O mercado imobiliário residencial brasileiro apresentou movimentos diferentes em agosto. Enquanto os preços dos imóveis ganharam ritmo no mês, a valorização acumulada em 12 meses continuou desacelerando. No Nordeste, entretanto, o comportamento ficou ainda mais desigual: Recife manteve a maior valorização entre as capitais pesquisadas no país, Salvador também registrou forte alta, enquanto Fortaleza teve o menor avanço do levantamento.
Segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), calculado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os preços dos imóveis residenciais subiram 0,87% em agosto, depois de avançarem 0,61% em julho.
Apesar disso, a alta acumulada em 12 meses caiu de 15,78% para 14,73%, marcando o quinto mês consecutivo de desaceleração.
No acumulado de janeiro a agosto, o índice nacional avançou 6,56%. O resultado ficou abaixo dos 10,19% registrados no mesmo período de 2025 e dos 9% de 2024.

Recife tem a maior valorização entre as capitais pesquisadas
Recife aparece no topo do levantamento. Em agosto, os imóveis residenciais da capital pernambucana subiram 1,44%. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo dos 1,45% registrados em julho, a cidade manteve uma ampla liderança na comparação de 12 meses.
Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a valorização chegou a 25,81%.
Além disso, Recife acumulou 12,04% somente nos oito primeiros meses de 2026, também o maior resultado entre as dez capitais acompanhadas pelo IGMI-R.
A princípio, o número coloca a capital pernambucana em uma posição bastante diferente da média nacional.
Enquanto o mercado brasileiro acumulou 14,73% em 12 meses, Recife registrou uma alta 11,08 pontos percentuais maior nesse período.
Salvador também aparece entre os mercados mais valorizados
Salvador ocupa outro lugar de destaque no Nordeste.
A capital baiana acumulou 19,20% de valorização em 12 meses, o terceiro maior resultado entre as dez capitais pesquisadas, atrás de Recife e Curitiba.
Por outro lado, o comportamento mensal mudou completamente de direção.
Em agosto, Salvador registrou queda de apenas 0,01%, depois de recuar 0,16% em julho. Na prática, o indicador ficou próximo da estabilidade.
No acumulado de janeiro a agosto, a capital baiana registrou alta de 6,55%, praticamente em linha com a média nacional de 6,56%.
Portanto, Salvador apresenta um cenário diferente do Recife: a valorização em 12 meses continua elevada, mas o comportamento mais recente indica uma acomodação dos preços.
Fortaleza está no outro extremo
Fortaleza apresenta o contraste mais evidente dentro do Nordeste. A capital cearense registrou alta de 0,45% em agosto, acelerando levemente em relação aos 0,41% de julho.
Mesmo assim, o acumulado de janeiro a agosto ficou em apenas 2,59%, o menor resultado entre as dez capitais pesquisadas pelo IGMI-R.
Em 12 meses, a valorização chegou a 8,63%, também o menor percentual do levantamento.
Assim, enquanto Recife acumulou 12,04% apenas em 2026, Fortaleza registrou 2,59%.
A diferença entre as duas capitais chega a 9,45 pontos percentuais no acumulado do ano.
Veja como estão os imóveis nas três capitais nordestinas pesquisadas
| Capital | Agosto/2026 | Jan.–ago./2026 | 12 meses |
|---|---|---|---|
| Recife | +1,44% | +12,04% | +25,81% |
| Salvador | -0,01% | +6,55% | +19,20% |
| Fortaleza | +0,45% | +2,59% | +8,63% |
| Brasil | +0,87% | +6,56% | +14,73% |
Os dados mostram que não existe um único comportamento para o mercado imobiliário nordestino. As três capitais acompanhadas pelo índice apresentam trajetórias bastante diferentes.
Recife também supera grandes mercados do país
A valorização do Recife ganha ainda mais dimensão quando comparada com outras capitais.
Nos últimos 12 meses, a capital pernambucana acumulou alta de 25,81%, enquanto Curitiba chegou a 21,19%, Salvador a 19,20%, Brasília a 18,41% e Porto Alegre a 16,66%.
Já São Paulo acumulou 12,54%, Belo Horizonte 13,07% e Rio de Janeiro 10,81%.
| Capital | Valorização em 12 meses |
|---|---|
| Recife | 25,81% |
| Curitiba | 21,19% |
| Salvador | 19,20% |
| Brasília | 18,41% |
| Porto Alegre | 16,66% |
| Belo Horizonte | 13,07% |
| São Paulo | 12,54% |
| Goiânia | 11,72% |
| Rio de Janeiro | 10,81% |
| Fortaleza | 8,63% |
O levantamento, portanto, mostra uma distância significativa entre os mercados acompanhados.
Por que os preços dos imóveis sobem em ritmos tão diferentes?
O IGMI-R não aponta uma única causa para a diferença entre as capitais.
A formação dos preços envolve fatores como oferta disponível, demanda, condições de crédito, custos de construção e características específicas de cada mercado.
Isso ajuda a explicar por que duas capitais da mesma região podem apresentar resultados tão diferentes.
Além disso, o índice acompanha a evolução dos preços residenciais e não representa, isoladamente, o desempenho de todos os segmentos do setor imobiliário, como imóveis comerciais, terrenos ou todos os municípios de um estado.
Por isso, os números devem ser lidos como um retrato dos mercados residenciais das capitais incluídas na pesquisa.
Preço de venda sobe mais que aluguel
Outro dado chama atenção no levantamento.
Nos 12 meses até agosto, o IGMI-R acumulou 14,73%, enquanto o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da FGV, avançou 5,09%.
A diferença chegou a 9,64 pontos percentuais.
Na prática, isso significa que os preços de venda dos imóveis residenciais avançaram muito mais rapidamente do que os valores acompanhados pelo indicador de aluguéis no período.
O cenário também aparece na comparação com os custos de construção.
O INCC-M acumulou 6,56% em 12 meses, deixando uma diferença de 8,17 pontos percentuais em relação ao IGMI-R.
Comparação dos principais indicadores
| Indicador | Alta em 12 meses até agosto |
|---|---|
| IGMI-R – imóveis residenciais | 14,73% |
| INCC-M – custos da construção | 6,56% |
| IVAR – aluguéis residenciais | 5,09% |
| IPCA – inflação | 4,22% |
Essa diferença também mostra que a valorização dos imóveis não depende exclusivamente do aumento dos custos das construtoras. A oferta, a procura, o crédito e as condições específicas de cada mercado também interferem na formação dos preços.
Imóveis tiveram ganho real nos últimos 12 meses
O IGMI-R também ficou bastante acima da inflação oficial.
Enquanto os imóveis residenciais subiram 14,73% em 12 meses, o IPCA acumulou 4,22%.
Considerando a comparação composta entre os dois índices, a valorização real dos imóveis ficou em aproximadamente 10,09% no período.
Ou seja, mesmo descontando o efeito da inflação, os preços residenciais apresentaram crescimento expressivo.
Entretanto, esse resultado não significa que todos os proprietários ou investidores tenham obtido exatamente esse retorno. O IGMI-R representa a variação agregada dos preços acompanhados pelo indicador e não uma rentabilidade individual.

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O que o cenário mostra para o Nordeste?
Os números de agosto revelam um mercado nordestino dividido.
Recife combina forte valorização mensal, alta de 12,04% no ano e 25,81% em 12 meses.
Salvador mantém uma valorização elevada em 12 meses, mas apresentou estabilidade em agosto.
Fortaleza, por sua vez, registra crescimento mais moderado e acumula o menor avanço entre as capitais pesquisadas.
Portanto, não dá para falar em uma única tendência para os imóveis residenciais do Nordeste.
O comportamento varia de acordo com cada mercado local.
E esse talvez seja o principal dado do levantamento: a valorização dos imóveis está acontecendo em ritmos muito diferentes, mesmo dentro da mesma região.
Recife entra em uma trajetória de forte valorização
O desempenho do Recife merece atenção justamente porque combina dois horizontes de alta. No curto prazo, a capital pernambucana avançou 1,44% em agosto.
Portanto, no acumulado de 2026, chegou a 12,04%. Já na janela de 12 meses, atingiu 25,81%, mantendo a liderança entre as dez capitais acompanhadas pelo IGMI-R.
Ao mesmo tempo, o índice nacional começa a mostrar uma acomodação no ritmo anual. A taxa de 14,73% em 12 meses ficou abaixo do pico de 19,76% registrado em março.
Assim, o mercado brasileiro continua valorizando, mas a velocidade dessa valorização vem diminuindo. Recife, entretanto, segue em trajetória bastante acima da média nacional.


