisão foi acertada ou se o Bahia deixará escapar mais um talento que poderá render frutos em outra equipe.


